“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

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terça-feira, 19 de agosto de 2014

O Livro da Queda para Crianças - História 10: "A Sentença"

Esse é o último capítulo deste livreto de Thomas H. Gallaudet que estivemos postando neste blog", que conta a história da Queda do Homem para crianças, com exemplos e ilustrações, e que desmembra os acontecimentos daquele triste evento que aconteceu no Éden, mas que tem influenciado as vidas de todas as pessoas, crianças e adultos, até o dia de hoje. Mais importante, ele está repleto de conselhos e encorajamentos para que as crianças não caiam em pecado e aprendam a perceber e a escapar das tentações do inimigo, do pecado e das suas tristes consequências, sempre apontando para o Senhor Jesus como o Salvador dos pequeninos. Esperamos que os leitores tenham tirado proveito dessa série de posts, e esperamos disponibilizar este material neste blog em um só arquivo para ser impresso com mais facilidade, e informaremos também caso este material seja publicado no Brasil em forma de um livreto, bem como informações sobre como adquiri-lo.



História 10

A SENTENÇA

Se o diretor de uma escola descobre que um dos alunos ficou com tanta raiva de outro, que bateu nele com tanta força, e o deixou de olho roxo, ele faria bem em chamar os dois meninos para comparecerem diante dele, na presença de toda a escola, e fazer perguntas para saber o que aconteceu.

Depois de descobrir a verdade, o diretor sente que é o seu dever punir o menino que machucou o outro. Ele o faz ficar em pé num banco, para que todos os outros alunos o vejam. Ele diz a ao menino: "Por causa de sua conduta tão ruim em ficar com raiva e bater no seu colega, você deve, por três dias, trazer seu almoço para a escola, e ficar de castigo de meio dia às duas da tarde, e o seu almoço deve ser somente pão e água."

Isso, ou seja, dizer ao menino qual seria o seu castigo, era a sentença que o mestre passou sobre ele.

Um juiz sentencia um homem que é culpado de roubar a ficar preso, e um homem que é culpado de assassinato, à morte.

Houve uma sentença que Deus passou sobre Adão e Eva, depois que Ele pronunciou a maldição contra Satanás. Como eles devem ter se sentido tristes e culpados quando a receberam!

Deus disse a Eva que ela iria sentir muita dor e tristeza, e a Adão que ele também deveria sofrer grandemente. Por causa desse pecado, a terra toda iria ser amaldiçoada. Ela iria começar a brotar espinheiros e ervas daninhas. Aconteceria uma grande mudança. As coisas iriam parecer bem diferentes do que haviam sido no Éden. Adão e Eva não iriam mais comer as frutas deliciosas de que o jardim estava cheio. Eles teriam logo que deixar aquele lugar, para nunca mais retornar. Adão teria que trabalhar e se esforçar duramente para tirar a sua comida do solo, cavando e cultivando a terra. E, por fim, os dois teriam que morrer, e os seus corpos se misturariam com o pó da terra.

O pecado foi a causa destes males para Adão e Eva; olhe ao redor de você, e veja quanta dor, e sofrimento, e problemas o pecado ainda nos causa!

A sentença de morte tem passado sobre todo homem, pois todos pecaram. Você sofre porque você é um pecador. Se você estiver vivo, você terá, como Adão e Eva, que se encontrar com a dor, com o sofrimento e com problemas. E, por fim, você vai morrer. Deus diz a você, como ele disse a Adão: "Tu és pó, e ao pó voltarás." (Gênesis 3:19)

Pense em como o pecado é maligno. Ele é um mal terrível porque é cometido contra Deus. Quando você peca, você faz esse mal ficar maior. E então: você não deveria se arrepender? Você não vai se arrepender de todos os seus pecados, e ir a Cristo, e amá-lo, e obedecer seus mandamentos?

A Bíblia nos conta que, após passar sentença sobre Adão e Eva, Deus os expulsou do Éden. Isso era parte do seu castigo, e eles devem ter sentido isso muito duramente. Eles sabiam que eles nunca iriam ter permissão para retornar àquele jardim, e desfrutar novamente das suas agradáveis caminhadas e sombras, e respirar o seu ar puro e cheiroso, e comer os seus deliciosos frutos.  Ali eles haviam se sentido seguros sob a proteção do seu amigo Todo-Poderoso. Deus os havia visitado e conversado com eles (pelo menos, temos motivo para pensar assim). Eles haviam sido felizes ao amar e obedecer a Ele, e ao amar e fazer bem um ao outro. Todas as suas necessidades tinham sido satisfeitas, e, se eles apenas tivessem continuado satisfeitos e obedientes, esse agradável jardim, com todas as suas alegrias puras e santas, ainda seria a sua casa. Que pensamento doloroso, pensar que eles estavam agora para perder esse lar e seguir adiante aguentando dor, trabalho suado, tristeza e morte, e um mundo amaldiçoado e mudado por causa do seu pecado!

Que tristeza para Adão e Eva! Pense em como eles devem ter se sentido quando eles deram sua ultima olhada para o Éden!

