“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Um Pequeno Herói da Reforma


Nesse dia em que comemoramos os 500 anos da Reforma, queremos compartilhar com nossos leitores essa pequena, mas preciosa biografia, escrita em forma de lições para as crianças, por Richard Newton*, o querido pregador e escritor das crianças no século XIX.  Embora no seu volume "Heróis da Reforma", ele tenha escrito também sobre os reformadores e teólogos mais famosos, a biografia desse jovem rei nos chamou a atenção porque ela responde a pergunta: "Como mesmo uma criança pode contribuir para o reino de Deus e para uma obra tão grande como a Reforma?", e a resposta está, pela graça de Deus, ao alcance de todos aqueles amam a Deus e a sua Palavra, que reconhecem que são chamados por Deus e obedecem a esse chamado; e que buscam servir ao próximo fazendo todo o bem que puderem. 




Eduardo VI,  O Pequeno Herói da Reforma




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 Ao falar dos bons homens que ajudaram a abençoada obra da Reforma na Inglaterra, nós não devemos esquecer de Eduardo VI, o jovem rei que sucedeu Henrique VIII. Ele é um dos personagens mais interessantes de que trataremos nessa obra. O nosso Salvador disse a Pedro quando ele estava na terra, "O que eu faço, não podereis entender agora, mas depois entenderás". Essas palavras se aplicam a muitas coisas. E a morte prematura desse jovem rei é uma delas. Nós não podemos entender agora por que ele morreu tão novo, mas quando chegarmos no céu nós vamos aprender muito mais sobre isso. 

Há três coisas sobre esse rei jovem e bom sobre as quais desejamos falar.

1. O Rei Eduardo era piedoso desde pequeno. Ele era o filho do famoso rei Henrique VIII, e nasceu no ano de 1537. A sua mãe morreu logo após o seu nascimento. Seu pai foi muito cuidadoso com a sua educação, e quando seu filho tinha apenas seis anos de idade, ele selecionou dois homens muito excelentes, um nobre piedoso e um fiel ministro do evangelho, para serem os seus professores. Esses bons senhores fizeram tudo o que puderam para que ele fosse bem educado. E eles descobriram que o menino era desejoso de aprender, e tão pronto a tirar proveito dos seus estudos, que antes de completar nove anos de idade ele já sabia escrever muito bem. Muitas cartas e redações escritas por ele nessa época, em Latim e Francês, foram preservadas, e estão guardadas no Museu Britânico como curiosidades. 

O bom arcebispo Cranmer também era um dos instrutores do pequeno príncipe. Então nós vemos que ele teve todas as vantagens possíveis de se ter. Mas, melhor do que tudo, o Senhor mesmo era o seu professor, e "quem ensina como ele?" Foi ele quem chamou Samuel quando ainda era um menino, para ser seu servo. E foi esse mesmo gracioso Deus que chamou esse jovem príncipe para conhecê-lo e Servi-lo, quando ele era tão novinho quanto Samuel. E como Samuel, ele ouviu o chamado de Deus e obedeceu. Que todos os meus pequenos amigos que lêem essa história possam ser chamados da mesma maneira, e como Samuel e o jovem príncipe Eduardo, que eles possam obedecer o chamado!



2. O Rei Eduardo amava a Bíblia. Ele mostrou esse amor de várias maneiras. Uma destas era lendo a Bíblia diligentemente. Outra era pelo seu desejo de entendê-la à medida que lia. Mas o melhor de tudo, ele mostrou o seu amor pela Bíblia tentando obedecer os seus ensinamentos, e viver da maneira que ela nos ensina a viver. 

Conta-se de dois incidentes interessantes sobre o rei Eduardo, que mostram quão grande era seu amor e reverência pela Bíblia. Um desses é ilustrado pela gravura ao lado. Certo dia, o pequeno príncipe estava na biblioteca. Ele desejava pegar algo de uma prateleira alta, que ele não conseguia alcançar. Havia um livro grosso sobre a mesa. Um dos seus servos pegou o livro e o colocou no chão para que o menino subisse nele. Eduardo viu que o livro era uma Bíblia. Ele a levantou do chão e a colocou reverentemente sobre a mesa novamente, e então, pondo suas mãos sobre ela, disse muito seriamente, "Esse é o abençoado livro de Deus. Não é certo que pisemos sob os nossos pés aquilo que Ele nos deu para entesouramos em nossas mentes e corações". 

