“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

terça-feira, 26 de março de 2013

A Mãe no Lar – Apresentação do Livro

A Mãe no Lar*- John S. C. Abbot
“Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua. Atende ao bom andamento de sua casa...”. Provérbios 31:26-27

Nota da Capa:
A Mãe no Lar apareceu primeiramente em 1833 como um livreto publicado pela Sociedade Americana de Panfletos e se tornou uma das mais estimadas obra do século XIX sobre a arte de ser mãe e a glória da obra da mãe no lar. Ele enuncia e ilustra certos princípios básicos do dever da mãe em criar seus filhos “no temor e na admoestação do Senhor”. Seu sucesso imediato o levou a escrever um companheiro para este volume, voltado para a criança, “A Criança no Lar”.
A Mãe no Lar enfatiza a grande importância de criar filhos sob os olhos de Deus, sempre conscientes de Sua presença e submissos à Sua Palavra – as Escrituras Sagradas. Essa citação extraída do último capítulo do livro mostra a importância tremenda que o autor coloca sobre o cuidado maternal das crianças:
Aquela que foi a primeira na transgressão, ainda será o principal instrumento terreno na restauração. Outros fatores podem ajudar grandemente. Outras influências podem estar prontas para receber a mente que vem das mãos da mãe, e levá-la adiante em seu desenvolvimento. Mas as mães de nossa raça devem ser os maiores instrumentos na sua redenção... Ó, mães! Reflitam sobre o poder que o seu criador colocou em suas mãos! Não há influência terrena que possa ser comparada à sua. Não há uma combinação de fatores tão poderosos na promoção da felicidade ou da miséria de nossa raça como as instruções do lar.
 Nós cremos que esse livro será bem-vindo nos lares e nos corações dos pais cristãos de hoje que desejam obedecer ao mandamento bíblico de criar os seus filhos na admoestação do Senhor.
“O objetivo desse livro é utilidade prática, não efeito literário. Ele foi escrito para mães nas situações normais da vida. Existem muitas mães, em todos os vilarejos de nossa terra, que estão buscando avidamente por informação a respeito do governo de seus filhos. Espero que esse tratado possa dar-lhes alguma assistência.” – do Prefácio do Autor

* Traduzido da edição publicada por Hess Publications (1983 Lockes Mill Rd. Berryville,VA 22611 www.hesspublications.com)
Prefácio desta Edição
Esse livro tem provado ter sido proveitoso para um número de mães cristãs que desejaram compartilhá-lo com você. É claro que a primeira responsabilidade de um crente ao ler é comparar, em oração, os princípios do autor com os princípios da Escritura, e rejeitar todos os erros pragmáticos e humanistas. Portanto, esse livro não é apresentado a você como O livro sobre criação de filhos. O Sr. Abbot, como todo homem, sem dúvida tinha também problemas; um dos quais, por causa do período em que vivia, era a tendência de exaltar além da conta o papel da mãe (em detrimento do papel do pai na criação e disciplina das crianças - nota da tradutora). Nós recomendamos que você considere também os direcionamentos bíblicos dados ao pai. Estamos certos que você encontrará nestas páginas muito conselho prático e biblicamente sadio que será uma fonte abundante de convicção e encorajamento no cumprimento da grande responsabilidade dada à “Mãe no Lar”.
Sumário
Capítulo 1: Responsabilidade
Capítulo 2: Autoridade Maternal (Parte 1)
Capítulo 3: Autoridade Maternal (Parte 2)
Capítulo 4: As Dificuldades da Mãe
Capítulo 5: Faltas e Erros
Capítulo 6: Instrução Religiosa (Parte 1)
Capítulo 7: Instrução Religiosa (Parte 2)
Capítulo 8: Frutos da Piedade (Parte 1)
Capítulo 9: Frutos da Piedade (Parte 2)
Capítulo 10: Resultados

Em breve estarei postando o primeiro capítulo. Aguardem!

terça-feira, 19 de março de 2013

Aspectos da natureza da Linguagem - Adaptado do pensamento de G. E. Veith, Jr.


