“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Natureza, Beleza e a Encarnação de Cristo, por Maggie W. Paton.

Em uma de nossas leituras, me deparei com este texto de Maggie Whitecross Paton, a segunda esposa do missionário John Paton, o qual serviu durante mais de trinta anos nas ilhas de New Hebrides, entre tribos de nativos canibais.
Neste pequeno trecho, extraído de uma carta à sua mãe, irmã e amigos, e datada de Dezembro de 1868, ela faz menção aos seus ideais de beleza e relata um pouco sobre a importância da beleza de nossos lares e do espaço em que vivemos, mostrando como eles não somente refletem os nossos valores cristãos, mas também nos proporcionam um ambiente propício para o nosso próprio crescimento espiritual e para servirmos melhor ao Senhor nas diversas vocações e áreas de atuação nas quais Ele nos coloca.
Ofereço, então, aos leitores, o trecho abaixo, extraído e traduzido do volume intitulado “Letters and Sketches from the New Hebrides” (Cartas e Rascunhos de Nova Hebrides), por Maggie W. Paton, Forgoten Books, 2015; o qual teve a  sua primeira edição em1894. 

“Será tão bom quando a construção (da nossa nova casa) estiver concluída; e eu estou tentando ao máximo fazer dela o lar mais belo e agradável que eu já vi – o tão refinado e civilizado possível, e o mais próximo possível daquilo que nós estávamos acostumados (na Inglaterra), dadas as nossas limitações e escassos recursos. Creio que nós não precisamos abaixar os nossos níveis (culturais) por estarmos entre os nativos; pelo contrário, devemos tentar erguê-los ao nosso nível cristão em todas as coisas.
O lar de alguém tem imensa influência sobre o seu trabalho, e sobre a sua vida e caráter, e eu deixo a cargo dos nossos dois menininhos o fazerem deste lar um lugar vivo e alegre! Nós realizaremos o nosso trabalho na vida de uma forma muito melhor se tivermos um lar em harmonia com os nossos gostos.
Ou pelo menos, não há nenhuma parte da minha doutrina que creia que possa haver verdadeira religião em ambientes horríveis; ou que tudo o que é agradável e belo seja pecaminoso. Certa vez, uma senhora me disse, antes de sairmos da Austrália, que as esposas dos missionários deveriam viver e se vestir da forma mais primitiva possível, e dar exemplo de grande solenidade e seriedade, a fim de não virem a ser objeto de conversação. O velho Adão em mim quase se engasgou ao ouvir tal insolência, mas eu me controlei para não responder a ela dizendo que na minha Bíblia não havia nenhum código de regras específico para as esposas de missionários, e que não sirva para qualquer outra mulher cristã!

É um grande mistério para mim ver que qualquer um possa pensar que o Cristianismo não tenha nada a ver com tais coisas, ou, mais ainda, que alguém possa ser tão cego ao fato de que o nosso gentil Criador nos deu tanta riqueza de beleza na natureza. Ele poderia ter restringido a nossa alimentação aos úteis e nutritivos repolhos; mas, pelo contrário, Ele espalhou flores por todos os lados. As plantas de folhagens aqui são únicas e esplêndidas, e o cenário é surpreendentemente belo! Há, ainda, um indescritível charme e leveza, também, na atmosfera, que faz com que alguém sinta, especialmente ao sair de casa ao amanhecer que o ser, sim, simplesmente o existir, é um gozo e privilégio transcendentes!
Mas o que mais nos intriga é ver como pode haver tão grande desarmonia entre estes pobres nativos e o ambiente em que eles vivem. A bela natureza não os eleva e nem os refina nem um pouco – de fato, eles parecem nem se aperceber dela! Se a própria natureza pudesse nos regenerar, poderíamos pensar que talvez encontraríamos ninfas e fadas habitando estas belas ilhas do Pacífico, contudo, os mais degradados selvagens se apresentam aqui, como que em uma pintura de guerra...
Ao olharmos para estes pobres nativos, ainda pagãos, em contraste com as faces quase que de santos dos nossos assistentes cristãos, nativos da ilha de Aneitum, nos impede que sonhemos do desespero. Ali nós temos uma ampla visão do poder transformador do glorioso evangelho de Jesus Cristo, a qual alguém que vive em uma nação cristã dificilmente poderá sentir ou entender. E oh, como estes pobres nativos tem nos ensinado tanto sobre o significado da Encarnação de Cristo! Quantas vezes nós pensamos que o viver perto deles nos ajudaria a entender, em um grau muito falho, o quão humilhante deve ter sido para o nosso Senhor da Glória deixar o Seu belo lar nas alturas, e habitar conosco. Contudo, a diferença entre o melhor de nós e o mais vil selvagem não é nada quando comparada com este tão transcendente amor!“