Mas há um lugar mais brilhante e belo, mais alegre e amável do que o Éden era. É o céu, o paraíso de Deus. Ali, não há pecado, nem qualquer tentação para pecar;  nenhuma dor, ou doença; nenhum problema ou tristeza. Tudo é santidade e paz. Tudo é perfeita alegria. Não há medo de mudança. As alegrias do céu serão eternas. (Salmo 16:11 e Mateus 25:46)

Seus habitantes estarão sempre crescendo em conhecimento, em bondade, e em felicidade. Sua alegria estará em aprender mais de Deus e de Jesus Cristo; em amar o Senhor e servi-lo, e em se alegrar fazendo o bem a todos ao seu redor.

Aqueles frutos deliciosos, o ar cheiroso e todos os prazeres do jardim no qual Adão e Eva viveram, não são nada perto das alegrias do paraíso celestial.

Que coisa triste foi para Adão e Eva serem expulsos do Éden! E como você se sentirá, minha querida criança, se você tiver que experimentar a tristeza de ser para sempre expulso do Éden celeste?

Mas você não precisa ficar de fora. Há um caminho seguro pelo qual você pode conseguir entrar ali, para nunca ser expulso. Jesus Cristo é este caminho. Ele morreu na cruz para que o caminho para o céu fosse aberto a você. Ele está pronto e esperando para lhe tomar pela mão, e levá-lo por este caminho. Você irá até Ele? Você sabe que, quando Jesus estava na terra, ele disse: "Deixai vir a mim os pequeninos, e não os embaraceis." (Lucas 18:16)

Você irá para esse bom e compassivo Salvador? Ele o ama tanto,  - sim, Ele ama você que está lendo esse livro - que ele desceu do céu e morreu na cruz de propósito para salvar você! Você vai se demorar ainda mais para ir até Ele?

Vá a Cristo, como um homem pobre, doente e à beira da morte vai ao médico que vem visitá-lo, sentindo que a sua única esperança de vida está no que esse médico bondoso e habilidoso fará por ele.

Vá a Cristo, sentindo-se como Pedro quando ele estava afundando nas águas, e estava perto de se afogar, e sentiu que ele não tinha força em si mesmo, e clamou: "Senhor, salva-me, ou perecerei!" (Mateus 14:30)

Vá a Cristo, sentindo-se como o publicano arrependido quando ele "bateu no seu peito, dizendo: 'Deus, tem misericórdia de mim, um pecador!'" (Lucas 18:13)

Vá a Cristo, sentindo que você é de fato um pecador, e que a lei de Deus justamente o sentenciou ao castigo, como fez com Adão e Eva.

Vá a Cristo, sentindo que está perdido em você mesmo, sem nenhuma bondade e sem nenhuma força em si próprio, e que você vem para ser salvo por ele, e para receber essa salvação como um presente de graça que você não merece de maneira nenhuma.

Você vai fazer isso? Você vai agora ficar sozinho e buscar a Cristo? Você vai orar a Deus pelo seu Espírito Santo para que lhe ajude a fazer isso? Jesus nos disse: "Peça, e você receberá; busque, e você achará, bata, e será aberto a você". E: "Aquele que vem a mim Eu de modo nenhum lançarei fora". (Mateus 7:7; João 6:37)
 
Para Colorir:
 

 

 

sábado, 27 de abril de 2019

Capítulo 8 Banidos

  Todos em Eichbourg estavam ansiosos para saber qual seria a sentença desse caso desventuroso. Todas as pessoas amigáveis temiam pela vida de Mary, pois, naqueles dias, o crime de furto era punido com excessiva severidade e a pena de morte era muitas vezes infligida pelo roubo de artigos muito menos valiosos do que aquele anel. O Conde sinceramente desejava que a inocência de Mary fosse provada. Ele mesmo leu todo o testemunho e conversou por horas com o juiz, sem ser capaz de convencer a si mesmo da inocência de Mary. Tanto a condessa , quanto a sua filha, Amelia, imploraram, com lágrimas, que Mary não fosse morta; enquanto o seu pai idoso gastava dias e noites em oração incessante, para que a graça do Senhor fosse suficiente para ela e que a sua força fosse aperfeiçoada na fraqueza. Toda vez que Mary ouvia o carcereiro entrar em sua cela, ela pensava que ele iria anunciar a ela a hora de sua morte. E nesse meio tempo, o executor estava engajado na preparação do terrível dia.

         Certo dia, quando Juliette estava caminhando, ela viu o executor ocupado com esses preparativos e o seu coração se encheu de pesar. O terror parecia privá-la dos seus demais pensamentos, e quando ela se assentou para o jantar, ela nem tocou em sua comida e todos perceberam que ela estava sofrendo alguma agonia oculta em sua mente. Ela teve uma noite terrível e, mais de uma vez, em seus sonhos, ela viu a cabeça da Mary cortada. O seu remorso não lhe deu descanso, nem de dia, nem de noite, mas o coração dessa criatura miserável estava endurecido demais para confessar as suas mentiras, a fim de salvar Mary.

         Por fim, o juiz pronunciou a sentença. Mesmo tendo a Mary sido culpada de pena de morte, a sua pena foi mudada para exílio perpétuo, ao levarem em conta a sua idade e a sua reputação prévia imaculada. Essa sentença também foi estendida a James, e tudo o que eles possuíam foi confiscado, uma vez que acreditava-se que ele era cúmplice do crime, ou que o seu mau exemplo ou negligência tinham contribuído para levá-la a se desviar. A sua punição poderia ter sido mais severa, não fosse a súplica sincera do Conde e de sua família. James e Mary foram conduzidos para fora das fronteiras da cidade por um guarda e a jornada deles começou naquele mesmo dia.