A linguagem é o método principal pelo qual o homem veicula sentidos e, portanto, as habilidades de comunicação linguística são centrais e naturalmente necessárias à interação humana, visto que esta é tão inerente à natureza humana quanto o é a própria linguagem.
No meio protestante, o estudo das línguas e da linguística sempre adquiriu especial valor por razões de ordem natural e religiosa. Bevin (2009, s/p.) apresenta um número de razões para que os cristãos se interessem e se aprofundem no estudo da linguagem ou da linguística, dentre as quais, a autora destaca:
A primeira boa razão para o estudo da linguagem é o fato de que Deus usa a linguagem, tanto oral quanto escrita. Deus usou a linguagem oral para criar (Gn. 1). (...) A criação foi principalmente lingüística. Com exceção do esculpimento do corpo de Adão e do procedimento cirúrgico para criar o de Eva, Deus criou todas as coisas por meio da linguagem. Deus também usa a linguagem escrita; as Escrituras foram dadas na forma escrita, e Deus diretamente escreveu os originais das leis dadas no Sinai (Ex. 31:18). A segunda razão para o estudo da linguagem segue-se do ponto anterior: a informação inspirada sobre Deus encontra-se na forma escrita, e para que se possa compreender ao máximo essas informações, os seres humanos precisam saber não apenas que informação a linguagem está transmitindo, mas também de que forma a linguagem transmite essa informação. (...) Outra razão para o estudo da linguagem [especialmente pelos cristãos] provém do fato de que muitas das críticas ao cristianismo nos séculos vinte e vinte e um (a crítica textual, por exemplo) são baseadas na linguagem. Assim, a refutação efetiva dessas críticas requer o conhecimento de que o que Deus revela pode e deve ser realizado pela linguagem.
Como indica a autora acima, contudo, a linguagem tem sido amplamente estudada e explorada por teóricos pós-modernos com relação às noções de construção e de desconstrução de sentidos, atualmente em voga no meio acadêmico filosófico e linguístico. Segundo estes teóricos, a linguagem é relativa e incapaz de comunicar sentidos fixos, de modo que cada um pode interpretar as palavras de outro do modo que lhe aprouver. Veith, Jr. (1999, p. 58) aborda esta questão do desconstrutivismo da linguagem em sua obra “Tempos Pós-Modernos” e realiza uma comparação entre a linguagem humana e a linguagem divina, ressaltando diversos aspectos delas. Assim, o autor destaca que “enquanto os teóricos seculares presumem que a linguagem seja só um fenômeno humano, os cristãos vão muito mais longe” (idem).
A partir dessa afirmação, o autor passa a destacar os diversos aspectos distintivos da linguagem, fazendo uma comparação entre a linguagem humana e a divina, partindo de diversos textos bíblicos. Alguns desses aspectos e argumentos relacionados pelo autor são os seguintes[1]:
1.    “A linguagem existiu antes dos seres humanos e antes do universo físico.” Segundo o autor, a linguagem é realmente intrínseca ao pensamento e à própria personalidade. O Verbo de Deus é uma parte intrínseca do Seu ser insondável.
2.    Além disso, “a linguagem de Deus criou o mundo.” O universo foi criado, de acordo com o relato de Gênesis, por uma série de atos de fala. Nas palavras de Veith (idem), “a Palavra de Deus deu forma e plenitude à existência.”
3.    “A ordem do universo, a realidade das leis científicas, os códigos do DNA que se assemelham a uma linguagem e a coerência matemática da física, todas têm suas origens na Palavra de Deus.”
4.    “Como Deus, os seres humanos possuem linguagem. Deus é pessoal, capaz de raciocínio e relacionamentos, que são mediados pela linguagem.” (idem, p. 59) O autor afirma que Adão e Eva tinham a capacidade de falar e de se comunicar porque foram criados à imagem de Deus. Assim, a fonte de sua personalidade, incluindo sua capacidade para a linguagem, foi a personalidade e a linguagem de Deus.
5.    “Deus deu aos seres humanos uma certa autonomia de linguagem. Foi permitido que Adão inventasse suas próprias palavras para aquilo que Deus tinha feito: Gn. 2:19-20” . No entanto, a linguagem humana já era diferente da linguagem divina mesmo antes da queda, visto que esta é limitada, especialmente com relação ao poder que as palavras divinas possuem. Depois da queda, a linguagem humana, como todas as demais áreas e elementos da criação, também se corrompeu e se encheu de maldade, de confusão, de desentendimentos e de mal uso. Segundo o autor, “essa distinção entre as palavras do Deus todo-poderoso e as palavras humanas, que são transitórias e arbitrárias, significa que a linguagem humana não é sagrada em si. É provável que seja mutável, limitada e um tanto desajeitada (...)”.
6.    “O diabo usou palavras para seduzir Adão e Eva ao pecado.” Ele inventou mentiras, separando a linguagem da verdade e lançando dúvidas sobre a Palavra de Deus. A partir desse momento, portanto, a linguagem foi se enchendo de maldade, de engano e de desvios intencionais, e tem sido utilizada, até hoje, para rebelar-se contra a Palavra de Deus.
7.     “A pecaminosidade da linguagem humana foi aumentando através da história até que Deus executou um juízo especial contra a própria linguagem: ‘Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar’ (Gn. 11:1)”. O autor argumenta: 
essa unidade humana significava que o potencial para a tirania, a idolatria, e toda espécie de mal só estava aumentando. Quando essas pessoas unificadas começaram a construir para si uma grande cidade com uma torre que alcançasse os céus, Deus interveio: ‘Eis que o povo é um, e todo têm a mesma linguagem. Isso é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer. Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro (Gn. 11: 6-7)’ (VEITH, 1999, p. 60).
8.    “Depois de Babel, a linguagem humana é confusa. Não se pode mais entender plenamente um ao outro.” (idem) Embora a linguagem humana ouse erigir estruturas que alcancem os céus, na realidade, o uso das palavras agora é confuso e não garante mais uma comunicação efetiva e um entendimento claro por parte do ouvinte ou leitor.
9.    “A Palavra de Deus cria e condena, mas redime também. A Palavra de Deus não é apenas infinitamente superior a toda linguagem humana, mas é de ordem completamente diferente”. Assim, o autor continua argumentando que “a Palavra de Deus é Jesus Cristo, a Segunda Pessoa da Trindade.” Desse modo, a linguagem de Deus não consiste apenas em sons cheios de sentido, ou em marcas ou símbolos em uma página. Antes, “é a mente de Deus, o seu próprio ser, seu Filho unigênito que se tornou carne no mundo que Ele próprio tinha feito existir pela Sua fala.” O autor vai ainda mais longe, chegando ao livro de Atos dos Apóstolos e afirmando que “o pentecostes desfez a maldição de Babel quando o dom do espírito Santo capacitou os apóstolos a pregar de forma inteligível aos falantes de muitas línguas (At. 2: 1-12)”. (idem)
10. “Deus continua a operar de maneira poderosa por meio da Sua Palavra”: “...Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb. 4:12).
Desse modo, feitas as devidas considerações, o autor conclui a sua comparação entre a linguagem humana e a divina fazendo uma distinção mais clara entre a abordagem secular e a abordagem cristã com relação à linguagem, dizendo:
Os teóricos pós-modernos estão certos quando enfocam a centralidade da linguagem. Para eles, entretanto, a linguagem é uma prisão, uma criação cultural. Dizem que não existe um logos transcendente, nem sentido fora da linguagem. Presumem que não exista Deus nenhum. (...) Sim, a linguagem humana tem brechas, limites, escorregos. Nossa linguagem é desajeitada; usar palavras para expressar o que queremos dizer é às vezes como tentar enfiar linha numa agulha com luvas nas mãos. Mas a linguagem humana é um sinal, um traço de uma linguagem divina. A linguagem atrapalha por vezes, mas ela também revela. O sentido não é só subjetivo; o próprio mundo exterior é fundamentado sobre a Palavra de Deus, que estabeleceu sua forma e deu-lhe sentido objetivo. Quando estudamos a ciência, nós não estamos apenas inventando modelos mentais, mas estamos, em certo sentido, lendo a linguagem divina que está inscrita no universo. A linguagem não é meramente uma casa de detenção; a linguagem de Deus pode arrebentar de fora para dentro e dar-nos liberdade. (VEITH Jr., 1999, p. 61)
As considerações realizadas acima são não apenas relevantes para uma concepção cristã de língua/gem, mas, em grande parte, até mesmo indispensáveis a ela. Desse modo, o ensino de língua, seja ele realizado em escolas ou em lares genuinamente cristãos deve partir, inevitavelmente, de pressupostos bíblicos como os apresentados acima, sobre os quais se constrói toda a visão e a prática de ensino dessa disciplina.
Que Deus nos capacite a levar nosso pensamento cativo às Escrituras em todas as áreas do nosso pensamento, e especialmente nessa área tão crítica quanto a do ensino de língua, a fim de que nossos futuros agentes da linguagem a utilizem consciente e adequadamente, para a exaltação do Senhor.   