 


quarta-feira, 6 de julho de 2016

"PRESERVA-ME, Ó DEUS, POIS CONFIO EM TI" - SALMO 16:1

“Preserva-me Ó Deus, pois Confio em Ti
 

EM MEMÓRIA DA NOSSA QUERIDA SOBRINHA NATALIE ELLEN  

O dia de hoje, 05 de Julho, é uma data da qual lembramos com o coração apertado. Apertado de muita saudade, mas também de uma enorme gratidão pela bondade do Senhor. Hoje completa-se um ano do triste, porém glorioso dia, no qual a nossa doce e querida sobrinha Natalie Ellen Roper foi chamada e promovida ao seu lar celestial, para habitar junto ao Seu amado Salvador.

Há aproximadamente dois anos atrás, recebemos a terrível notícia de que a linda Natalie Ellen, de apenas doze anos de idade, filha mais velha dos seis filhos da nossa cunhada Emma Brown Roper, havia sido diagnosticada com Ewing’s Sarcoma em estado avançado, um raro tipo de câncer nos ossos que se espalha muito rapidamente, e sabíamos, desde então, que só o Senhor poderia curá-la, se Ele assim desejasse.

Em uma determinada noite, logo antes de iniciar o seu tratamento, a família inteira decidiu se mudar do estado da Georgia, EUA, para o estado de Nova Jersey, a fim de que ela pudesse receber o melhor tratamento possível, no melhor hospital para este tipo de câncer, localizado na cidade de Nova Iorque. A viagem foi realizada naquela mesma noite, quando, em meio a muitas dores, nossa querida Natalie deixou o conforto do seu lar terreno, para nunca mais retornar a ele.

Iniciaram-se, assim, os onze difíceis e doloridos meses de tratamento. Pela Providência divina, e pela ajuda e influência de vários parentes e amigos, a família conseguiu ser aceita no melhor hospital, com a melhor equipe médica, e recebeu o mais avançado tratamento para o seu caso. No entanto, embora ela desejasse e orasse tanto pela sua cura, ela temia muito os tratamentos e os suportou com muita dificuldade. E as notícias que recebíamos dos resultados destes tratamentos foram sendo cada vez menos esperançosas.

Mesmo em meio a tantas tribulações, Natalie Ellen continuava sendo uma jovem alegre, meiga, animada e sempre preocupada com os demais, como sempre havia sido. Ela amava estar na companhia de todos os seus familiares e amigos, amava cuidar de bebês e criancinhas pequenas, apreciava tudo o que é belo, e se deleitava em entoar cânticos e Salmos ao seu amado Senhor. Ela estava aprendendo a tocar piano e já podia tocar vários hinos. Ela gostava ainda de pintar, ler, fazer diferentes trabalhos manuais e cozinhar. Ela havia nascido e morado no Brasil até aos oito anos de idade, quando a família se mudou para o Estados Unidos, e foi educada em casa e nos caminhos do Senhor, pelos seus piedosos pais, durante todos os seus treze anos.

No dia em que recebeu o seu primeiro diagnóstico, ela chorou copiosamente, juntamente com os seus pais, pelas primeiras duas a três horas. Ela nunca tinha imaginado que uma doença como essa poderia ser a sua realidade. Depois disso, contudo, ela enxugou suas lágrimas e nunca mais as derramou desta forma. Pelo contrário, ela estava sempre consolando e confortando a todos os que estavam à sua volta, pedindo que não chorassem por ela, e demonstrando uma surpreendente e indizível alegria e contentamento com a vontade do Senhor, seja ela qual fosse, para a sua vida.