         De manhã cedo, no dia seguinte, conforme Mary e seu pai passavam na frente do portão do castelo, em seu caminho para a prisão perpétua, Juliette saiu do castelo. Vendo que o caso, ao contrário de todas as expectativas, havia tomado um rumo diferente do que ela tinha previsto, esta moça astuta e sem nenhum bom sentimento, recobrou a sua disposição. Ainda que ela não desejasse que Mary fosse levada à morte, ela tinha objeções quanto ao seu exílio. Assim que ela descobriu que a vida de Mary havia sido poupada, o seu ciúme voltou com toda a força. Ela ainda a odiava e tinha grande inveja dela, por causa do amor que a Condessa havia lhe mostrado. Alguns dias antes, Amélia viu a cesta que Mary tinha dado a ela em uma estante e disse para Juliette: 

         ー Leve essa cesta daqui, para que eu nunca mais a veja, pois ela me traz lembranças tão dolorosas que eu não suporto olhar para ela. Juliette pegou a cesta e a guardou em seu próprio quarto, e agora a trouxera novamente, neste momento tão difícil para Mary e seu pai. 

         ー Pare! Aqui está o seu presente! – Chamou Juliette – Você pode pegá-lo de volta; a minha senhora não deseja nada vindo de pessoas como você. A sua glória passou com as flores pelas quais você foi tão bem paga, e é um grande prazer para mim devolver esta cesta.

        Ela a lançou aos pés de Mary e, com um sorriso desdenhoso, entrou no castelo. Mary pegou a cesta em silêncio, com lágrimas em seus olhos, e continuou em seu caminho.

        O seu pai não tinha sequer um bengala para lhe ajudar em seus passos instáveis. Mary não tinha nada além de sua cesta; seus olhos encharcavam-se com lágrimas ao passar por cada lugar tão familiar a ela, fitando-os afetuosamente, enquanto as memórias de tantos dias felizes começavam a desaparecer. No momento em que ela se virou, pela última vez, ela acenou adeus, primeiro para o chalé, depois para o castelo, e por último, para a torre da igreja, que desapareceu da sua vista, por trás de uma colina coberta de árvores. 

        Quando o guarda os conduziu até os limites da cidade, praticamente já dentro da floresta, o velho homem, completamente exausto, sentou-se sobre o musgo, debaixo da sombra de um velho carvalho. 

        – Venha, minha filha – ele disse, tomando Mary em seus braços, juntando as suas mãos com as dela, e levantando-as aos céus. – Antes de irmos, vamos agradecer a Deus, que nos tirou de uma prisão pequena e escura, e nos permitiu aproveitar livremente a luz do céu e o frescor do vento ー ao Deus que salvou as nossas vidas e que devolveu você, minha querida filha, para o abraço deste seu pai. 

       O homem idoso caiu de joelhos e, com profunda gratidão no coração, sinceramente agradeceu ao Senhor por todas as bênçãos do passado e suplicou a proteção de seu Pai celestial para o futuro. Terminando a sua oração, James orou assim: 

       – “Sê nosso guia e guarda através dos perigos aos quais podemos ser expostos. Conduz os nossos passos, nós oramos a ti, entre aqueles que são povo Teu, e inclina os seus corações para nos ajudarem. Dá-nos, ó Senhor, um cantinho nesse mundo, onde possamos terminar a nossa peregrinação em tranquilidade e morrer em paz. Nós cremos que tu já preparaste para nós uma habitação para onde iremos, embora não saibamos onde ela é. Capacita-nos a caminhar em fé e confiança em ti, até que Tu nos leve ao lugar onde escolheste para que habitemos. Fortalece-nos, nós te pedimos, em nossa jornada, e dá-nos a Tua paz, por amor ao nosso Senhor Jesus Cristo”. 

       Depois de orarem assim, juntos, pois cada palavra da oração de seu pai ecoava no coração de Mary, eles se levantaram renovados e confortados e se prepararam para seguirem o seu caminho com coragem, e até mesmo com alegria. 


A oração é o discurso mais simples

Que os lábios das crianças podem pronunciar.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Mulheres da Reforma Protestante - Lady Jane Grey

Lady Jane Grey
(1537-1554)

“A história que raramente é contada sobre a Reforma é a história das mulheres da Reforma. Nós tendemos a contar a história de todos os homens, e isto porque eles é quem foram os pastores, e nós que cremos nos ensinos baseados nas Escrituras, sabemos que o pastorado é um ministério reservado apenas para homens. Nisso, contudo, nós nos esquecemos do fato de que as mulheres também tiveram um papel muito significativo na história da Reforma Protestante.” (Crossway publications)

O papel que a maioria delas exerceu foi como esposas. Nós não teríamos Martinho Lutero, e tudo o que ele pôde realizar em prol do verdadeiro evangelho sem a sua esposa Kathe, a qual o auxiliou, apoiou e complementou em todas as áreas. “Estas mulheres receberam grandeza dos seus maridos, e retribuíram transmitindo delicadeza, bondade e beleza às suas vidas e ministérios. O que teria sido de Lutero sem a sua Kathe? De Zwinglio, sem Anna, a sua inseparável companheira? As mulheres da Igreja Reformada têm sido um elemento importante na sua história. Assim como Débora e Ester, juntamente com as Marias do Novo Testamento, ajudaram a construir a história bíblica, assim também as mulheres da Reforma têm contribuído para tornar a sua história ainda mais gloriosa.” (James I. Good – As Grandes Mulheres da Reforma)