[1] Cf. VEITH, Jr., Gene Edward. Tempos Pós-Modernos. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, pp. 58-61. Enumeração dos argumentos realizada pela autora.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Finalmente! Curso de Inglês Fonético Online!


Eu estava ansiosa para escrever esse post! Se a razão de ser desse blog é, com muitos esforços e limitações, traduzir e disponibilizar em língua portuguesa algum material que é encontrado na língua franca de hoje (o Inglês), vocês podem imaginar que nada poderia ser melhor do que cada aluno ou profissional ter um conhecimento básico da língua inglesa, para ter acesso direto a toda essa riqueza de material que ainda não foi traduzido, e para poder avançar em seus estudos práticos ou acadêmicos cristãos! Eu creio que ter acesso à língua franca de uma época – o grego e o latim no passado, e o inglês, na atualidade - é o segredo que explica porque os reformadores e as grandes mentes do passado puderam avançar tanto em seu conhecimento das Verdades de Deus. E por isso, eu vejo claramente a grande necessidade de alunos e professores brasileiros aprenderem a língua inglesa – de verdade!

Como aluna formada em curso de Inglês, e professora de Inglês para crianças, Já há muito tempo esperava que surgisse um material mais eficiente para o ensino dessa língua estrangeira. Você suspeita, como eu, que existe alguma coisa errada com os cursos de inglês disponíveis na educação elementar, e mesmo nas tão aclamadas escolas de inglês? Você já sentiu que você, seus filhos ou seus alunos passam anos estudando em cursos de inglês, seja na escola primária, seja em escolas especializadas, que focalizam ora a gramática, ora a memorização de vocabulário aleatório, mas não conseguem avançar como esperariam, e progridem muito lentamente, especialmente quando se trata de entender o inglês falado, ou de falar e pronunciar corretamente?

Minha opinião é que isso pode ser um problema com o método de ensino de Inglês como segunda língua. Sabemos que nenhuma criança de dois anos aprende a falar Português sem ter contato com a língua por meio de todos os seus sentidos - vendo, ouvindo, repetindo, apontando, etc., e nenhuma criança em idade pré-escolar aprende a ler e a escrever em Português sem partir do B-A-BA. Se isso é verdade em nossa língua materna, por que esperaríamos que uma segunda língua possa ser aprendida de maneira totalmente diferente?

Por isso, eu recomendo o recém-lançado curso de inglês à distância da A BEKA: “Inglês como Segunda Língua”  produzido pela conhecida A Beka Academy, uma escola cristã norte-americana com sede em Pensacola, na Flórida, e especializada na produção de material impresso e visual-auditivo da maior qualidade para ensino à distância, muito conhecido nos Estados Unidos, os quais tenho pessoalmente testado e aprovado na “homeschool” dos meus filhos. Acho que seria útil para crianças e adultos estudarem em casa, para famílias aprenderem inglês juntos, para grupos de alunos que queiram se reunir uma vez por semana para fazer uma ou mais aulas ou mesmo como um programa completo de inglês para a educação elementar, para ser usado numa sala de aula equipada com uma tela de bom tamanho, e com a presença de um professor que saiba inglês apenas para organizar, supervisionar e auxiliar os alunos que estarão assistindo o curso.

Estes são os principais pontos fortes desse curso que me levam a recomendá-lo:

1-      Ele imerge o aluno ao máximo na língua inglesa, enfatizado a visualização, o ouvir, a fonética, a leitura e a repetição prática.

2-      Ele força o aluno a entender a segunda língua, sem que o aluno possa recorrer constantemente à língua materna para explicações e comandos, pois o professor realmente só fala em Inglês.

3-      Ele tem três níveis, que se adaptam ao seu conhecimento atual e o encaminham até um inglês bem avançado, servindo para crianças e adultos, e se aprofundando a ponto de preparar para exames como o TOEFL.

4-      Ele pode ser feito totalmente à distância: a matrícula, o pagamento, o download dos vídeos e dos materiais escritos são realizados totalmente online. Só o que você precisa é de um computador e internet.