No mesmo momento em que recebemos a triste notícia do seu grave estado, eu e meu esposo - que já estávamos planejando ir visitá-los - deixamos tudo, entramos no carro com nossos pequenos filhos e, entre lágrimas e orações, durante uma viagem de três horas, pensávamos no que poderíamos dizer ou fazer por aquela amada família. Naquela mesma noite, quem nos recebeu na porta de sua casa foi justamente a nossa doce Natalie Ellen, com um grande abraço e um lindo sorriso no rosto, agradecendo-nos pela chegada e perguntando pelos nossos bebês, que ainda dormiam no carro. Nosso desejo era servir de consolo a ela e à sua família, contudo, ao invés disso, foi ela quem nos consolou e confortou com a sua bela atitude, gozo e contentamento.

E esta continuou sendo a realidade que pudemos constatar durante os próximos onze meses da sua vida, mesmo em meio às terríveis dores e cansativos tratamentos. Quando ela não estava sofrendo terríveis dores, e às vezes mesmo ao passar por elas, Natalie estava sempre cantando, sorrindo, participando de conversas, jogos e brincadeiras com seus primos e irmãos, consolando e sendo um canal de bênçãos para todos ao seu redor. Ela nunca se concentrava ou mesmo mencionava as suas próprias dores ou preocupações. Pelo contrário, sempre demonstrava enorme cuidado, simpatia e carinho para com todos os demais. Certa vez, ao encontrar-se internada no hospital, e após cantar o conhecido hino “Jesus me Ama, disso eu sei” com os seus irmãozinhos, eles começaram a chorar por saber que tinham de voltar para casa sem a Natalie e sua mãe. Foi então que ela se pôs a consolá-los dizendo: “Vocês acabaram de cantar que Jesus lhes ama e cuida de vocês, então por que estão chorando?” Sabíamos que este era também o seu maior consolo e esperança.
 
Natalie Ellen amava o Seu Salvador Jesus Cristo, e isso podia ser percebido pelos médicos, enfermeiros e todos os que lhe cercavam. Mesmo nas horas de dores e grandes sofrimentos, não se ouvia reclamações dos seus lábios, e nem se percebia angústia alguma em seu coração. Embora ela desejasse a cura e amasse a companhia dos seus irmãos, familiares e amigos, ela estava pronta para ir se encontrar com o seu Bom Pastor e melhor Amigo, na glória.

Tudo isso era resultado da obra de Deus na sua vida. Sim, ela já havia recebido aquilo que nós mais almejamos e pedimos para cada um dos nossos filhos: a conversão, graciosa e imerecida, das suas almas. Na providência de Deus, apenas duas semanas antes de ser diagnosticada com câncer, Natalie Ellen havia recebido, por obra extraordinária do Espírito Santo, uma vívida certeza da sua salvação. Ela chegou, no meio da noite, no quarto dos seus pais, chorando de alegria por descobrir e entender que, de fato, ela era filha do Deus vivo, e podia ter certeza de que, um dia, ela habitaria na glória eterna, juntamente com Cristo e com os seus santos.

Sim, este dia veio a chegar mais rápido do que ela imaginava, e Natalie também se entristecia, às vezes, por saber que teria de deixar tantas pessoas amadas para trás, por enquanto. Contudo, se tornou cada vez mais aparente e evidente em sua vida o seu desejo e humilde contentamento em aceitar a vontade do Senhor, seja ela qual fosse, e mesmo de ir, mais brevemente, para o seu lar celestial. Certa vez, ao ler um cartão que dizia apenas: “Pois, para mim, o viver é Cristo”, ela não pôde deixar de completar o trecho bíblico com os seus próprios lábios, dizendo: “E o morrer é lucro!”
 
Ela mencionou ainda, certa vez, que sempre havia desejado servir ao Senhor com a sua vida; mas que nunca havia imaginado que o Senhor queria que ela servisse a Ele com a sua morte. No entanto, como nós e muitos outros pudemos testemunhar, ela estava disposta para isso e a sua memória continua sendo um belo exemplo de fé e uma grande testemunha e lição da maravilhosa graça e bondade de Deus para com os seus filhos, seja em libertá-los da tribulação, seja em guiá-los e chamá-los, em meio à tribulação, para junto de Si.