Mas também houveram outras mulheres que fizeram excelentes e significantes contribuições por si próprias. Segundo Stephen J. Nichols, historiador e presidente do Reformation Bible College, bem como chefe acadêmico do Ministério Ligonier, uma das histórias que precisam ser contadas e rememoradas é a de Lady Jane Grey, que, além de mulher, foi uma jovem mártir da Reforma, fiel e piedosa, a qual também ficou conhecida como a Rainha dos Nove Dias. Ela recebeu este título por ter assumido o trono da Inglaterra por um período de apenas nove dias - sendo então destronada pelos seus adversários católicos e trancafiada na torre adjacente ao castelo, para então ser decapitada, em virtude da sua fé e amor a Cristo, com apenas dezessete anos de idade.

Em sua série de palestras “Reformation Profiles” (Perfis da Reforma) baseadas nos cinco “Solas” da Reforma Protestante, Nichols relaciona cada “sola” a um dos personagens principais deste período: Sola Scriptura a Martinho Lutero; Sola Gratia a Ulrich Zwingli; Sola Fide a Lady Jane Grey; Solus Christus a João Calvino e Soli Deo Gloria aos pós-reformadores e à rica herança que estas doutrinas deixaram para a verdadeira Igreja de Cristo. 

Daí a importância de conhecermos um pouco mais sobre esta jovem heroína da fé Cristã, Lady Jane Grey. Desde o início de sua adolescência, vemos que ela já possuía uma grande habilidade com as línguas. Ela já dominava o Latim e o Grego, e estava estudando o Novo Testamento em Grego. Ela escreveu uma carta a Martin Bucer, o teólogo que Calvino fez questão de ter como o seu tutor em Strausberg, perguntando a ele qual seria o melhor método para se estudar o Hebraico, a fim de que ela pudesse estudar o Antigo Testamento na sua Língua original. Ela tinha apenas por volta dos treze anos de idade, nessa época, e já dominava as línguas Grega e latina, as quais utilizava para o estudo das Escrituras. 

Após a morte do seu primo, Edward VI, que a havia nominado como a próxima rainha, ela assumiu o trono da Inglaterra, ficando assim conhecida como a “rainha dos nove dias”. Contudo, a meia-irmã de Edward VI, Mary (que mais tarde ficaria conhecida entre os protestantes como “Maria, a sanguinária”, em virtude do grande número de protestantes que ela executou) conseguiu unir as forças populares e armadas da Inglaterra, convencendo-os de que tinha direito ao trono. Assim, as tropas marcharam pela cidade de Londres para entronar Mary, e Lady Jane Grey foi aprisionada na Torre de Londres.

Mary, que tinha fortes convicções católicas, reverteu a Reforma que já estava acontecendo na Inglaterra e levou o país de volta ao catolicismo. Mary enviou o Bispo Feckenham para ir interrogar  Lady Jane na torre do castelo e tentar persuadi-la a se tornar católica, a fim de que fosse livrada da morte. Contudo, neste processo, ela exaltou tanto a doutrina da suficiência das Escrituras (Sola Scriptura) e demonstrou tanto conhecimento ao defender a Justificação pela fé somente (Sala Fide), que Feckenham simplesmente se retirou, não conseguindo refutar os seus argumentos ou debater com ela.

A sentença foi dada e ela foi condenada, de modo que esta jovem, fiel, piedosa, ousada e cheia de graça e conhecimento da verdade foi executada em virtude da sua fé, tornando-se mártir da Reforma Protestante na Inglaterra. Pouco antes do seu martírio, Lady Jane Grey escreveu algumas palavras em sua cópia do Novo Testamento que ela estava deixando para a sua irmã. Ela escreveu sobre como exteriormente esse livro não era enfeitado com ouro, como eram alguns dos livros mais refinados em sua biblioteca, mas “interiormente valia mais do que pedras preciosas”. Pedro afirma que Deus nos doou “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” nas “preciosas e mui grandes promessas” da sua Palavra (2 Pedro 1.3-4). A Palavra de Deus é suficiente para nos dizer o que devemos crer para que sejamos salvos e como podemos agradar a Deus. A sua profunda convicção de que a justificação vem pela fé somente a capacitou para encarar até mesmo a sua decapitação com a plena confiança de que a salvação da sua alma descansava nas mãos do seu Salvador, e não nas suas próprias.

Podemos ter alguma noção da teologia e da piedade de Lady Jane a partir da leitura desta carta que ela escreveu na véspera do seu martírio à sua irmã mais nova, de quatorze anos de idade, na época, Katherine Grey. Ela diz:

“Viva para morrer, a fim de que, pela morte, você venha a adentrar a vida eterna, e então goze da vida que Cristo garantiu para você, por meio da sua morte. Não pense, só porque você agora é nova, que a sua vida será longa, pois tanto jovens, como velhos são levados por Deus, quando Ele os chama.”