5-      É barato! Cada nível custa $99 dólares para um indivíduo ou $299 para grupos ilimitados de alunos, apropriado para ser usado em salas de aula de escolas ou para um grupo que queira se reunir para fazer o programa.

6-      É um programa cristão, e é raro encontrar um programa de inglês eficiente e cristão: você não precisará se expor a vocabulário de festa de Halloween, ou a letras de músicas não-apropriadas.  A A BEKA não é uma escola de linha doutrinária reformada, mas aí já seria querer demais em Português... Ou quem sabe um dia?

Você pode encontrar mais informações (em português!), assistir a um vídeo de apresentação e ainda ver uma demonstração de uma aula em cada nível no site:



Acredito que vocês não ficarão desapontados com esse curso, e estou ansiosa para ouvir a opinião de indivíduos ou de escolas brasileiras que começarem a descobrir e a usar esse material!
Karis B. G. Anglada Davis.

A Imaginação cristã - Leland Ryken


Acredito que uma das obras atuais mais relevantes sobre o assunto de Literatura por uma visão cristã-reformada é a obra A Imaginação Cristã, de Leland Ryken, mesmo autor de Santos no Mundo, e pai de Phillip Ryken, ministro que assumiu o púlpito do falecido James Montgomery Boice, o qual também possui muitas obras em diversas áreas da teologia e do pensamento reformado. Leland Ryken é professor de inglês do Wheaton College em Illinois, EUA. Ele tem contribuído com numerosas obras sobre o estudo da literatura clássica pela perspectiva cristã. Ele foi também o contribuinte de conteúdos literários para a versão Bíblica de Estudo English Stand Version, publicada pela Crossway Bibles em 2001. Ryken é também autor das obras “Como Ler a Bíblia como Literatura” (How to Read the Bible as Literature) e “Palavras de Deleite: Uma Introdução Literária à Bíblia” (Words of Delight: A Literary Introduction to the Bible).

A Imaginação Cristã é, na realidade, uma coleção de ensaios e artigos sobre Literatura e Arte por uma série de autores cristãos, e editorados por Ryken. A obra contém vários capítulos escritos pelo editor, mas conta também com ensaios por Gene Edward Veith Jr., Francis Schaeffer, Luci Shaw, T. S. Eliot, Susan Bower, Flannery O’Connor e outros, e contém ainda reflexões de J. R. R. Tolkien, C. S. Lewis, dentre outros. A obra é dividida em dez Partes principais, cada Parte contendo de três a sete capítulos ou artigos. Relacionarei abaixo o nome de cada Parte:

Parte 1: Uma Filosofia Cristã da Literatura
Parte 2: Imaginação, Beleza e Criatividade
Parte 3: Ensinar e se Deleitar
Parte 4: O Escritor Cristão
Parte 5: O Leitor Cristão
Parte 6: Estado da Arte: Sucesso e Fracasso na Ficção e Poesia Cristã Atual
Parte 7: Realismo/Realidade
Parte 8: Mito e Fantasia
Parte 9: Poesia
Parte 10: Narração

Como os títulos relacionados acima indicam, A Imaginação Cristã é uma verdadeira preciosidade para todos aqueles (autores ou leitores) que se interessam por literatura e desejam vê-la pelos óculos das Escrituras e dos seus princípios. Visto, portanto, que a obra se encontra em língua Inglesa e ainda não possui tradução para o Português, minha intenção é começar uma série de postagens referentes a cada capítulo desta obra, resumindo os pontos principais de cada artigo, traduzindo e disponibilizando aqui certos trechos e citações significativas ao público cristão brasileiro.

Na próxima postagem, me concentrarei no primeiro capítulo da primeira Parte, intitulado: “A Poética Cristã, Passado e Presente” por Donald T. Williams. Aguardem!   

P.S.: Para os interessados em adquirir a obra original em língua Inglesa, aqui vai o link da loja virtual da Amazon: http://www.amazon.com/Christian-Imagination-Practice-Literature-Writing/dp/0877881235

O Livro da Queda do Homem para Crianças - Introdução

O Livro da Queda do Homem para Crianças - Introdução
The Child's Book on the Fall of Man (Paperback) ~ Thomas H. Gall... Cover ArtCom ilustrações e notas práticas*


Thomas H. Gallaudet

Conteúdo do Livro:
Introdução:
-Apresentação de Capa do Autor e do Livro
- Testemunho Pessoal de um Pastor Surdo
- Uma Palavra à Criança
História 1- A Permissão
História 2- A Proibição
História 3- A Penalidade
História 4- O Tentador
História 5- A Tentação
História 6- A Queda
História 7- O Remorso
História 8- As Desculpas
História 9- A Maldição
História 10- A Sentença

Apresentação de Capa do Autor e do Livro
Thomas Hopkins Gallaudet (1787-1851), educador norte-americano de surdos, nasceu na Filadélfia, Pensilvânia, e formou-se no Seminário Teológico de Andover. Ele buscou nas escolas da Inglaterra e da França métodos de educação para os surdos, e fundou em 1817, em Hartford, Connecticut, a primeira escola livre desse tipo nos Estados Unidos. Ele era também interessado em muitas outras filantropias. Durante a sua vida ele publicou extensivamente. Entre suas obras estão Histórias Bíblicas para os Jovens, O Livro da Alma para Crianças, O Livro de Teologia Natural para Crianças, e outras obras similares. Ele também editou seis volumes dos Anais para os Surdos e Excepcionais.
“Cadastre o nome de Gallaudet entre os escritores mais talentosos e atrativos no departamento que ocupava: falar para as mentes e corações das crianças e dos jovens.” – Dr. Heman Humphrey
“Os livros do Sr. Gallaudet exibem sua habilidade impressionante de trazer os assuntos mais abstratos para o alcance da mente mais fraca e pequena.” – Dr. Henry Bernard
“O campo da miséria humana, que alguns visitam por um senso de dever, ele tinha prazer em explorar, e nunca parecia tão alegre quanto quando investigava esquemas para aliviar os sofridos e levantar os caídos.” – Rev. Horace Hooker
* Traduzido da Edição publicada por Solid Ground Christian Books (Junho 2005)
2090 Columbian Rd, Suite 2000
Birmingham, AL 35216
205-443-0311
sgcb@charter.net

