“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Ano Novo: O Valor do Tempo - Por Elizabeth Julia Hasell

Prezados leitores,

Neste fim de ano, o nosso coração se enche de gratidão e louvores a Deus por toda a Sua bondade e imensos favores derramados a nós neste ano que agora se finda. Tantas são as bênçãos que não se pode contar ou medir, apenas agradecer. Dificuldades e tristezas certamente nos foram enviadas também, mas especialmente nelas Deus tem sido a nossa fortaleza, abrigo, conforto e Amigo sempre perto. 

Igreja, família e amigos que nos cercam, de perto ou de longe, também merecem nossos sinceros agradecimentos. Cada um de seus gestos de amor, auxílio e encorajamento fazem com que a nossa jornada nesta vida seja adornada pela graça e misericórdia que provém do Senhor e se expande entre os que são Seus.

Com isto em mente, e lembrando-nos de que ambos os anos que se finda e o que está se iniciando agora foram concedidos a nós pela boa mão, cuidado e providência do Senhor, traduzimos este trecho da antiga autora Elizabeth Julia Hasell para nos lembrar de quão precioso é o tempo que Ele nos dá. 


"O tempo é curto." (1 Cor. 7:29) - Por Elizabeth Julia Hasell (1830-1887)


Para o cristão, o quão valioso é o tempo! E Deus o concedeu a nós, apenas minutos após minutos, para nos mostrar que preciosa dádiva Ele nos permite ter nestas pequenas gotas. Quão breve o tempo se acaba! Quão curta é a mais longa vida! Entretanto, o tempo nos é dado para nos prepararmos para a eternidade. Do mesmo modo como gastamos o nosso tempo neste mundo, assim também passaremos a eternidade. Pois a questão “onde eu passarei a eternidade?” deve ser decidida neste tempo, visto que, quando ela se iniciar, então já será tarde demais.

O tempo nos é dado para que sirvamos ao Senhor nele. O tempo nos é dado para nos arrependermos e para crermos no evangelho. O tempo nos é dado para que façamos o nosso dever em nossa própria localidade e estação. O tempo nos é dado para que façamos bem aos outros. Contudo, quanto tempo é desperdiçado! Fofocas e conversas vãs de casa em casa, atenção demasiada ao vestuário, ao invés da ordem e pureza, leituras e prazeres vãos, tantas coisas nos fazem desperdiçar um tempo tão precioso!

Mas há uma ideia específica que eu gostaria que você tivesse, um só pensamento que eu confio que o Santo Espírito pode escrever nos seus corações, e eu oro para que Ele o conserve nos seus corações também, pois Satanás e o mundo gostariam que pensássemos exatamente o contrário. E esta ideia que eu repito: o tempo nos é dado para que nos preparemos para a eternidade. Eu sou responsável e terei de prestar contas a Deus pelo meu uso ou pelo meu abuso do tempo que Ele me concede.


Oremos a Deus para que nos dê a graça de gastarmos o nosso tempo em Seu serviço, e de fazermos o nosso dever em nosso próprio dia e geração, bem como em nos preparar para a vida que ainda virá. Então, quando o tempo finalmente se esgotar, adentraremos em uma gloriosa eternidade por meio de Cristo, o nosso Senhor. O ímpio e o descuidado então desejarão, quando todo desejo será em vão, que eles tivessem, desta maneira, devotado o seu precioso tempo para Deus. O que pecadores não dariam, ao final, por um só curto dia! Ó, então, eu lhe imploro, seja sábio agora. Seja sábio neste tempo. Considere os seus caminhos e se prepare para uma vida que nunca cessará!     