No dia da sua execução, Lady Jane carregava consigo apenas um livro de orações, com trechos bíblicos ou provenientes das obras de Jerônimo, Ambrósio e Agostinho, reconhecidos pais da igreja do século IV. No seu discurso final, estas foram as suas palavras:

“Boas pessoas, eu cheguei até aqui para morrer, e pela lei, sou condenada para tal. O fato contra a realeza foi ilegítimo, bem como o seu consenso por mim. Mas, no tocante à busca e desejo deste por mim, de minha parte, eu lavo as minhas mãos em inocência perante Deus, e perante a face de cada um de vós, bons cristãos, neste dia.”

O que ela queria dizer com estas palavras é que ela reconhecia a sua culpa perante a lei no tocante ao seu consentimento em ter assumido a coroa, no entanto, ela se declara inocente quanto às acusações de ter buscado ou mesmo desejado o reinado. Tendo dito isto, ela continuou:

“Eu oro para que todos vós, bons cristãos, sejam testemunhas de que eu morro como uma verdadeira mulher cristã, e que eu busco ser salva por nenhum outro meio, senão unicamente pela graça de Deus, no sangue do seu único Filho Jesus Cristo: e eu confesso que, mesmo tendo conhecimento da Palavra de Deus, muitas vezes eu a negligenciei, busquei a mim mesma e ao mundo; e portanto, esta praga e julgamento estão, feliz e dignamente, ocorrendo a mim por causa dos meus pecados. Contudo eu ainda agradeço a Deus que, pela Sua bondade, tem me concedido tempo e oportunidade para me arrepender. E agora, boas pessoas, enquanto eu ainda vivo, eu peço que me assistam com suas orações.”

Ela então se ajoelhou e pediu que a audiência ali presente recitasse com ela as palavras do Salmo 51, que começa com a petição: “Tem misericórdia de mim, Ó Deus.” Após a recitação deste salmo, Lady Jane Grey novamente se levantou e se preparou para a sua execução. As suas últimas palavras foram a citação das palavras de Cristo, na cruz: “Senhor, em Tuas mãos eu entrego o meu espírito”.


O testemunho desta jovem mártir da Fé Reformada deve nos encher de temor e admiração, não simplesmente pela sua bela vida e testemunho cristãos, mas pelo Deus que lhe concedeu fé e graça para suportar tamanha provação com a plena confiança de que a sua alma estava nas mãos do seu Redentor. Este é o Deus que continua a operar na vida da sua Igreja, concedendo as mesmas graças àqueles que as buscam em sinceridade e verdade, confiados no sangue remidor do Cordeiro. 

   

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O MANUSCRITO, O SCHOLAR, E A ROUPA-SUJA.


Esta postagem é baseada em um artigo publicado na revista WORLD, por Caroline Leal, em Março de 2013, do qual foi extraído o título acima. Segundo o artigo, a descoberta de um antigo manuscrito de C. S. Lewis, encontrado entre as páginas de um pequeno caderno de anotações em uma das mais antigas bibliotecas da Europa, está lançando nova luz sobre a visão da comunicação deste famoso autor.

De acordo com a revista, em 2009, um professor da Universidade do Estado do Texas resolveu um mistério literário envolvendo dois dos mais conhecidos autores do século XX, - C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien – os quais haviam planejado, na década de 40, escrever um livro que seria intitulado: A Linguagem e a Natureza Humana. Contudo, a obra, embora tenha sido agendada para publicação em 1950, nunca foi concluída. Os estudiosos achavam que a obra nunca havia sido sequer iniciada, até que o Dr. Steven Beebe – professor regente e presidente do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual do Texas – descobriu as páginas introdutórias de um manuscrito nunca antes publicado de C. S. Lewis na Biblioteca Bodleian da Universidade de Oxford.

O fragmento cobria apenas oito páginas de um pequeno caderno no qual Lewis escrevera a palavra “Rascunhos”.  Após sete anos de pesquisas, no verão de 2009, Beebe tornou pública a alegação de que o manuscrito encontrado era o início deste projeto de obra conjunta de Lewis e Tolkien. Sendo um scholar internacionalmente renomado sobre C. S. Lewis, e um especialista em comunicação, Beebe falou à Revista WORLD sobre o seu achado, e discutiu como, quatro anos após ele ter anunciado a sua descoberta, este manuscrito continua a instigar e a informar o mundo literário.

Ao responder à pergunta sobre como ele se interessou por C. S. Lewis e por Tolkien, o renomado professor afirma ter lido, em 1993, uma biografia sobre Lewis “o excêntrico, o brilhante, o mestre, o erudito, o intelectual e poético Lewis” e somente a sua vida foi suficiente para lhe cativar. Ele começou a ler os seus livros e, ao perceber o quanto Lewis tinha a dizer sobre a linguagem, o sentido e as palavras, o seu interesse nele, como teórico da comunicação, se desenvolveu cada vez mais. Segundo o professor, o seu interesse por Tolkien é apenas derivado do seu interesse por Lewis, no que diz respeito à sua influência sobre esse autor. Ele afirma não ser um estudioso de Tolkien pois, em suas palavras, “ainda não consegui me desvencilhar de Lewis, ou, Lewis ainda não se desvencilhou de mim.”