Um dos seus Salmos preferidos era o Salmo 16, o qual cantamos inúmeras vezes com ela, e transcrevo aqui, traduzido e adaptado da versão em inglês, que pode ser encontrada no Saltério: “The Book of Psalms for worship”, da editora Crown and Covenant. 
Clique aqui para ouvir a melodia utilizada na metrificação deste salmo:


Salmo 16
Preserva-me, Ó Deus, pois confio em ti
Não ouso outro abrigo ou bem possuir,
"Tu és meu Senhor", vem minha alma dizer.
E em teus mensageiros está meu prazer.

Aqueles que por deuses trocam o Senhor
Irão sofrer penas, castigos e dor.
Sequer mencionar os seus nomes irei;
Somente ao Senhor sacrifício darei.

Tu és o meu cálice, herança e porção,
O único arrimo do meu coração.
A minha herança é formosa e sem par;
Em teus bons caminhos alegra-me andar.

Bendigo o Senhor, pois conselhos me dá;
Até pela noite vem me ensinar.
À minha direita o Senhor quero ter;
Com Ele ao meu lado, não vou perecer.

Alegra-se em mim meu espírito, então;
De júbilo exalta o meu coração.
Até o meu corpo irá repousar;
Seguro e a salvo contigo estará.


Meu corpo e minh'alma estão em tuas mãos;
Nem mesmo no abismo verei corrupção.
A tua presença é vida pra mim;
E à tua direita, delícias sem fim.


terça-feira, 28 de junho de 2016

Lançamento do CD: DEUS ME FEZ: PARA A SUA GLÓRIA!




Caros leitores,

É com muita gratidão e louvor ao nosso Deus que anunciamos o lançamento deste tão esperado álbum para crianças, baseado no Catecismo de Westminster. Acreditamos que as verdades contidas neste catecismo expressam o ensino bíblico geral e precisam ser ensinadas e memorizadas pelas nossas crianças, seja de maneira informal, pelos pais, seja de um modo mais aprofundado e estruturado, como parte do currículo de escolas cristãs, escolas dominicais e de homeschooling.  Não há aprendizagem mais útil a elas do que a das verdades ali expostas.

CD Original de Judy Rogers
"Why Can't I See God?"
Desde que tivemos nossos primeiros filhos, sentimos a falta de canções infantis com um conteúdo bíblico profundo, e que expressassem as grandes verdades do evangelho de uma forma simples e alegre, e, ao mesmo tempo, reverente a Deus e à Sua Palavra. Quando descobrimos, pela influência da família dos nossos esposos, o CD da cantora Judy Rogers “Why Can’t I See God?”, copyright 1985, 1995, encontramos ali músicas infantis com belas melodias e arranjos musicais, e conteúdo bíblico excelente, baseado nas perguntas e respostas do Catecismo Menor de Westminster, adaptado para crianças. Embora este Catecismo não seja cantado na íntegra neste álbum, todas as canções foram escritas com o propósito de incluir todas as verdades principais ali contidas. 

Foi ao longo de aproximadamente dois anos que se realizou o trabalho de tradução e adaptação das canções para a língua portuguesa, e da poetização e metrificação de todas as músicas. Durante este período, a compositora e cantora norte-americana Judy Rogers graciosamente nos concedeu os direitos de tradução e produção do seu álbum para o português, em resposta ao pedido da Sra. Margareth Davis, em Abril de 2014.

Quando compartilhamos com amigos e irmãos o nosso projeto de disponibilizar essas músicas em português, fomos grandemente encorajados pelos membros da nossa congregação IPB Boas-Novas, em Rondon do Pará. Mencionamos em especial o apoio constante de nosso pastor, Isaías, e de sua esposa, Sidiane, a qual prontamente apresentou o projeto a seu irmão, o músico e violonista Hugo Júnior que, para a nossa alegria, se interessou pelo projeto e começou a trabalhar na produção e adaptação dos arranjos musicais ao público brasileiro, em parceria com a cantora Edinésia Moraes. 