"Eu creio que até mesmo o melhor dos santos de Deus, ao contemplar de perto uma vasta eternidade, terá de lamentar qualquer distância que tiveram de Deus ao longo da sua caminhada: lamentará não tê-Lo tido em todos os seus pensamentos, como um Deus presente, sempre às suas vistas. Lamentará não ter tido os seus olhos sempre cheios Dele, vendo-O e reconhecendo-O em tudo. Pois Ele está em tudo, possamos nós vê-Lo ou não. Ó, o saber que Ele é nosso, e que nós somos Dele! Ó, o achegarmos nós a Ele, em fé, e contar a Ele tudo o que está em nossos corações, conscientes de que temos o ouvido e o coração do próprio Jeová voltado para nós em nossas aflições... não é isto a mais substancial e verdadeira felicidade?" Mary Winslow (1774 - 1854)

E pensando neste nosso amor a Cristo e em como ensiná-lo às nossas crianças, concluiremos este ano de 2018 com mais este trecho do conhecido bispo anglicano J. C. Ryle, já citado várias vezes neste blog, comentando sobre a seguinte passagem do último capítulo do Evangelho de João:



João 21:15-17

“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. 
Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas.
Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.”

O amor a Cristo é o ponto em que nós especialmente precisamos focalizar ao ensinarmos as nossas crianças sobre religião. A verdade de que Ele nos amou ao ponto de morte, e de que eles devem amá-Lo em virtude disso, é algo que vai ao encontro daquilo que as suas pequenas mentes podem muito bem conceber e crer.

O amor a Cristo é o ponto de encontro comum entre os crentes de qualquer ramo da Igreja de Cristo na Terra. Ambos Episcopais ou Presbiterianos, Batistas ou Independentes, Calvinistas ou Arminianos, Metodistas e Moravianos, Luteranos e Reformados, Estabelecidos ou livres, ao menos neste ponto estão de acordo. Sobre formas e cerimônias, sobre a forma de governo da Igreja e estilos de culto eles podem diferir bastante. Mas neste ponto específico, eles estão unidos. Todos têm o mesmo sentimento em comum em relação Àquele em quem toda a sua esperança de salvação está construída. Eles amam ao Senhor Jesus Cristo com sinceridade (Ef. 6:24). Alguns deles talvez sejam ignorantes quanto à teologia sistemática e possam argumentar muito pouco em defesa do que crêem. Mas eles todos sabem o que sentem com relação Àquele que morreu pelos seus pecados.

“Eu não posso falar muito por Cristo”, disse uma senhora cristã idosa e de pouca escolaridade, “mas se eu não posso falar por Ele, eu posso, sim, morrer por Ele!”

O amor a Cristo será a marca distintiva de todas as almas salvas no céu. A multidão que homem algum pode enumerar terá uma só mente. Antigas diferenças se unirão em um sentimento comum. Antigas peculiaridades, que na terra foram firmemente disputadas, serão então encobertas por um senso comum de débito a Cristo. Lutero e Zwinglio não mais diferirão. Wesley e Toplady não mais gastarão tempo em controvérsias. Líderes religiosos e seus dissidentes não mais devorarão uns aos outros. Todos se encontrarão unidos em uma só voz e coração, cantando o conhecido hino de louvor: "Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados,e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a Ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!" (Apoc. 1:5-6)

* Elizabeth Julia Hassel nasceu em uma rica família que residia próximo a Penrith, na Inglaterra. Ela foi educada em casa e aprendeu sozinha o Latim, Grego, Espanhol e Português. Ela era uma especialista em literatura clássica e contemporânea e publicou numerosos artigos e resenhas, mas ela também estudou teologia extensivamente e escrever grande número de obras teológicas.
Além do estudo e da escrita, Elizabeth promoveu a educação e o bem-estar geral do distrito em que vivia, frequentemente caminhando grandes distâncias, através dos montes, a fim de ensinar nas escolas destes vilarejos ou de proferir discursos. Esta prática provavelmente lhe trouxe a um falecimento precoce; no seu desejo de fazer o bem a uma população extensa e muito espalhada geograficamente, ela muitas vezes ignorou o seu cansaço e sofreu uma frequente exposição à chuva e ao frio.
Ela escreveu várias obras devocionais, incluindo: The Rock: And Other Short Lectures on Passages of Holy Scripture (1867), de onde a devocional acima foi extraída; Short Family Prayers (1884); e Bible Partings (1883). Na primeira obra, ela expressa o seu desejo sobre o que escreveu da seguinte maneira: "As seguintes páginas, sobre temas sagrados, foram escritos para a minha própria classe de jovens mulheres. Que este volume possa falar aos pobres, aos doentes, e aos que experimentam sofrimentos ou que não possuem muito tempo para leituras devocionais".   