O estudioso afirma que o manuscrito, na realidade, não estava perdido, mas simplesmente ninguém havia realmente percebido a sua significância. “Não é tanto que eu o encontrei, e sim que eu o identifiquei. Ao começar a ler o manuscrito em 2002, a primeira sentença dizia: ‘em um livro como este, nós deveríamos começar no início das origens da linguagem...’, e então ele continua dando definições de significado, que é exatamente a minha praia. É sobre isso que eu escrevo, estudo, ensino – linguagem, sentido, comunicação”, afirma Beebe.

Contudo, foi apenas em 2009 que o estudioso veio a perceber que o manuscrito era o início do projeto de livro planejado por Lewis e Tolkien. O professor diz que já havia transcrito e citado o manuscrito em seus artigos e obras, mas não conhecia o seu contexto. Essa conexão só foi estabelecida em 2009, quando a sua máquina de lavar-roupas quebrou. Então ele e sua esposa foram a uma lavanderia e, na saída, ele levou consigo o excelente volume de Diana Glyer, “The Company They Keep” para ler enquanto esperava. Ele estava lendo sobre a colaboração entre Lewis e Tolkien, e Diana estava descrevendo o livro que eles planejavam co-autorar sobre a natureza da linguagem. Foi então que ele parou no meio da leitura e foi como uma “Eureka”. Em suas próprias palavras: “Eu lembro de estar lá sentado, olhando para a minha roupa girando na secadora quando eu pulei da cadeira e disse: ‘Eu sei o que é! Eu sei o que aquele manuscrito é!’. Eu fui para casa e então eu pude ver, referências como ‘os autores acreditam’ e ‘pensamos nós’ evidenciam que este é aquele livro que Lewis e Tolkien planejavam escrever juntos.”

A revista WORLD pergunta ao professor qual seria o porquê do livro nunca ter sido completado, ao que Beebe responde que, na mesma época, Lewis estava escrevendo as Crônicas de Nárnia e Tolkien estava trabalhando no Senhor dos Anéis. Ambos estavam ocupados com outros projetos. Por isso o manuscrito é composto por apenas oito páginas escritas à mão, por Lewis, e o pensamento de Tolkien realmente não está presente ali, é apenas o começo de Lewis.

Desde então, o professor tem escrito e publicado artigos e comentários revelando e provando a sua descoberta, os quais tem sido amplamente aceitos no seu meio acadêmico e literário. Além disso, Beebe está trabalhando em um volume sobre C.S. Lewis e a comunicação, ao qual ele pretende separar um “ano de descanso” dos seus demais afazeres, para poder se dedicar melhor ao cumprimento desta obra.   

Segundo o estudioso, ao iniciar os seus cursos sobre Lewis na Universidade de Oxford, ele sempre começa perguntando aos alunos duas questões. A primeira é: “O que C. S. Lewis disse sobre a comunicação?” E a segunda é: “O que C. S. Lewis fez para tornar-se um excelente comunicador?” Estas duas perguntas serão o foco principal da sua obra. O manuscrito encontrado ajuda a responder à primeira pergunta, visto que trata especificamente de língua e semântica, contudo, a contribuição do seu livro pretende ser como nós podemos aplicar estes insights para nos comunicarmos efetivamente, assim como fez Lewis.

A obra parece ser de grande relevância para todos aqueles interessados no campo da linguagem e da teoria da comunicação, bem como a todos os fascinados pelas obras e pelas habilidades literárias e comunicativas de C. S. Lewis. Aguardemos a sua publicação!           

 

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Livro da Queda do Homem para Crianças - Introdução

O Livro da Queda do Homem para Crianças - Introdução
Com ilustrações e notas práticas*

Thomas H. Gallaudet

Conteúdo do Livro:
Introdução:
-Apresentação de Capa do Autor e do Livro
- Testemunho Pessoal de um Pastor Surdo
- Uma Palavra à Criança
História 1- A Permissão
História 2- A Proibição
História 3- A Penalidade
História 4- O Tentador
História 5- A Tentação
História 6- A Queda
História 7- O Remorso
História 8- As Desculpas
História 9- A Maldição
História 10- A Sentença

Apresentação de Capa do Autor e do Livro
Thomas Hopkins Gallaudet (1787-1851), educador norte-americano de surdos, nasceu na Filadélfia, Pensilvânia, e formou-se no Seminário Teológico de Andover. Ele buscou nas escolas da Inglaterra e da França métodos de educação para os surdos, e fundou em 1817, em Hartford, Connecticut, a primeira escola livre desse tipo nos Estados Unidos. Ele era também interessado em muitas outras filantropias. Durante a sua vida ele publicou extensivamente. Entre suas obras estão Histórias Bíblicas para os Jovens, O Livro da Alma para Crianças, O Livro de Teologia Natural para Crianças, e outras obras similares. Ele também editou seis volumes dos Anais para os Surdos e Excepcionais.
“Cadastre o nome de Gallaudet entre os escritores mais talentosos e atrativos no departamento que ocupava: falar para as mentes e corações das crianças e dos jovens.” – Dr. Heman Humphrey
“Os livros do Sr. Gallaudet exibem sua habilidade impressionante de trazer os assuntos mais abstratos para o alcance da mente mais fraca e pequena.” – Dr. Henry Bernard
“O campo da miséria humana, que alguns visitam por um senso de dever, ele tinha prazer em explorar, e nunca parecia tão alegre quanto quando investigava esquemas para aliviar os sofridos e levantar os caídos.” – Rev. Horace Hooker
* Traduzido da Edição publicada por Solid Ground Christian Books (Junho 2005)
2090 Columbian Rd, Suite 2000
Birmingham, AL 35216
205-443-0311
sgcb@charter.net