Crianças da Congregação IPB Boas-Novas
Mas foi apenas nos últimos três meses que Deus surpreendentemente parece ter colocado no coração de todos nós o desejo de ver esse projeto finalizado. Nosso sonho, que parecia impossível até às vésperas da gravação, era ter o CD pronto para ser lançado no início de Julho, no simpósio "Os Puritanos" em Belem-PA, que é o maior evento de promoção da fé reformada no Norte do Brasil. Que podemos dizer senão que foi nosso bondoso Deus quem fez tudo acontecer! Como estamos surpreendidos e alegres pela maneira como o Senhor providenciou que tudo corresse tão bem, tão rápido, e por ter unido uma equipe tão profissional (e mesmo outros nem tão profissionais, como nossas vozes infantis...), para trabalharem com tanto amor e disposição na produção deste album que tem se tornado um favorito de todos que com ele se envolveram. 

Decidimos ainda fazer do album "Deus Me Fez - Para a sua Glória " um CD bilingue, com coros e trechos repetidos em Inglês,  para ajudar as crianças e jovens a se familiarizarem com esta língua estrangeira e assim estimulá-las e mesmo ajuda-las no aprendizado desta segunda língua, alem de deixar o álbum com um gostinho da letra original. 

Foto oficial da equipe toda no Estudio Alfa, em Dom Eliseu-Pa


As gravações foram realizadas neste mês de Junho no Estúdio Alfa, em Dom Eliseu, onde contamos com a habilidade técnica e musical e com o trabalho dedicado e paciente de Silas Lima,  responsável pela gravação, edição, mixagem e masterização do CD. A bela produção e arte da capa do álbum "Deus me Fez" foi realizada por nosso irmão, Paulus Anglada.



Reconhecemos a bondosa mão de Deus e a Sua sábia Providência ao longo de todos estes anos, desde a idealização até à consecução final deste projeto e, portanto, rendemos a Ele a nossa sincera e humilde gratidão. Que o Seu nome possa ser exaltado e glorificado pelos lábios dos nossos filhos e herdeiros da Aliança, tanto nesta geração, quanto nas vindouras.


Agradecemos também aos nossos esposos, pelo apoio abnegado e amoroso, em todos os momentos. Agradecemos a nossos pais, Paulo e Layse Anglada, que nos ensinaram desde pequenas a amar as verdades da graça; agradecemos a nossos sogros Tiago e Margaret Davis, pelo encorajamento irrestrito e apoio prático, cedendo sua casa, preparando refeições, organizando ensaios, nos possibilitando levar o projeto adiante em meio a nosso dia-a-dia familiar corrido.

Hugo Júnior, produtor e arranjador Musical
Agradecemos também ao violonista e produtor musical Hugo Jr., e à cantora Edinésia Moraes e seu esposo Levi, que não mediram esforços em viajar longas distâncias para que os ensaios e gravações pudessem ser realizados, por toda a dedicação na aprendizagem das músicas e por depositarem todas as energias nas horas intensas de gravação deste álbum.

Cantora Edinésia Moraes e seu esposo Levi


Amy e Katie Siviero
Agradecemos às irmãs Amy e Katie Sivieiro, que usaram parte de suas férias no Brasil, de seus estudos nos EUA, para participarem deste projeto e emprestaram suas belas vozes e habilidades no violino e flauta. Obrigada, meninas, por todas as sugestões e ajuda com as crianças durante os ensaios e gravações! Nosso muito obrigado tambem ao nosso irmão e designer Paulus Anglada pela paciência e por todo o trabalho de arte e editoração das letras das músicas para a capa do disco; e ainda ao designer Yuri Farias pela prontidão nos trabalhos de publicação e divulgação. 

A Turminha no Estúdio

Nossa gratidão se extende ainda a pianista Hannah Davis e aos professores de música Lucas e Rute Cavalcanti pelas horas de ensaio, revisão das letras, e preparo musical baseado nas partituras originais.

Também agradecemos às crianças da nossa congregação e a seus pais, por todo o empenho na aprendizagem das canções e pela paciência que precisaram ter durante as intermináveis horas de ensaio e gravação.