O outro incidente está conectado com a sua coroação, ou o ato em que ele foi tornado rei. Em países que têm reis essa é sempre uma grande ocasião. O pai de Eduardo morreu quando este tinha apenas dez anos de idade. E nessa tenra idade Eduardo foi feito rei. Uma grande procissão se formou para aquela ocasião. Três espadas foram trazidas para serem carregadas diante dele nessa procissão. Elas representavam os três reinos: Inglaterra, Irlanda e Escócia. Eduardo disse que queria ainda outra espada, que era a Bíblia ou a espada do Espírito. E ele insistiu que se carregasse a Bíblia juntamente com aquelas três espadas, para mostrar que era da Palavra de Deus que ele derivava sua autoridade como rei. 


3. O bom Rei Eduardo morreu. Ele reinou apenas seis anos. Ele morreu aos 16 anos de idade de um ataque de Sarampo. Mas naquele pouco tempo ele fez muito de bom. Ele fez com que as Escrituras circulassem em todo o país. 36 diferentes edições da Bíblia inteira ou do Novo Testamento foram impressas e vendidas durante o seu reinado. Além dessas, porções da Bíblia e outros bons livros foram espalhados por toda parte em grande quantidade.  As imagens foram removidas das igrejas, e as leis conhecidas como os "Estatutos Sanguinários" foram repelidas. E então ele estabeleceu e doou dinheiro para sustentar hospitais para os doentes, e escolas para os pobres, que existem até hoje, e que por centenas de anos tem feito um imenso bem para centenas e milhares de pessoas. 

Vamos então tentar seguir o exemplo desse jovem rei: amando a Deus, amando a Sua Palavra e fazendo todo o bem que pudermos.



* Richard Newton (1813-1887) nasceu na Inglaterra, mas viveu grande parte de sua vida nos Estados Unidos, onde estudou e se tornou pregador do Evangelho e reitor de várias instituiçoes. Ele era muito bem sucedido em preparar sermões para crianças e se tornou famoso por suas contribuições para a literatura juvenil. Charles Spurgeon se referia ao Dr. Newton como "O Príncipe dos Pregadores para os Jovens". Dentre seus escritos, muitos dos quais foram traduzidos para dezenas de idiomas, estão Rills from the Fountain of Life, Bible Jewels, Nature's Wonders, The King in His Beauty, The King's Highway e The Life of Jesus Christ for the Young. O presente texto foi extraído da obra Heroes of the Reformation: Life Changing Lessons for the Young, com a permissão de Solid Ground Christian Books.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

OS PEQUENOS SERVOS DA PEQUENA SUSY – POR ELIZABETH PRENTISS – PARTE X


Esta série de postagens que se encerra aqui consiste na tradução de um clássico infantil favorito, escrito pela autora Elizabeth Prentiss, e intitulado, no inglês, de “Little Susy’s Little Servants”.
A autora americana, herdeira do movimento Puritano, viveu na Nova Inglaterra entre os anos de 1818 e 1878, e é autora do conhecido hino: “Mais amor por Ti” (“More Love to Thee”) e da obra “Pisando em Direção ao Céu” (“Stepping Havenward”), dentre vários outros títulos. Os seus escritos, embora tenham sido publicados e grandemente divulgados já em sua própria época, ganharam renomada popularidade no final do século XX.
Elizabeth era uma dentre os oito filhos do Ministro Edward Payson, tendo sido criada desde cedo nos caminhos da fé protestante. Desde a idade de dezesseis anos ela já contribuía com escritos em um periódico voltado para a juventude: “The Youth’s Companion”. Ela fundou, em 1838, uma escola para meninas em sua própria casa, e dois anos depois partiu para o estado da Virgina, para ser dirigente de departamento de uma escola para meninas.
Ela casou-se, em 1845, com George Lewis Prentiss, um ministro Presbiteriano, com o qual teve seis filhos, dois dos quais faleceram ainda na infância.
Embora tenha tido uma saúde frágil e delicada, Elizabeth Prentiss faleceu com a idade de 59 anos e o seu hino “Mais Amor por Ti” foi cantado no seu funeral. Após a sua morte, o seu esposo editou e publicou um livro composto por várias das suas cartas “Vida e Cartas de Elizabeth Prentiss” (“The Life and Letters of Elizabeth Prentiss”), o qual continua em publicação e, segundo as suas próprias palavras, extraídas do prefácio desta obra, ela diz: “Muito da minha experiência de vida tem me custado um alto preço, e eu desejo utilizá-la para o fortalecimento e conforto de outras almas.”