Prefácio: Um Tributo a Thomas H. Gallaudet
Imagine o mundo de alguém que não pode ler e escrever. Como seria a minha vida se eu fosse assim? Não poder ler a Bíblia é o pior pesadelo para mim como uma pessoa surda. Como outras pessoas surdas poderão “ouvir” o evangelho sem que elas possam ler ou escrever e falar em linguagem de sinais?
Eu queria escrever uma recomendação ao meu herói, o Rev. T. H. Gallaudet, que frequentou a faculdade de Yale e foi um pastor congregacional. Logo em 1817, Gallaudet conheceu pela primeira vez uma menina surda chamada Alice Cogswell. Ele a tomou no seu colo e lhe mostrou um chapéu; então ele escreveu “c-h-a-p-é-u” no chão enquanto Alice olhava. Ela escreveu c-h-a-p-é-u no chão com a bengala de Gallaudet. Aquele dia e a sua experiência com Alice foi a mais importante em sua vida. O pai de Alice, que era um médico, conheceu Gallaudet e chorava porque ele queria que sua filha tivesse uma educação.
Gallaudet decidiu buscar um método de ensinar alunos surdos e ele partiu numa viagem para a Inglaterra. Não tendo sido bem-acolhido ali pela escola “oral”, ele se encaminhou à França onde encontrou a primeira escola para os surdos. O diretor ali o introduziu ao professor dos surdos, Laurent Clerc, e aconteceu que esta escola cedeu e mandou o primeiro professor de surdos para os Estados Unidos, Laurent Clerc. Enquanto estavam no navio, Gallaudet e Clerc se tornaram amigos próximos. Ambos ensinaram um ao outro a Linguagem de Sinais Americana e a Francesa.
Ao chegarem na América, eles estabeleceram a primeira escola americana para os Surdos e então educaram Alice Cogswell e muitas outras crianças que eram surdas ou tinham problemas de audição. Outras escolas para surdos se estabeleceram pelos Estados Unidos. No Kentucky, onde me formei na escola para os Surdos em Danville, um homem chamado John Jacob cavalgou de Kentucky até Connecticut para ser treinado sob Laurent Clerc, a fim de que pudesse voltar para casa e educar crianças surdas na sua região. Isso mudou a maneira como vivemos hoje. Eu sou grato pelo resultado desses esforços. Hoje, os surdos podem ler e escrever, e eu posso ler a Bíblia, conhecer melhor a Deus e desenvolver o meu relacionamento pessoal com Jesus Cristo por meio da leitura. Hoje eu sou um pastor de uma congregação surda e nós compartilhamos a mesma linguagem, a Língua de Sinais Americana, assim como a mesma cultura. Nós somos um grupo bem unido e eu sou abençoado por poder gozar da minha vida tanto quanto as demais pessoas de hoje.
Eu recomendo que você compre os livros que Gallaudet escreveu para as crianças. A sua compaixão pelas crianças era demonstrada pelo seu desejo de que Cristo fosse conhecido por elas.