Prefácio: Um Tributo a Thomas H. Gallaudet
Imagine o mundo de alguém que não pode ler e escrever. Como seria a minha vida se eu fosse assim? Não poder ler a Bíblia é o pior pesadelo para mim como uma pessoa surda. Como outras pessoas surdas poderão “ouvir” o evangelho sem que elas possam ler ou escrever e falar em linguagem de sinais?
Eu queria escrever uma recomendação ao meu herói, o Rev. T. H. Gallaudet, que frequentou a faculdade de Yale e foi um pastor congregacional. Logo em 1817, Gallaudet conheceu pela primeira vez uma menina surda chamada Alice Cogswell. Ele a tomou no seu colo e lhe mostrou um chapéu; então ele escreveu “c-h-a-p-é-u” no chão enquanto Alice olhava. Ela escreveu c-h-a-p-é-u no chão com a bengala de Gallaudet. Aquele dia e a sua experiência com Alice foi a mais importante em sua vida. O pai de Alice, que era um médico, conheceu Gallaudet e chorava porque ele queria que sua filha tivesse uma educação.
Gallaudet decidiu buscar um método de ensinar alunos surdos e ele partiu numa viagem para a Inglaterra. Não tendo sido bem-acolhido ali pela escola “oral”, ele se encaminhou à França onde encontrou a primeira escola para os surdos. O diretor ali o introduziu ao professor dos surdos, Laurent Clerc, e aconteceu que esta escola cedeu e mandou o primeiro professor de surdos para os Estados Unidos, Laurent Clerc. Enquanto estavam no navio, Gallaudet e Clerc se tornaram amigos próximos. Ambos ensinaram um ao outro a Linguagem de Sinais Americana e a Francesa.
Ao chegarem na América, eles estabeleceram a primeira escola americana para os Surdos e então educaram Alice Cogswell e muitas outras crianças que eram surdas ou tinham problemas de audição. Outras escolas para surdos se estabeleceram pelos Estados Unidos. No Kentucky, onde me formei na escola para os Surdos em Danville, um homem chamado John Jacob cavalgou de Kentucky até Connecticut para ser treinado sob Laurent Clerc, a fim de que pudesse voltar para casa e educar crianças surdas na sua região. Isso mudou a maneira como vivemos hoje. Eu sou grato pelo resultado desses esforços. Hoje, os surdos podem ler e escrever, e eu posso ler a Bíblia, conhecer melhor a Deus e desenvolver o meu relacionamento pessoal com Jesus Cristo por meio da leitura. Hoje eu sou um pastor de uma congregação surda e nós compartilhamos a mesma linguagem, a Língua de Sinais Americana, assim como a mesma cultura. Nós somos um grupo bem unido e eu sou abençoado por poder gozar da minha vida tanto quanto as demais pessoas de hoje.
Eu recomendo que você compre os livros que Gallaudet escreveu para as crianças. A sua compaixão pelas crianças era demonstrada pelo seu desejo de que Cristo fosse conhecido por elas.