Nesta obra para crianças, nós vemos a pequena Susy crescer e se transformar, de um pequeno bebê em uma pequena mocinha de cinco anos de idade, enquanto os seus ajudantes aprendem a brincar, a se ocupar com diversas atividades e a fazer coisas para ajudar os outros. Às vezes, eles também lhe metem em problemas! Mas durante este percurso, a pequena Susy aprende a ser gentil, a servir aos outros e, mais importante de tudo, a amar e servir a Deus com todo o seu coração.    

(P.s.: Ainda não leu os capítulos anteriores? Clique aqui!)


CAPÍTULO X

“Pois as mãos ociosas são oficina de Satanás.”
(Isaac watts)


–Susy, querida, você não está se sentindo bem? –Perguntou a sua mãe, ao vê-la sentada ociosamente no carpete do quarto.
–Sim, mamãe, eu me sinto bem, mas eu não sei o que fazer. Eu gostaria que você me dissesse o que fazer.
–Bem, você poderia descer e ir descascar umas ervilhas para mim –disse a sua mãe.
–Ah, mas eu não quero descascar ervilhas, eu descasquei uma saca inteira ontem.
–Ora, não foi uma saca não –disse a babá–, acho que nem passou de um copo!
–Então você pode segurar a meada do fio de seda que estou tecendo.
–Eu não quero trabalhar, eu quero brincar –disse a Susy.
Foi então que uma voz chamou a sua mãe para descer e receber visitas, e a Susy continuou sentada ali no chão, com um humor não muito bom.
–Ora essa, eu só queria ter algo para fazer! –disse ela–, será que o Robbie serviria como uma boneca? Eu acho que eu vou tentar fazer isso!
Então ela engatinhou de fininho para o canto do quarto onde o Robbie estava sentado, brincando com os seus blocos e onde ela estava fora das vistas da babá, e começou a desabotoar a sua roupa.
Aos poucos, e ao julgar, pelo silêncio, que alguma coisa errada estava acontecendo, a babá se levantou e foi olhar. E ali estava Robbie, sem nenhuma roupa, enquanto a Susy tentava esmagar o seu braço para caber na camisola de uma das suas bonecas. O paciente companheirinho segurava o seu bloquinho firmemente com uma das mãos, como se este fosse o seu consolo no momento do seu sofrimento, pois ele realmente pensou que tinha feito alguma coisa errada e estava tendo que ir para a cama.
–Muito bem feito! –disse a babá– Deixa só eu chamar a sua mãe para ver o que você está fazendo, espera só!
A Susy pulou e agarrou a babá pelas suas roupas.
–Você não precisa chamar a mamãe! O Robbie é a minha boneca, e eu vou colocá-lo para dormir, não é Robbie?