Finalmente agradecemos e prestamos nossa homenagem à cantora Judy Rogers, que desde que ouviu de nosso desejo de traduzir suas canções prontamente concedeu-nos a permissão e todo o incentivo para prosseguirmos nessa iniciativa. Convidamos nossos leitores a conhecer seu belo trabalho no site www.judyrogers.com, onde vocês poderão adquirir e baixar este e muitos outros álbuns que ela tem preparado para o público infanto-juvenil, dentre eles indicamos os álbuns "Go to the Ant", baseado no livro de Provérbios, e seu lançamento "Consider God's Critters", que aborda o tema da Criação.
Edinésia Moraes Gravando

Para uma pequena amostra do CD, clique no link abaixo:

O lançamento oficial do CD "Deus Me Fez" será no dia 02 de Junho de 2016, as seis da tarde, no Intervalo entre o 1o Encontro Educar (Educação Domiciliar Reformada)-Norte que acontecerá de 3:00 às 6:00 da tarde, e o 25o Simposio "Os Puritanos" em Belem-PA, que, no sábado, reinicia às 7:00 da noite, na IPCPA- Igreja Presbiteriana Central do Pará ou Centro de Estudos John Knox, Tv. Eneas Pinheiro, 1752.

Pedidos do CD podem ser feitos pelo novo contato do blog maçãs de ouro: macasdeouro@gmail.com.

    

quarta-feira, 4 de maio de 2016

RESULTADOS DA EDUCAÇÃO PURITANA: AS ESCOLAS CLÁSSICAS E A FUNDAÇÃO DAS UNIVERSIDADES

Esta postagem faz parte da dissertação "Fundamentos Históricos e Filosóficos de uma Educação Bíblico-Reformada", Parte 1: Educação Reformada: Uma Visão Histórica". Trata-se de um breve histórico da Educação Reformada, desde as suas raízes - que remetem à vida e a obra de Cristo e da primeira igreja cristã apostólica - até uma visão panorâmica da educação reformada em diversos países no mundo atual. A segunda parte desta monografia, sobre os "Fundamentos Filosóficos da Educação Reformada" pode ser encontrada neste blog, na seção de "Filosofia da Educação".  Os capítulos sobre os Fundamentos Históricos da Educação Bíblico Reformada estarão listados dentro da seção de História da Educação, possivelmente divididos em partes menores:
CAPÍTULO 1: A PRIMEIRA EDUCAÇÃO CRISTÃ
CAPÍTULO 2: A EDUCAÇÃO RELIGIOSA REFORMADA
CAPÍTULO 3: A EDUCAÇÃO REFORMADA NO SÉCULO XVII
Post 1: Uma Perspectiva Histórica da Educação Reformada no Século XVII e a Reforma Educacional de Comênio.
Post 3: Resultados da Educação Puritana: As Escolas Clássicas Cristãs e a Fundação das Universidades (Postagem Atual)
CAPÍTULO 4: HERANÇA REFORMADA NA EDUCAÇÃO DOS PAÍSES PROTESTANTES
***
O leitor que desejar usar ou citar parte deste trabalho pode fazê-lo, desde que indique os dados bibliográficos da obra, abaixo:
            ANGLADA, Karis Beatriz Gueiros          
Fundamentos Históricos e Filosóficos de uma Educação Bíblico-Reformada/ Karis Beatriz Gueiros Anglada.       
            300 f.
            Monografia (graduação) – Universidade do Estado do Pará. Centro de Ciências Sociais e Educação. Belém, 2004.              
            Área de Concentração: Educação
            Orientador: Maria Betânia Barbosa Albuquerque.
            1. Educação 2. Filosofia 3. Religião Cristã/Reformada
 