Pastor Jeremiah Ziehr
Green River Area Deaf Fellowship
Owensboro, Kentucky

Uma Palavra à Criança que estará Lendo esse Livro
Certa vez, um menino pequeno, que vivia numa cidade grande, saiu andando para tão longe de sua casa que não conseguiu mais encontrar o caminho de volta. Ao sair de casa, ele havia desobedecido o seu pai, que lhe tinha dito para não passar da porta de sua casa. No início, ele estava tão encantado com as coisas novas que ele estava vendo, que ele nem pensou que estava indo tão longe, ou no que iria dizer ao seu pai quando voltasse. Mas, aos poucos, ele foi ficando cansado, e se sentou no degrau de uma casa para descansar. Ele olhou ao seu redor e notou que estava num lugar desconhecido. Ele nunca havia estado ali antes. Todas aquelas casas eram novas para ele, e a rua parecia bem diferente da que ele morava. Era uma estrada longa; e ao olhar para o fim dela, e ao lembrar também que ele havia vindo por muitas outras ruas, e virado em muitas esquinas antes de chegar nessa rua, ele começou a pensar que a casa de seu pai deveria estar já bem longe, e que ele nunca mais acharia o seu caminho de volta para casa.
Ele pensou, também, em como ele havia sido mau por ter desobedecido a seu pai, e que foi isso que tinha causado todo o seu problema. Isso lhe fez sentir ainda mais triste. Ele teria desistido de todos os brinquedos bonitos que tinha, se ele pudesse somente estar de volta em sua casa, como antes, uma criança bem-humorada e alegre na porta da casa do seu pai.
A noite estava se aproximando, e o pobre menino, à medida que escurecia, começou a ficar muito assustado. Ele havia tentado, por algum tempo, prestar bem atenção em todos que passavam pela rua, para ver se achava alguém conhecido, ou pelo menos, alguém que conhecesse pelo nome, com quem pudesse falar e pedir ajuda.
Mas todos os que passaram eram estranhos, e ninguém parou para notar o menino. E porque deveriam? Eles não sabiam que ele estava perdido; pois ele continuava só sentado no degrau, triste e quieto, sem dizer uma palavra.
Ficou ainda mais escuro, e ele mal podia ver os rostos das pessoas que passavam por ele. Ele pensou que talvez ele iria ter que passar a noite na rua, e as lágrimas começaram a rolar pelas suas bochechas. Ele caiu nos prantos, e finalmente chorou bem alto.
Muitas das pessoas que passaram devem ter ouvido o menino chorar, mas elas não pararam para perguntar qual era o problema. Alguns estavam pensando tanto em si mesmos e em seus próprios afazeres, que eles não tinham tempo para parar e mostrar bondade ao pobre menino que chorava. Outros pensaram que os pais deveriam cuidar melhor de seus próprios filhos, e se os pais não cuidam, os filhos deveriam mesmo sofrer; - enquanto outros imaginaram que o menino morava na casa em cujo degrau estava sentado, ou pelo menos na vizinhança, e que os seus amigos logo apareceriam para cuidar dele.
Coitado do menino! Ele teria ficado sentado e chorando ali por muito tempo se um senhor bondoso que passava, e que amava criancinhas, não tivesse parado e perguntado por que ele estava tão triste.
O menino contou tudo o que acontecera a esse senhor, e não escondeu que tinha desobedecido o seu pai. Ele realmente estava arrependido por ter sido culpado de desobediência. Ele contou que ele estava arrependido, e o senhor ficou com tanta pena dele, e ficou contente de ver que ele estava sentindo sua culpa, que ele perguntou seu nome, e o nome de seu pai, e então falou para o menino que andaria com ele e o levaria de volta para casa em segurança.
Que amigo tão bondoso, e que alegria este pequenino sentiu quando ele entrou novamente na casa do seu pai, e se encontrou de novo nos braços dos seus pais queridos!
Como você se sentiria, minha querida criança, se você tivesse passado por uma situação dessa? – Você teria ficado bem agradecido à pessoa bondosa que teve todo o trabalho de levá-lo de volta para casa? Você estaria realmente arrependido de sua desobediência, e teria confessado ela a seu pai, e pedido o seu perdão, e resolvido nunca mais fazer isso de novo? – Você teria ficado bem alegre de se encontrar de novo seguro em sua casa, mais uma vez de baixo do cuidado de um pai e de uma mãe amorosos?
Você alguma vez já parou para pensar que você tem andado bem longe do seu pai, – do seu Pai Celestial – do Deus que lhe criou, e que tem feito tanto por você, e que tem sido mais bondoso para você do que qualquer pai ou mãe nessa terra pode ser?
Toda vez que você erra e faz o mal, você tem desobedecido a Deus, e tem agido como aquele pobre menino, se afastando dEle. Talvez você nunca viu o perigo em que você se encontra por estar tão longe de Deus. As pessoas más, ao fugirem de Deus, estão indo cada vez para mais longe do Céu, aquele lugar tão bonito e alegre onde os que chegam lá estão muito mais felizes do que os mais felizes meninos e meninas podem estar nas casas de seus pais aqui na terra.
Você está andando para longe daquela casa maravilhosa, que está acima do céu azul, onde todos são perfeitamente bons e felizes, e para onde o seu Pai no Céu deseja que você vá depois que você morrer?  Você continua indo cada vez mais longe desse Pai Celeste, que está te chamando para voltar para ele, e que mandou o seu Filho para te mostrar o caminho de volta, se você concordar em simplesmente deixar ele te guiar?
Sim, Jesus Cristo é como aquele bondoso senhor que levou o menininho perdido de volta para a sua casa. Ele vai segurar a sua mão com amor, e lhe levar de volta para Deus. Você sente que precisa de um amigo tão bondoso como esse? Você vai deixar que ele cuide de você? Você vai ser guiado por ele até o seu Pai Celeste? Você vai chegar assim a Deus e confessar os seus pecados, pedindo que Ele perdoe os seus pecados por amor a Cristo, e orando para que o Espírito Santo lhe ajude a fazer tudo isso?
Foi para lhe mostrar como é importante que você se sinta assim, e faça isso, que Deus lhe deu a Bíblia. Eu sei que você gosta de ler outros livros, especialmente se eles contam histórias interessantes. Você estava interessado, não estava, na história que eu acabei de lhe contar sobre o menininho perdido? Você também estava interessado quando eu tentei te explicar como essa história pode te levar a pensar em Deus, e no que você deve fazer para tê-lO como seu amigo eterno? Pois bem, você se interessaria por esse livrinho, se eu lhe disser que todas as suas histórias são tiradas da Bíblia? E enquanto eu lhe contar essas histórias verdadeiras da Bíblia, e as explicar de uma maneira que faça bem para você, e te leve a amar a Deus, a confiar em Cristo e a estar preparado a ir à casa do seu Pai Celeste no Céu, quando você vier a morrer, você vai me ouvir? Eu espero que sim, e que Deus me ajude a escrever, e ajude a você a ler, de tal modo que esse livrinho possa te conduzir a amar a Bíblia mais do que você amava antes.
Lembre-se que quanto mais você lê e entende a Bíblia, mais você vai se tornar sábio, e quanto mais você ama e obedece a Bíblia, melhor e mais feliz você vai ser. Ore e peça a Deus todos os dias que Ele lhe dê o seu Espírito Santo para que você possa então ler, entender, amar e obedecer o melhor de todos os livros, que Ele deu para lhe mostrar o caminho para o Céu.

terça-feira, 12 de março de 2013


“Maçãs de Ouro” e a Visão Cristã da Comunicação e da Linguagem 

 

“Eu estou persuadido de que sem o conhecimento da literatura, a teologia pura não pode se manter... Certamente é meu desejo que haja tantos poetas e retóricos quanto for possível, pois eu vejo que é por estes estudos, e por nenhum outro meio, que as pessoas são excelentemente preparadas para a compreensão da verdade sagrada, e para utilizá-la de modo habilidoso e feliz.” (Martinho Lutero, carta a Eoban Hess)   

Imagino que algum leitor desavisado pode estar se perguntando a razão do título deste blog, especificamente desta sessão que se concentrará na natureza do dom da Linguagem. Para esclarecer um pouco o tema, iniciarei esta postagem dando uma breve explicação sobre a figura de linguagem que representa o tema que aqui se introduz.  