A resposta da babá foi somente a de apanhá-lo em seu colo e beijá-lo.
–Eu sei muito bem que ele lhe deixaria até mesmo cortar o seu pescoço, se você o quisesse! –disse ela– A Susy está sendo levada e a sua mãe vai lhe dar uma palmada.
–“Susy nanada, mamãe balmada!” –repetiu o Robbie, mostrando a ela, com as suas mãozinhas, o que a sua mãe faria.
–Se você tivesse sido boazinha e descido naquela hora para descascar as ervilhas –disse a babá–, você não teria entrado em confusão. Onde está a outra meia do Robbie? Está bem no braço da sua boneca, né? Vai buscá-la para mim agora mesmo! E onde está a sua blusa? Ele vai morrer de frio se ficar sentado aqui sem nenhuma roupa. Bem, vamos ver o que a sua mãe vai dizer!
A esta altura, a Susy estava convencida de que tinha feito algo muito ruim. Então ela desceu de mansinho e começou a descascar as ervilhas o mais rápido que podia. Os seus pensamentos corriam a mil em sua cabecinha.
“Eu acho que a mamãe não vai se importar tanto assim... eu só estava brincando... e eu vou descascar um monte de ervilhas para ela... eu queria saber onde foi que eu coloquei a camisa do Robbie. Eu acho que eu a deixei debaixo da cama. Mas se ele não a vestir, ele vai pegar um resfriado”. Os seus dedinhos ocupados pararam rapidamente e ela escorregou da sua cadeira e lá se foram as ervilhas, rolando para todos os lados, por todo o chão da cozinha.
–Seria bom se você tivesse ficado lá em cima, onde é o seu lugar –disse a babá–. Vê como você desperdiçou as ervilhas? Se eu fosse a sua mãe, eu não lhe daria nenhuma para o seu almoço.
–Eu vou juntá-las –disse a Susy–, e foi a mamãe que disse que eu podia vir descascá-las. Ela parecia estar tão preocupada e arrependida que a Sara disse que estava tudo bem, e que talvez seis ervilhas não fosse uma perda muito grande. Então Susy subiu novamente para o quarto a fim de procurar a camisa que ela tinha perdido.
–Mas se esta não é a camisa do Robbie pendurada no seu bolso! –disse a babá– Eu confesso que nunca vi uma menina como esta! Só espere até a sua mãe ouvir sobre tudo isso!
Ao falar com uma voz zangada, a Susy viu um ligeiro sorriso no canto da sua boca que alegrou bastante o seu coraçãozinho desconsolado. 
–Eu não fiz de propósito! –disse ela–, é que eu não tinha nada para fazer! Mas eu nunca mais farei isso, nem nos próximos mil anos! Você não vai me perdoar?
–Ó, sim, eu vou lhe perdoar sim. E além disso, eu vou lhe ensinar um hino que fala sobre mãos desocupadas. Ele diz assim:

Oh, como a abelhinha trabalha!
Pois todo momento aproveita
Pra todos os dias o mel coletar,
De cada florzinha que abre!

Oh, quão habilmente constrói a cela,
E perfeitamente espalha a cera!
E como trabalha para estocar
A doce comida que faz.

Em obras da lida ou de aptidão
Eu quero também me ocupar
Pois sei que as mãos ociosas são
Como oficina pro diabo usar.

Que em livros, trabalho e saudável brincar
meus primeiros anos se gastem,
Pra que por cada dia eu possa prestar
Boas contas no dia final.


(Isaac Watts)

terça-feira, 5 de abril de 2016

OS PEQUENOS SERVOS DA PEQUENA SUSY - ELIZABETH PRENTISS - PARTE IX

CAPÍTULO IX

Certo dia, Susy, a sua mãe e Robbie estavam sentados, sozinhos, no quarto do bebê. A Susy estava sentada no canto do quarto, brincando com os seus brinquedos, enquanto o Ribbie estava sentado no colo da sua mãe. De vez em quando, ele levantava a sua mão para afagar as suas bochechas ou para brincar com os seus cabelos. O seu pezinho branco e descalço estava aninhado em sua mão, e mais de uma vez, ela se curvou para beijá-lo. Depois de um tempo, a Susy se levantou se pôs de pé junto a eles:
­–Você ama muito ao Robbie, não é, mamãe?
–Sim, querida, muito. E eu amo a minha pequena Susy do mesmo modo.
–Mas você não gostaria de beijar o meu pezinho –disse a Susy.
–Ei costumava beijá-lo quando eles eram pezinhos de bebês, e não estavam cobertos com um sapato. Mas seria até engraçado de mim seu eu tirasse o seu sapato e meia para beijá-lo, quando há uma bochecha redonda e fofinha bem aqui, à minha disposição.
A Susy sorriu, e ao se ajoelhar, ela tomou os pezinhos do Robbie em suas mãos, os beijou, os apoiou em seu pescoço e bochechas e falou com eles como se fossem uma boneca.
–Alguém disse que as mãos do Robbie são mais brancas que as minhas –disse ela.
–Isso não é nada –disse a sua mãe– A questão não é se as mãos da Susy são mais brancas, e sim se elas fazem o que podem fazer para Deus.
–Elas são muito grandes para fazer qualquer coisa para Deus –disse a Susy com uma voz de pesar.
–De modo nenhum! De fato, Jesus disse que aquele que der um copo de água fria em Seu nome, isto é, por causa Dele, não perderá a sua recompensa. E eu estou certa de que você fazer isso muito bem. Além disso, todas as vezes que você junta os brinquedos do Robbie para dar a ele, você está fazendo algo para Deus.
A Susy parecia confusa.
–Se você não entende como isso pode ser verdade, somente acredite porque a sua mãe está lhe dizendo, e aos poucos, quando você crescer um pouco mais, você vai entender. Deus vê todas as coisas que você faz, e quando você deixa a sua própria brincadeira para fazer um pequeno favor ao Robbie, ou para o papai , ou para qualquer um de nós, Deus se agrada disso. Quando eu estava beijando os pés e as mãos do Robbie, agora a pouco, eu estava orando a Deus que os mantenha sempre puros e que o ensine desde bem cedo, a trabalhar para Ele. Eu fiz a mesma coisa com você, quando você era uma bebezinha, e até hoje eu continuo orando por você todos os dias.
A Susy ficou contente em ouvir isso, e começou a pensar no que ela podia fazer. Nesse momento, o seu pai entrou no quarto, se sentindo muito cansado, e esperando encontrar a sua mãe disponível para massagear e pentear a sua cabeça.
            –O Robbie não está bem? –ele perguntou.
            –Não muito bem –disse a sua mãe–. Eu estou tentando mantê-lo quieto, esperando que ele durma. Mas eu ainda tenho uma mão para massagear a sua cabeça, se você achar que será suficiente.
            –Ó, deixe-me massagear a cabeça do papai! –disse a Susy, com uma voz alegre–. Deite-se no sofá, papai, e eu lhe massagearei!  
            Então o seu pai se jogou no chão, e a Susy empurrou uma cadeira para junto da cômoda, a fim de alcançar o pente e a escova que ali se encontravam, e embora ela puxasse e embaraçasse todo o seu cabelo, o seu papai lhe deixou trabalhar em sua pobre cabeça até que o Robbie caísse no sono e a sua mãe pudesse vir ao seu resgate. A Susy se sentiu muito contente, e ela cochichou para a sua mãe:
            –Eu te amo, mamãe querida, e eu gosto de Deus também.
Ela se sentiu docemente feliz, e ao olhar em volta dela para ver se tinha mais alguma coisa que ela pudesse fazer, ela viu uma mosca no rosto do Robbie. Ela prontamente correu e a espantou para longe.
–Mas que mosquinha! Você pensa que pode ter o rosto do Robbie para o seu jantar? –disse ela–. De modo nenhum! Eu vou ficar sentada aqui, lhe espantando. E você pode ir pra casa e dizer à sua mãe que tem uma enorme gigante aqui, chamada de Susy, sentada ao lado do berço, e que você está com medo de vir provar o rosto do Robbie!
A mosca, ao ouvir isso, voou para longe, e a Susy ficou sentada ali, tão quietinha, que logo caiu em um sono pesado. Então, a sua mãe veio de fininho, e enfiou um travesseiro debaixo da sua cabeça, colocou um pequeno cobertor por cima dela e deixou que ela gozasse de um doce sono.