RESULTADOS DA EDUCAÇÃO PURITANA:
AS ESCOLAS CLÁSSICAS E A FUNDAÇÃO DAS UNIVERSIDADES
Escolas Secundárias ou Latinas preparavam os alunos para a Universidade.
Do ponto de vista das contribuições mais concretas dos puritanos para a educação de seu tempo, é possível, a partir de fontes documentais, perceber o quanto este movimento zelava pela educação e defendia a perpetuação de escolas cristãs, em todos os níveis e lugares onde se desenvolveu.
 Na Inglaterra, o número de escolas primárias dobrou enquanto os Puritanos estavam em ascendência (KNAPPEN, 1939, p. 469) [1] e o respeito pela educação foi notável especialmente no período da República de Cromwell, que além de ter sido pessoalmente responsável pelo estabelecimento de uma faculdade em Durham, também “fundou ou reabriu inúmeras escolas primárias, e também determinou que professores fossem enviados pelo país afora para assegurar as necessidades educacionais” (GREAVES, 1969, p. 15). Um moderno historiador da educação diz que “sob vários aspectos o Commonwealth [período da República instalada por Cromwell] da Inglaterra foi um período quando os estudos universitários alcançaram um ápice” (SMITH , 1954, p. 12).
Nas colônias da Nova Inglaterra, os Puritanos que emigraram para o Novo Mundo fundaram uma sociedade protestante com a liberdade que não tinham na Inglaterra. Na América, a preocupação com a educação se revelou de modo muito intenso, desde os primeiros anos do seu estabelecimento. Ali, adotou-se o conceito calvinista de que o Estado religioso deveria sustentar as escolas comuns vernáculas, as escolas secundárias de Latim e as Universidades. (CAIRNS, 1947, p. 329).
A primeira Lei da Nova Inglaterra concernente à educação data de 14 de Abril de 1642, e ordenava que os pais e mestres não negligenciassem os seus deveres na educação dos jovens na leitura e no entendimento dos princípios religiosos e nas leis do país, e para tanto os pais seriam supervisionados e penalizados se não o fizessem. (CAIRNS, 1947, p. 329)
O segundo e mais importante ato educacional da Nova Inglaterra, de 11 de Novembro de 1647 ficou conhecido como o Ato do Velho Enganador, que colocava a responsabilidade e o sustento da educação nas mãos das cidades, pelo que educação passava a ser pública e gratuita, e a leitura era enfatizada como meio para o entendimento das Escrituras. O nome desta lei deve-se à consideração nela presente de que era uma intenção do “Velho Enganador, Satanás” “impedir que os homens conheçam as Escrituras” (CAIRNS, 1947, p. 330) e, portanto, as escolas fundadas deveriam servir para que fossem destruídas as mentiras de Satanás por meio do conhecimento das verdades de Cristo. (FEDDES, 2002) Com esta lei, em cada cidade de cinqüenta famílias deveria ser estabelecida uma escola elementar mantida por pais e mestres ou com recursos públicos.
Leis semelhantes foram estabelecidas em pról da fundação de escolas para jovens em Connecticut (1650), New Haven (1655). Dessas leis se extraem os três principais objetivos da escola elementar puritana: o objetivo vocacional, pois que a criança deveria ser preparada para um trabalho útil a si e ao Estado; o religioso, que capacitava as pessoas a ler as Escrituras, com o que podiam alcançar a Salvação; e o objetivo civil, de promover a conformidade civil preparando as crianças para obedecer às leis da nação.
Da mesma forma foram criadas escolas secundárias de Gramática. A primeira escola Latina surgiu em Boston em 1635, seguida da lei que ordenava a criação de escolas de gramática em cada cidade de 100 famílias e de provisões em outras colônias para o mesmo fim. Os objetivos dessas escolas era o de preparar os jovens para a universidade através do estudo de Latim, Grego e da literatura clássica. Entretanto, também aqui, o propósito religioso era fundamental, como insta o puritano e educador americano Cotton Mather: “Mas, que em primeiro lugar, que se lhes ensine a temer o Grande Deus” (MATHER apud. RYKEN, 1992, p. 333).
Finalmente, os puritanos não se delongaram para a fundação das primeiras Universidades na América, a primeira delas fundada apenas seis anos após a sua chegada na Baía de Massachusetts; assim, a faculdade de Harvard teve início com uma doação de dinheiro e livros pelo Rev. John Harvard e foi mantida em seus primeiros anos parcialmente pelas doações de trigo feitas por fazendeiros para o sustento de alunos e professores (RYKEN, 1992, p. 167).
Um relato encontrado no famoso documento do puritanismo americano, “Os Primeiros Frutos da Nova Inglaterra” (1643), explicita os motivos da fundação da faculdade:
Placa explicando as razões da Fundação de Harvard, tradução ao lado.
 