Pastor Jeremiah Ziehr
Green River Area Deaf Fellowship
Owensboro, Kentucky

Uma Palavra à Criança que estará Lendo esse Livro
Certa vez, um menino pequeno, que vivia numa cidade grande, saiu andando para tão longe de sua casa que não conseguiu mais encontrar o caminho de volta. Ao sair de casa, ele havia desobedecido o seu pai, que lhe tinha dito para não passar da porta de sua casa. No início, ele estava tão encantado com as coisas novas que ele estava vendo, que ele nem pensou que estava indo tão longe, ou no que iria dizer ao seu pai quando voltasse. Mas, aos poucos, ele foi ficando cansado, e se sentou no degrau de uma casa para descansar. Ele olhou ao seu redor e notou que estava num lugar desconhecido. Ele nunca havia estado ali antes. Todas aquelas casas eram novas para ele, e a rua parecia bem diferente da que ele morava. Era uma estrada longa; e ao olhar para o fim dela, e ao lembrar também que ele havia vindo por muitas outras ruas, e virado em muitas esquinas antes de chegar nessa rua, ele começou a pensar que a casa de seu pai deveria estar já bem longe, e que ele nunca mais acharia o seu caminho de volta para casa.
Ele pensou, também, em como ele havia sido mau por ter desobedecido a seu pai, e que foi isso que tinha causado todo o seu problema. Isso lhe fez sentir ainda mais triste. Ele teria desistido de todos os brinquedos bonitos que tinha, se ele pudesse somente estar de volta em sua casa, como antes, uma criança bem-humorada e alegre na porta da casa do seu pai.
A noite estava se aproximando, e o pobre menino, à medida que escurecia, começou a ficar muito assustado. Ele havia tentado, por algum tempo, prestar bem atenção em todos que passavam pela rua, para ver se achava alguém conhecido, ou pelo menos, alguém que conhecesse pelo nome, com quem pudesse falar e pedir ajuda.
Mas todos os que passaram eram estranhos, e ninguém parou para notar o menino. E porque deveriam? Eles não sabiam que ele estava perdido; pois ele continuava só sentado no degrau, triste e quieto, sem dizer uma palavra.
Ficou ainda mais escuro, e ele mal podia ver os rostos das pessoas que passavam por ele. Ele pensou que talvez ele iria ter que passar a noite na rua, e as lágrimas começaram a rolar pelas suas bochechas. Ele caiu nos prantos, e finalmente chorou bem alto.
Muitas das pessoas que passaram devem ter ouvido o menino chorar, mas elas não pararam para perguntar qual era o problema. Alguns estavam pensando tanto em si mesmos e em seus próprios afazeres, que eles não tinham tempo para parar e mostrar bondade ao pobre menino que chorava. Outros pensaram que os pais deveriam cuidar melhor de seus próprios filhos, e se os pais não cuidam, os filhos deveriam mesmo sofrer; - enquanto outros imaginaram que o menino morava na casa em cujo degrau estava sentado, ou pelo menos na vizinhança, e que os seus amigos logo apareceriam para cuidar dele.
Coitado do menino! Ele teria ficado sentado e chorando ali por muito tempo se um senhor bondoso que passava, e que amava criancinhas, não tivesse parado e perguntado por que ele estava tão triste.
O menino contou tudo o que acontecera a esse senhor, e não escondeu que tinha desobedecido o seu pai. Ele realmente estava arrependido por ter sido culpado de desobediência. Ele contou que ele estava arrependido, e o senhor ficou com tanta pena dele, e ficou contente de ver que ele estava sentindo sua culpa, que ele perguntou seu nome, e o nome de seu pai, e então falou para o menino que andaria com ele e o levaria de volta para casa em segurança.
Que amigo tão bondoso, e que alegria este pequenino sentiu quando ele entrou novamente na casa do seu pai, e se encontrou de novo nos braços dos seus pais queridos!
Como você se sentiria, minha querida criança, se você tivesse passado por uma situação dessa? – Você teria ficado bem agradecido à pessoa bondosa que teve todo o trabalho de levá-lo de volta para casa? Você estaria realmente arrependido de sua desobediência, e teria confessado ela a seu pai, e pedido o seu perdão, e resolvido nunca mais fazer isso de novo? – Você teria ficado bem alegre de se encontrar de novo seguro em sua casa, mais uma vez de baixo do cuidado de um pai e de uma mãe amorosos?
Você alguma vez já parou para pensar que você tem andado bem longe do seu pai, – do seu Pai Celestial – do Deus que lhe criou, e que tem feito tanto por você, e que tem sido mais bondoso para você do que qualquer pai ou mãe nessa terra pode ser?
Toda vez que você erra e faz o mal, você tem desobedecido a Deus, e tem agido como aquele pobre menino, se afastando dEle. Talvez você nunca viu o perigo em que você se encontra por estar tão longe de Deus. As pessoas más, ao fugirem de Deus, estão indo cada vez para mais longe do Céu, aquele lugar tão bonito e alegre onde os que chegam lá estão muito mais felizes do que os mais felizes meninos e meninas podem estar nas casas de seus pais aqui na terra.
Você está andando para longe daquela casa maravilhosa, que está acima do céu azul, onde todos são perfeitamente bons e felizes, e para onde o seu Pai no Céu deseja que você vá depois que você morrer?  Você continua indo cada vez mais longe desse Pai Celeste, que está te chamando para voltar para ele, e que mandou o seu Filho para te mostrar o caminho de volta, se você concordar em simplesmente deixar ele te guiar?
Sim, Jesus Cristo é como aquele bondoso senhor que levou o menininho perdido de volta para a sua casa. Ele vai segurar a sua mão com amor, e lhe levar de volta para Deus. Você sente que precisa de um amigo tão bondoso como esse? Você vai deixar que ele cuide de você? Você vai ser guiado por ele até o seu Pai Celeste? Você vai chegar assim a Deus e confessar os seus pecados, pedindo que Ele perdoe os seus pecados por amor a Cristo, e orando para que o Espírito Santo lhe ajude a fazer tudo isso?
Foi para lhe mostrar como é importante que você se sinta assim, e faça isso, que Deus lhe deu a Bíblia. Eu sei que você gosta de ler outros livros, especialmente se eles contam histórias interessantes. Você estava interessado, não estava, na história que eu acabei de lhe contar sobre o menininho perdido? Você também estava interessado quando eu tentei te explicar como essa história pode te levar a pensar em Deus, e no que você deve fazer para tê-lO como seu amigo eterno? Pois bem, você se interessaria por esse livrinho, se eu lhe disser que todas as suas histórias são tiradas da Bíblia? E enquanto eu lhe contar essas histórias verdadeiras da Bíblia, e as explicar de uma maneira que faça bem para você, e te leve a amar a Deus, a confiar em Cristo e a estar preparado a ir à casa do seu Pai Celeste no Céu, quando você vier a morrer, você vai me ouvir? Eu espero que sim, e que Deus me ajude a escrever, e ajude a você a ler, de tal modo que esse livrinho possa te conduzir a amar a Bíblia mais do que você amava antes.
Lembre-se que quanto mais você lê e entende a Bíblia, mais você vai se tornar sábio, e quanto mais você ama e obedece a Bíblia, melhor e mais feliz você vai ser. Ore e peça a Deus todos os dias que Ele lhe dê o seu Espírito Santo para que você possa então ler, entender, amar e obedecer o melhor de todos os livros, que Ele deu para lhe mostrar o caminho para o Céu.