terça-feira, 8 de março de 2016

OS PEQUENOS SERVOS DA PEQUENA SUSY - DE ELIZABETH PRENTISS - PARTE VIII

CAPÍTULO VIII

–Mamãe! –disse a Susy um dia, quando eles estavam andando de volta para casa, da igreja– Tem uma menininha na minha classe da escola dominical que me ama muito. Ela sempre segura na minha mão e a abraça.
A sua mãe sorriu e disse:
–Bom, então eu espero que você a tenha abraçado de volta.
–Eu fiquei com medo –disse a Susy.
–Então eu ouso dizer que aquela menininha ficou desapontada. Você deveria ter demonstrado a ela que você é grata pelo amor que ela lhe tem.
–Eu só virei a minha cabeça, assim –disse a Susy.
–Em vez disso, você deveria ter sorrido e olhado para ela com carinho, como que dizendo a ela que você gosta que ela lhe ame, e que você a ama também.
A Susy olhou para baixo e sorriu:
–Eu fiquei com medo –ela disse novamente.
Elas andaram juntamente, em silêncio, por algum tempo. Afinal, Susy praticamente se esqueceu do que elas estavam conversando e começou a pensar em quão agradável estava o dia, e o quão doce e fresco estava o ar e como era bom andar juntamente com os seus queridos pais e enquanto ela pensava em tudo isso ela segurou a mãe da sua mãe ainda mais firme e amorosamente. A sua mãe, no entanto, não se apercebeu disso e virou a sua cabeça para o outro lado.
A Susy se sentiu magoada. “A mamãe não me ama nem um pouco”, ela pensou para si mesma, e estava para largar a sua mão.
A sua mãe olhou para ela, sorriu, e disse brincando:
–Ah, eu senti o seu amoroso aperto na minha mão, mas fiquei com medo de retorná-lo a você.
A Susy sorriu também. Ela nunca esqueceu desta pequena lição e ela lhe foi muito útil durante toda a sua vida.
As crianças deveriam não somente aprender a observar pequenos gestos de amor, mas também a ser gratos por eles.
–Mamãe, eu fui uma boa menina na igreja hoje? –Disse a Susy, quando eles chegam em casa.
–Sim, você se comportou até bem. Mas eu preciso lhe contar sobre um pobre menininho, cuja vida você irá ler, quando você crescer mais um pouco.
Quando alguém lhe perguntou se haviam muitas crianças na sua classe da escola dominical, ele disse: “Eu não sei, pois quando eu estou ali, eu nunca ouso olhar para os lados.”
–Agora as suas mãozinhas se comportaram bem na igreja, e os seus pezinhos também. Mas eu penso que os seus olhos e ouvidos não se comportaram tão bem assim.
–Os meus olhos realmente estavam olhando muito para todos os lados –disse a Susy–, mas os meus ouvidos não podiam estar fazendo nada de mal.
–Podiam sim, querida Susy, se elas não estavam ouvindo com atenção ao que estava sendo dito. Elas ouviram alguma coisa da pregação?
–Não, mamãe, eu estava ocupada, pensando. Eu estava pensando nas minhas bonecas.
–Mas nós não vamos à igreja para pensar em bonecas, nós vamos para adorar a Deus e ouvir mais sobre Ele.
–Os adultos não têm nenhuma boneca –disse a Susy.
–Mas eles têm outras coisas que eles gostam muito também. E logo que eles chegam na igreja, eles precisam pedir a Deus que lhes ajude a não pensar em coisa alguma senão Nele mesmo, e a ouvirem o que está sendo dito. Pois a Bíblia fala daquelas pessoas que, tendo ouvidos, não ouvem, e eu não quero que a minha pequena Susy seja uma delas.
A Susy, então, subiu as escadas e foi ao quarto do bebê, onde ela encontrou o Robbie dormindo em seu berço. Ela foi até ele e, colocando a sua boca perto do seu ouvido, gritou:
–Robbie, Robbie!
O Robbie abriu os seus olhos, virou-se na cama e sorriu.
–Mas que menina danada! –Disse a babá–, acordando o seu irmãozinho desse jeito. Eu vou contar para a sua mãe e ela lhe punirá muito bem.
–Eu não queria acordá-lo –disse a Susy–, eu só queria saber se ele é um daqueles que tendo ouvidos, não ouve. Mas pelo jeito ele não é assim, pois ele acorda tão facilmente.
–Eu contarei logo para a sua mãe. Agora ele vai ficar todo irritado! Eu finalmente tinha acabado de colocá-lo para dormir. Isso é tão mal!
A Susy ficou bem confusa ao ver o que ela tinha feito. Ela correu lá para baixo e contou tudo para a sua mãe.
–Eu estava sendo levada, mamãe?

–Sim, eu acho que você estava. Pois você sabe quantas vezes eu já lhe disse para não fazer barulho algum quando o Robbie está dormindo. E também é errado usar as palavras santas de Deus em brincadeira.
A Susy suspirou.
–Que coisa! –disse ela– primeiro as minhas orelhas foram levadas, e depois a minha língua. Mas elas se arrependem disso, mamãe.
A sua mãe a beijou e lhe disse para ir lá para cima entreter o Robbie, já que ela havia feito com que ele perdesse o seu cochilo da tarde. Então a Susy foi e disse, com voz agradável, à babá:
–Eu vim “treter” o Robbie, já que eu o acordei.
A babá sorriu e disse:

–Bem, você até que é boazinha quando não está sendo levada!