A expressão "Maçãs de Ouro", que encontramos no Livro de Provérbios, é uma bela figura utilizada pelo sábio Rei Salomão para ilustrar o bom uso da linguagem (Pv. 25:11). Esta imagem pode se referir ou a maçãs feitas (ou cobertas) de ouro, ou a maçãs reais que possuem uma aparência tão perfeita que podem ser descritas como "maçãs de ouro", ou a um padrão que era utilizado em joias, semelhante ao modelo de "romã" que vemos descrito em outras passagens das escrituras. De qualquer modo, assim como mal podemos conceber a beleza, a raridade e a preciosidade de tais joias ou de maçãs feitas de ouro, cuidadosa e artisticamente arranjadas em travessas de prata, assim também é a beleza da palavra certa proferida no momento e no contexto devido. Esta ilustração representa, portanto, o discurso piedoso, amoroso e apropriado, o qual, desde aquela época e até hoje, é raro e precioso. Nosso desejo, como cristãos, é que este discurso possa abundar cada dia mais em nossos próprios lábios e nos lábios daqueles que nos cercam, sejam eles familiares, amigos, filhos, alunos, etc.

Visto que esse blog é voltado àqueles que se interessam pela área de educação e linguagem, direcionarei o meu foco agora para o ensino de língua, seja ele realizado de forma formal, na educação curricular escolar, seja ele realizado no dia a dia das famílias cristãs preocupadas com a instrução de seus filhos nessa área do conhecimento tão fundamental e essencial a uma educação genuinamente cristã. Para isso, é importante que consideremos certas questões referentes ao tema da linguagem, literatura e ensino de língua, a fim de compreendermos o valor e o poder da Palavra (seja ela lida, escrita, ouvida ou falada) na instrução geral de nossos filhos e alunos e a fim de compreendermos também como o desenvolvimento efetivo das suas habilidades comunicativas ajuda a equipá-los não apenas para atingirem e cumprirem as exigências práticas e vocacionais da vida, mas também para que eles possam glorificar a Deus com a sua língua e ajudar a difundir a mensagem do evangelho.

Contudo, tendo em mente que toda a nossa concepção de ensino deve basear-se em uma cosmovisão fundamentada e coerente com os ensinos bíblicos, antes de focalizarmos de modo mais prático a questão do ensino de língua e literatura, é necessário que consideremos alguns dos principais pressupostos que caracterizam a visão cristã sobre a comunicação e a linguagem e as implicações diretas dessa visão ao ensino de língua. Aqui se inicia, portanto, uma série de postagens que focalizarão o tema geral da perspectiva cristã relacionada à linguagem e ao ensino de língua. Esta série será extraída (com algumas modificações e acréscimos) do último capítulo de minha dissertação de TCC na Universidade Federal do Pará, defendida no ano de 2009, e intitulada: O ENSINO DE LÍNGUA MATERNA NA ESCOLA CRISTÃ: TEORIAS, PRINCÍPIOS E PROPÓSITOS.

    A Visão Cristã da Comunicação

Segundo a visão bíblica, a comunicação, assim como todos os dons que podem ser encontrados no homem, tem a sua origem em Deus e foi concedida a ele desde a sua criação. Assim, quando Deus formou o homem à Sua própria imagem (Cf. Gên. 1:27), ele o dotou da capacidade de comunicação por meio da língua, a qual pode ser considerada, ao mesmo tempo, como um pré-requisito ou como uma consequência do pensamento racional (debate este que não cabe considerar neste espaço). O relato da criação no livro de Gênesis e as Escrituras como um todo indicam que foi Deus quem planejou que a linguagem (especificamente a linguagem verbal, tanto na forma escrita, quanto na forma oral) fosse o meio de comunicação entre Si mesmo e o homem. Daí a utilização da linguagem escrita na Sua Palavra revelada – a Bíblia –, e também da linguagem oral, tanto da parte de Deus, quanto da parte dos homens, sendo ela utilizada na interação direta ou indireta (por meio de profetas, anjos, e ministros do evangelho) entre Deus e os homens.

Assim, embora o homem tenha perdido, em virtude da queda, a Imago Dei (imagem de Deus) em seu sentido restrito ou específico (o reflexo do conhecimento, da justiça e da santidade perfeita de Deus), ele ainda carrega a imagem de Deus no seu sentido mais amplo. Ele ainda mantém características que o posicionam acima de todos os animais da criação, uma das quais (e das mais importantes delas) é a capacidade de comunicação e do uso consciente da linguagem, a qual permite a comunicação entre o homem e o seu Criador e Redentor.

Essa capacidade de interação por meio da linguagem é um bem comum, ou seja, concedido a todos os homens. Por meio da linguagem, eles podem dar expressão aos seus pensamentos e sentimentos, bem como assimilar os pensamentos e sentimentos de outros, tornando possível a realização das atividades do pensamento e da reflexão pessoal, da vida em sociedade e das manifestações culturais. Além disso, a língua, particularmente em sua forma escrita, é o principal meio de transmissão de informações e experiências de geração a geração, sendo, desse modo, permitido às gerações subsequentes o acesso às informações e experiências do passado.