Depois que Deus nos levara a salvo para a Nova Inglaterra, e havíamos construído nossas casas, fornecido o necessário para nossa sobrevivência, criado lugares convenientes para o culto a Deus, e estabelecido o governo civil, uma das próximas coisas que desejávamos e buscávamos era dar continuidade à aprendizagem e perpetuá-la para a posteridade, temendo deixar um ministério mal preparado às igrejas quando nossos pastores do presente jazerem no pó. (RYKEN, 1992, p. 168)
Os estudantes ministeriais em Harvard não apenas aprendiam a ler a Bíblia na sua língua original e a expor a teologia, mas também estudavam matemática, astronomia, física, botânica, química, filosofia, história e medicina, de modo que todo ensino fosse subordinado ao fim religioso e fosse utilizado precisamente para este fim. Em 1652, a tarefa da instituição foi assim resumida: “piedade, moralidade e aprendizado”, e em 1650 foram listados “o avanço de toda boa literatura, artes e ciências” e “a educação da juventude inglesa e nativa deste país no conhecimento e na piedade” (RYKEN, 1992, p. 171). O ideal pretendido para todo estudante é encontrado numa das principais normas da Universidade de Harvard:
Que todo estudante seja claramente instruído e seriamente forçado a considerar bem que o principal fim da sua vida e de seus estudos é conhecer Deus e Jesus Cristo, que é a vida eterna (Jo 17:3); e, portanto, pôr a Cristo na base, como único fundamento de todo conhecimento e sã doutrina. (RYKEN, 1992, p. 171)
A primazia das motivações e fins religiosos na fundação de universidades pode ser constatada também em atos como o da Assembléia Geral de New Haven, 1701, que pede a criação de uma faculdade onde “os jovens sejam instruídos nas artes e ciências, os quais, pelas bênçãos do Deus Todo-Poderoso, possam ser capacitados para os empregos públicos na Igreja e no Estado” (CAIRNS, 1947, p. 335). Esta veio a ser a Universidade de Yale, iniciada em 1718 com uma doação de Eliu Yale, que atendeu aos pedidos do puritano Cotton Mather.
Da mesma forma, eis o que diziam os estatutos do Emmanuel College, uma das principais faculdades puritanas da Universidade de Cambridge:
Universidade de Cambridge
É uma antiga instituição da igreja... que as escolas e faculdades sejam fundadas para a educação dos jovens em toda piedade e boa aprendizagem e especialmente na Sagrada Escritura e na teologia, para que sendo assim instruídos possam depois disso ensinar a verdadeira e pura religião (RYKEN, 1992,  p. 172).

 
Quanto ao propósito central da educação a ser oferecida ali, é bastante claro:“Há três coisas as quais acima de tudo desejamos que todos os alunos desta universidade atendam, a saber, o culto a Deus, o crescimento da fé e a probidade de conduta.” (RYKEN, 1992, p. 171).
Outras universidades posteriores a essas podem ser também consideradas fruto do puritanismo e de sua ênfase no valor da erudição para a Igreja e para o Estado. Citamos a Universidade de Brown, que apesar de ser uma instituição batista, seus fundadores tinham formação puritana. E a herança puritana fez-se sentir também nas Universidade de Columbia e Princeton (FEDDES, 2002).
Universidade deYale












De forma resumida, portanto, pode-se caracterizar a filosofia da educação superior puritana pela preocupação com um ensino clássico e com a teologia para prover homens piedosos e treinados para a liderança na Igreja e no Governo Civil.
Essas considerações fornecem uma idéia geral do pensamento educacional e contribuições dos puritanos para a educação de seu tempo e para o desenvolvimento da fé reformada no que concerne à educação. Demonstram a grande preocupação dos puritanos com a educação e como esta preocupação se transformou em ações práticas e benefícios para a educação dos países em que o puritanismo se desenvolveu, de modo especial no período colonial americano, que pode ser visto na fundação de escolas e universidades e no seu propósito primariamente religioso. A importância do papel dos puritanos para a educação reformada consiste exatamente no fato de que sua posição educacional foi uma tentativa de desenvolver e aplicar a reforma educacional iniciada pelos primeiros reformadores, e seus esforços mostraram-se bem-sucedidos e abundantes de frutos concretos, servindo-nos de precioso exemplo e enconrajamento.





[1] A história de Foster Watson sobre as escolas de primeiro grau conclui que “as escolas de Primeiro Grau inglesas ganharam muito mais de sus vitalidade e inspiração da vida nacional, em sua mais intensa manifestação no puritanismo” (KNAPPEN, p.538-39)