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Uma Reflexão sobre o Novo Ano - por Frans Bakker

A Longanimidade de Deus

Uma Reflexão sobre o Novo Ano



“Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la. Porque está ela ainda ocupando inutilmente a terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la.”
Lucas 13:8

A figueira sem frutos mencionada por Jesus no evangelho de Lucas, no capítulo 13, é uma ilustração de qualquer indivíduo no seu estado natural. Um justo veredito é pronunciado contra esta árvore em razão dela não produzir fruto algum. A realidade é que ela deve ser cortada e descartada.
Mas a figueira recebe um intercessor na pessoa do jardineiro. Este mantenedor da vinha pede ao dono da mesma para dar a ele mais um ano. Ele gostaria de tentar cuidar dela por mais um ano para ver se ela produzirá fruto. “Deixe-a por mais este ano somente, até que eu escave ao seu redor e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, poderá ser cortada”.

Aqui nós vemos o nosso próprio retrato, pois muitos de nós nos parecemos com esta figueira. Esta árvore representa você e eu. Ah, se nós pudéssemos enxergar isto! No ano que se passou não houveram quaisquer frutos visíveis! O dono da vinha vem olhar e não vê fruto algum. Você foi colocado na vinha do Senhor para produzir frutos, mas onde eles estão? Será que você produziu apenas folhas? Graciosamente, foi permitido a você que adentrasse um novo ano. Mas poderia você culpar a Deus se Ele não lhe houvesse permitido chegar até aqui?
Certamente, você não pode dizer coisa alguma se a árvore da sua vida for cortada fora. Examine a si mesmo e pergunte: Será que eu produzi frutos que glorificassem a Deus no ano que agora se passou? Considere o quanto você deve a Deus e examine a extensão do seu foco no Senhor neste ano que se passou. Deus merece e requer os seus frutos. A árvore da sua vida está plantada na vinha de Deus, e Ele não lhe faz injustiça alguma quando lhe pede por frutos. Embora os frutos estejam faltando, Deus ainda demanda justamente a sua colheita.
Considerando tudo isto, não é um milagre lhe ter sido permitido adentrar este novo ano? Você não deveria se humilhar ao ver que Deus ainda não desistiu de você? Não apenas você falhou em produzir bons frutos, mas você ainda produziu frutos contaminados e podres. Contudo, não obstante tudo isso, o nosso Senhor é longânimo e diz: “Senhor, deixe-a ainda este ano...”. O Senhor não retém a sua bondade, apesar de você não deixar de pecar.
Mas lembre-se de que um julgamento adiado não significa um julgamento cancelado. Se a figueira não gerar fruto algum, então o jardineiro dirá ao dono: “Se vier a dar fruto, bem está; se não mandarás cortá-la.” O sopro final da trombeta soará e “no lugar onde a árvore cair, ali ficará”. No entanto, até agora, nós ainda somos exemplos da longanimidade de Deus. O Senhor ainda nos suporta. Ele suporta as nossas faltas, nos apoia ou levanta quando caímos e até nos carrega de volta. Ele adia o seu julgamento. Você merecia julgamento, mas este ainda não foi levado a efeito.
Ainda há tempo.

Deus adia o julgamento a fim de que Ele possa cancelá-lo! Um novo ano é também um tempo de graça e de misericórdia. E o que você fará, pessoalmente, com este tempo precioso que Ele lhe concede? Bata, chame e busque antes que seja tarde demais. O tempo é valioso e há poucas oportunidades sobrando para responder ao chamado de Deus. O Senhor não tem prazer na sua morte, mas deseja, antes, que você venha a remir o tempo que Ele concedeu tão misericordiosamente a você.
Que este ano venha a ser um ano genuinamente novo para você. Que bênção seria se a sua vida tivesse um real recomeço neste ano! A sua vida não pode continuar a mesma. Ela precisa ser mudada e transformada. Você precisa ser convertido!
Do mesmo modo, se você já é um filho de Deus, não é por causa dos seus próprios merecimentos que você adentra este novo ano. É apenas porque o Senhor lhe tem carregado em seus ombros e sustentado dia após dia. É apenas por causa da oração do Grande Intercessor que está assentado à destra de Deus. Se há qualquer fruto na sua árvore, ele não foi produzido por você, mas somente em Cristo e por meio de Cristo (Oséias 14:8).