No entanto, o ensino bíblico deixa claro que, em virtude da queda do homem e da perda da imagem de Deus original, o uso que o homem tem feito da linguagem – bem como de toda a criação – tornou-se desvirtuado pelo pecado. A língua se transformou em uma fonte de desentendimentos, de discórdias, de enganos, de fraudes e de desonestidades. Agora, o homem em seu estado natural (não-convertido) usa a língua e a linguagem de maneira pecaminosa e para a glória de si mesmo, ao invés de utilizá-la para a glória de Deus, que é objetivo para o qual ele foi dotado dela.

Por esta razão, muitos têm condenado, ao longo dos séculos da história da igreja e da educação, a arte poética como sendo produto de uma mente caída e idólatra, e rotulado a literatura como “perigosa e, na melhor das hipóteses, uma perda de tempo” (Williams, Donald. in: Christian Poetics, Past and Present). Ao mesmo tempo, contudo, a igreja tem sido responsável pela criação das melhores obras literárias que o mundo já viu. Esta contradição, como sugere Williams, é resultado da dificuldade sempre constante no meio cristão para aplicar à literatura o princípio geral do Novo Testamento referente ao “estar no mundo, mas não ser do mundo” (João 17:11-16). Consideraremos este embate de modo mais específico em outra ocasião.

Compreendamos desde já, portanto, que a linguagem em si é um precioso dom de Deus. O problema não está nela ou na literatura em si, e sim no homem caído que a profere ou escreve. Ela pode ser instrumento para o maior bem, ou para o maior mal. O homem pode abusar dela e utilizá-la para a exaltação de si mesmo e para comunicar valores contrários às escrituras, ou o homem regenerado pode usá-la corretamente para a glória do Seu Mestre e para a promoção das Suas verdades. Que possamos ensinar os nossos filhos e alunos a amá-la e a empregá-la para este maior bem!

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 7 de março de 2013

“ÁRVORE DE VIDA" e "MAÇÃS DE OURO": Apresentação do blog.





A Sabedoria e a Palavra são dois temas que permeiam a Bíblia do início ao fim. A Árvore da Vida e o Verbo de Deus estão presentes na criação e na descrição do Paraíso do Éden, são exaltados constantemente nos Provérbios, são personificados em Jesus Cristo e são os focos centrais e agentes da Nova Criação, da cidade eterna e gloriosa de Deus. Sempre associados a joias, a pérolas, a colares, a diademas e a toda sorte de tesouros, o Conhecimento proveniente do temor do Senhor e a Palavra verdadeira e graciosa são dons poderosos, belos, raros e preciosos que devem sempre adornar os filhos de Deus que refletem a imagem de Cristo. E, se Cristo mesmo une e personifica esses excelentes e valiosos dons em sua pessoa bendita, entendemos que poderíamos uni-los também nesse blog que visa a promoção da Educação e da Literatura vistas sob o prisma da herança cristã-reformada.

Conhecemos o contexto brasileiro e reconhecemos a escassez de recursos disponíveis às escolas, aos professores, aos estudantes e às famílias cristãs, especialmente em língua portuguesa. Por isso, temos dedicado muitos anos de nossa vida a estudos, pesquisas e diversos trabalhos que visam à publicação de ensaios, livros e materiais, ora mais acadêmicos, ora mais práticos, na área da educação, linguagem e cultura cristã, abordando sempre cada tema segundo os olhos e princípios da cosmovisão bíblica. Além disso, sempre apreciamos a oportunidade de poder dedicar parte de nosso tempo à tradução e revisão de bons livros cristãos, os quais o Senhor tem utilizado em grande medida para a nossa própria edificação e desejamos que outros venham também a ter acesso a tais obras.

No entanto, tanto a escrita, tradução e revisão de obras, quanto a editoração e publicação de livros são processos lentos e que dependem de uma série de fatores para poderem chegar ao seu estado final, e só então, à mão dos leitores. Especialmente em virtude da priorização que julgamos necessária à nossas famílias e lares, admitimos que não temos capacidade para fazer muito mais do que buscar disponibilizar materiais relacionados aos temas mencionados acima, com os quais temos tido contato e os quais têm sido objeto de pesquisas e estudos que ainda aguardam a sua publicação final.

A criação desde blog surge, portanto, do desejo de oferecer aos interessados leitores esses recursos educacionais cristãos em língua portuguesa, da maneira mais rápida possível, à medida que vão sendo produzidos e sem qualquer custo, apenas pelo desejo de promover o reino de Deus em nosso país nessas tão importantes e carentes frentes educacional e literária. Temos a esperança de que, deste modo, com a graça de Deus, poderemos disponibilizar ao leitor pelo menos textos mais curtos, artigos, trechos ou capítulos de obras recém-traduzidas, comentários e críticas de artigos e livros, sugestões e indicações de materiais ou sites úteis e reflexões gerais sobre a educação cristã, história e filosofia da educação, linguagem, literatura, homeschooling, família, arte, cultura e verdade segundo a perspectiva cristã-reformada. Esperamos, ainda, que esta página virtual sirva como uma sempre crescente biblioteca a encorajar mais pesquisas no campo da educação e da palavra, que venham a ser também postadas e reunidas aqui.

Desejamos sinceramente, portanto, que este site venha a ser um lugar onde cristãos interessados – ou mesmo fascinados, por assim dizer – pela educação cristã e pelo dom e beleza da linguagem, possam encontrar informações, considerações e reflexões que sirvam para o seu crescimento não somente intelectual, mas especialmente naquela Sabedoria, Graça e Verdade que somente o real “Verbo de Deus” e o Autor do mais excelente dos livros pode inspirar.

Que o Senhor abençoe este projeto e o utilize para a propagação das Suas verdades, a fim de que a nossa prática de educação produza mentes e corações sempre alicerçados na "árvore de vida" da verdadeira Sabedoria, e a reflexão sobre a linguagem e literatura seja sempre o estudo de "maçãs de ouro", que são "as palavras ditas a seu tempo".

Soli Deo Gloria!