Ao iniciar um novo ano, a minha oração é que isto faça com que você seja profundamente dependente Daquele que sustenta todas as coisas. A sua velha natureza está contra você. O que você virá a oferecer ao Senhor com uma mão, primeiro precisa ser concedido a você, por Ele, pela outra mão. Como isso deve nos humilhar, pois não possuímos ou produzimos nada de acordo com os nossos próprios labores. Nesta vida, tudo vem do Pai.
Bem-aventurados os pobres de espírito, pois serão fartos e se tornarão ricos!   



*Texto traduzido e adaptado da obra "The Everlasting Word", de Frans Bakker (1919-1965), da editora Reformation Heritage Books.   
  


terça-feira, 24 de outubro de 2017

A FLOR DA SALVAÇÃO



Como Podemos Rememorar a Reforma com as Crianças?


Nesses dias especiais em que lembramos dos 500 anos da Reforma Protestante, muitos de nós, pais, pastores e professores estamos pensando em como podemos ensinar nossas crianças sobre a importância daquele evento e seu significado para nós hoje e o que nossos filhos precisam aprender para compreender e valorizar a herança que os reformadores nos deixaram.

Estudando a História da Igreja

Uma das maneiras de fazer isso é estudar com eles  a História da Igreja - e sugiro que deveríamos tê-la como parte do seu currículo escolar desde cedo, seja na escola cristã, escola dominical ou no lar, para que possam entender as maneiras como Deus tem conduzido a sua igreja desde os tempos do Antigo e Novo Testamento, passando pelos pais da igreja e cristãos medievais, a fim de que o significado da Reforma seja compreendido em seu contexto e o impacto das verdades redescobertas ali seja ressaltado à medida que a criança ou jovem entende também as trevas, a corrupção e a cegueira que dominava a igreja medieval. Elas devem então estudar os pré-reformadores, a vida e a obra de cada reformador, e a herança reformada nos países protestantes, e aprender a valorizar e aplicar a verdade bíblica também para a época, lugar e contexto em que vive.

Estudando as Doutrinas Reformadas


Outra abordagem importante é explicar para as crianças as principais doutrinas ou ensinos que a Reforma redescobriu. Uma das doutrinas centrais da Reforma, sobre a qual havia unanimidade entre os reformadores, era a doutrina da salvação. “Como Podemos Ser Salvos?” é realmente a pergunta mais importante da religião e que somente a Bíblia responde satisfatoriamente. Para crianças menores, você pode começar explicando os 5 “Solas” da Reforma: Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solus Christus, e Soli Deo Gloria são doutrinas que explicam também como somos salvos. A Igreja Católica ensinava que nós podemos cooperar com Deus na nossa salvação, seja comprando perdão, fazendo boas obras, castigando a nós mesmos, conseguindo o favor do papa ou orando a santos. Os reformadores nos ensinaram que o caminho da salvação é encontrado somente na Bíblia (Sola Scriptura),  que a salvação não é comprada, mas é um presente da graça de Deus (Sola Gratia), que está somente em Cristo e que na cruz Ele fez tudo o que era necessário para salvar todo o seu povo (Solus Christus)  e que recebemos o dom da salvação somente pela fé nEle (Sola Fide) e assim, por que a Salvação é de Deus somente, toda a glória pertence a Ele (Soli Deo Gloria).

O Acrônimo TULIP


Mas há ainda um outro recurso que tem ajudado a igreja a lembrar e a compreender melhor essa importante doutrina da salvação redescoberta pelos reformadores. Trata-se do acrônimo TULIP. Vou lhes contar um pouco sobre a sua história, o que ele significa, e como ele pode nos ajudar no ensino das crianças:

Breve História dos Cinco Pontos do Calvinismo


Alguns anos depois da Reforma, um professor holandês chamado Jacó Armínio começou a ensinar coisas erradas sobre a salvação, que no fundo eram bem parecidas com os erros da igreja católica, pois ele dizia que o homem não é tão mau e pecador como a Bíblia diz, que ele pode fazer coisas para merecer a salvação, que ele pode escolher ou rejeitar a salvação, que é possível perder a salvação e outros erros. Cerca de 100 anos após a eclosão da reforma, em 1610, um ano após a morte de Armínio, os seus seguidores resumiram o ensino arminiano em cinco artigos que usaram para protestar contra a doutrina da salvação pregada na igreja reformada holandesa. Eles queriam que a Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg, que eram símbolos de fé reformados, fossem mudados para se conformarem ao ensino arminiano.


Por isso, em 1618 se convocou um sínodo nacional conhecido como o Sínodo de Dort, em que cerca de cem teólogos holandeses e de vários países reformados europeus se reuniram para examinar o ensino arminiano a luz das Escrituras. Durante seis meses foram realizadas 154 reuniões, em que eles estudaram e rejeitaram o ensino de Armínio como contrário às Escrituras e rebateram cada um desses erros com 5 verdades bíblicas sobre a Salvação, que explicam a nossa situação de pecado e a maneira como somos salvos, conforme ensinaram Lutero, Calvino e outros reformadores, os quais, embora divergissem aqui e ali em uma ou outra doutrina, eram unânimes em sua fé na doutrina bíblica da soberania de Deus e da inabilidade do homem na salvação.

Como a Tulipa pode Nos Ajudar?


Em inglês, essas 5 verdades ou pontos podem ser facilmente lembrados pelo acrônimo TULIP, cada letra nos lembrando de uma dessas verdades que a Bíblia ensina. Tulip é, em inglês, o nome de uma bela flor, muito cultivada na Holanda, que muitas vezes é desenhada com 5 pétalas (na verdade ela tem três pétalas e 3 sépalas que se parecem tanto com pétalas que a tulipa parece ter 6 pétalas). Assim, cada letra do seu nome nos lembra desses 5 pontos importantes que devemos compreender muito bem porque nos farão apreciar muito mais a bondade, a misericórdia e o poder de Deus em nos salvar.

Infelizmente no Português esses termos não se encaixam bem com as letras da Palavra Tulipa, então o jeito é aprendermos em inglês mesmo! Fizemos o poema abaixo especialmente para ajudar seus filhos a compreender essas verdades - e de quebra ainda aprenderão mais algumas palavras em inglês! Experimente também reforçar com atividades como: ler em voz alta, fazer um cartaz com o acrônimo, ilustrar cada ponto em um carta, recitar um jogral ou mesmo memorizar ou musicalizar esse poema! Indicaremos mais sugestões de atividades no final dessa postagem.  Vamos lá!



A Flor da Salvação 


A tulipa é uma flor que me ensina uma lição 
Suas cinco belas pétalas tem a ver com a salvação
Cada letra me ensina que não importa o que eu faça 
Salvo sou pois Deus me amou, não por obras, mas por graça.

T- Total Depravity (Depravação Total)
T é de total - De total depravação 
Quer dizer que sou tão mau- Pois sou um filho de Adão
Cada parte do meu ser está suja e corrompida 
Estou morto em meus pecados, sem vontade e sem vida.

U- Unconditional Election (Eleição Incondicional)
U e de "un" - que equivale ao nosso "in-"
De incondicional - assim foi minha eleição
Quer dizer que Deus me amou, nada dependeu de mim. 
Nada fiz pra merecer Seu amor e seu perdão.

L- Limited Atonement (Expiação Limitada)
L é de Limitada- Limitada expiação 
Quer dizer que não são todos os que alcançarão perdão 
Mas eu sei que estou seguro, Cristo não morreu em vão
Limitado é o número, mas não minha salvação.

I- Irresistible Call (Chamado Irresistível)
I é de irresistível - mesmo estando eu na lama
Deus me ama e me escolhe, e a quem escolhe, ele chama
Com o poder do seu Espírito ele muda o coração
Já não quero e não posso resistir ou dizer não.

P- Perseverance of the Saints (Perseverança dos Santos)
P é a perseverança - dos santos ou cristãos 
Quer dizer que eu jamais vou perder a salvação 
Todos os que são amados, eleitos e chamados 
Até chegar no céu, vão ser por Deus guardados.

Já sei o que significa - seja tulip ou tulipa 
É a flor da salvação - e como ela é bonita!
Como a Bíblia ensinou e explicou João Calvino
É a doutrina reformada do bondoso amor divino. 

                                                                                                      - K. Davis

É importante lembrar que esses cinco pontos são todos interligados e na verdade formam apenas uma única doutrina da Salvação. O teólogo J. I. Packer a resumiu em três palavras muito simples: "Deus Salva Pecadores". Assim, devemos tentar ver como essa doutrina é uma só:  

1- (Depravação Total) Nós somos pecadores totalmente perdidos e incapazes de fazer qualquer coisa pela nossa salvação. Nossa mente, nossa vontade e coração estão mortos para as coisas de Deus e nunca poderíamos ser salvos se não fosse por iniciativa e poder divinos. Por isso reconhecemos com gratidão que:

2- (Eleição Incondicional) Deus é soberano na salvação e escolhe aqueles que salva sem mérito algum de nossa parte, e não porque prevê que uns serão melhores ou terão mais fé que outros. Ora, se Ele escolhe alguns para salvação, segue-se que:

3- (Expiação Limitada) Cristo não morreu por todos os homens, apenas oferecendo uma possibilidade de salvação para alguns que vierem a crer (podemos comparar a doutrina arminiana a uma ponte muito larga, mas incompleta), mas Ele morreu apenas pelos eleitos, a quem salva de verdade e completamente (compare a uma ponte estreita, mas que leva até o outro lado do rio); o limite está no número dos eleitos, mas não no poder de Cristo, que salva completamente os eleitos. E como Deus os salva?

4- (Chamado Irresistível) Deus dá nova vida ao pecador pela obra regeneradora do Espírito Santo no seu coração, que lhe chama de entre os mortos de uma maneira poderosa e irresistível pela Palavra e lhe dá o desejo e a capacidade de ter fé e de obedecer a Palavra de Cristo. E, com o mesmo poder que Deus chama o pecador à vida e à fé em Cristo, Ele o sustenta, de modo que:

5- (Perseverança dos Santos) Aqueles a quem Deus escolhe, e chama, e dá nova vida, fé e o desejo de viver para a glória dEle, a esses Ele promete sustentar pelo seu poder a fim de que perseverem na graça de Deus até o fim, de modo que jamais podem perder a sua salvação.

* Para quem deseja estudar melhor o significado de cada termo, indicamos o livro Calvinismo, de Paulo Anglada, disponível na loja da Knox Publicações.



Sugestões de Atividades Complementares: 


Para todas as Idades:

Responda:

- O que a Bíblia ensina sobre a Salvação?

- O que Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espirito Santo fazem na nossa salvação?

- Por que o ensino bíblico sobre a salvação é precioso e belo? 

Para Crianças Pequenas: 

- Recite o poema

- Ilustre cada seção do poema

- Copie o acrônimo Tulip com os termos em Inglês e a tradução para o português

- Pesquise mais sobre a Tulipa (número de pétalas, cores, tamanho, como plantar, etc.)

- Pesquise mais sobre a Holanda e sua relação com a Reforma - e com as tulipas!

- Aprenda a desenhar uma tulipa. Você pode escolher um dos modelos abaixo:





Para Crianças Mais Velhas:

- Pesquise mais sobre a história dos 5 pontos do Calvinismo e sobre o Sínodo de Dort e compartilhe com sua família ou classe o que aprendeu.

- Elabore um quadro comparativo mostrando os 5 pontos do Arminianismo versus os 5 pontos do Calvinismo.

- Pesquise pelo menos um (ou mais) textos bíblicos que comprovem cada ponto do acrônimo Tulip.

- Pesquise sobre a Vida de João Calvino e escreva um breve texto com sua biografia.

- Explique oralmente ou em uma redação como os 5 pontos do Calvinismo formam uma única doutrina da salvação.

- Pesquise mais sobre a Igreja Reformada Holandesa e sobre os símbolos de fé adotados por ela.

- Se familiarize com os Cânones de Dort, e leia porções dele sobre um dos 5 pontos do Calvinismo.