“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

O Livro da Queda para Crianças - História 9


História 9

A MALDIÇÃO
 

Às vezes homens maus ficam com raiva de outros, e dizem que eles desejariam que Deus os mandasse para o inferno. Isso se chama de amaldiçoar. Eu tenho ouvido meninos maldizerem e falarem coisas feias assim. É triste ouvi-los, e pensar em que corações perversos eles devem ter, para com essas palavras usarem o nome de Deus em vão, quebrarem um dos seus mandamentos, e serem expostos à temível ira de Deus. Será possível que o menininho ou menininha que está lendo esse livro já usou palavras más ou toma o nome do Senhor em vão? Eu espero que não. Se você alguma vez já fez isso, pense, pense como isso é uma coisa tão terrível.

Mas há um outro tipo de maldição. É quando Deus diz que algum grande mal virá sobre alguma pessoa, ou lugar, ou coisa. Então isso certamente vai acontecer, pois Deus é todo poderoso, e ele pode fazer o que desejar. O que ele diz é verdade, e irá sempre se realizar. Essa maldição é realmente apavorante. Você deve se lembrar do que Jesus Cristo disse, que quando ele vier para julgar toda a humanidade, ele dirá para os ímpios, à sua esquerda; "afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." (Mt. 25:41)

A primeira maldição de que lemos na Bíblia é aquela que Deus ordenou contra a serpente, ou Satanás, quando tentou Eva. Você pode ler sobre isso no terceiro capítulo de Gênesis. Eu quero chamar atenção para uma parte dessa maldição, pois ela está acompanhada de grande bênção para você e para mim, e para toda a humanidade. Deus disse ali que a semente da mulher iria ferir a cabeça da serpente (Gên. 3:15)

A "semente da mulher" significa algum dos descendentes de Eva. Ela deveria ter filhos, e estes novamente teriam filhos, e aqueles por sua vez teriam filhos, e assim por diante. Todos esses iriam ser os descendentes de Eva, ou a sua semente. E Deus declarou que um desses descendentes iria esmagar a cabeça da serpente. Cobras venenosas, você sabe, são às vezes encontradas nos campos ou estradas, e os homens ou meninos que as vêem normalmente pegam um grande pau ou pedra, e  batem na sua cabeça até que as matem. Assim, já que Satanás havia tomado a forma de uma serpente quando ele tentou a mulher, "esmagar a cabeça" daquela serpente significaria esmagar a cabeça de Satanás; isto é, enfraquecer e destruir esse inimigo, a fim de que ele não mais pudesse fazer nenhum mal, pois você sabe que Satanás tem feito, e ainda continua a fazer um grande mau no mundo. De alguma maneira que não podemos compreender, Deus tem permitido que ele tente muitas pessoas a pecar, assim como ele fez com Eva. Você deve lembrar, contudo, que isso não serve de desculpa para o pecado deles assim como não serviu para o dela. A todos os que buscam a Deus em oração sincera, confiando em Cristo, Ele dará a força para resistir a Satanás e vencer todas as suas tentações.

Dentre os descendentes de Eva, uma pessoa viria que enfraqueceria, e finalmente destruiria, o poder de Satanás. E essa pessoa já veio, é o Senhor Jesus Cristo, o filho de Adão. Como um homem, ele é um dos descendentes de Eva. Maria, você sabe, era a sua mãe. E se você voltar para o pai e a mãe dela, e para os pais deles, e assim por diante, você irá por fim voltar até Eva,  - a mãe, como ela é chamada, de todos eles, e de toda a humanidade. Foi quatro mil anos antes de Cristo nascer que Deus pronunciou a maldição sobre a serpente no Éden, e declarou que a semente da mulher deveria esmagar a sua cabeça. Você vê quão maravilhosamente isso veio a acontecer. Satanás tem tentado, desde que tentou Eva, a levar os homens a se tornarem inimigos de Deus, e aqueles que ouvem as suas tentações e são perversos como ele, a Bíblia os chama de seus filhos.

Jesus Cristo veio ao mundo para levar os homens a amarem a Deus, e a se tornarem seus amigos e amigos uns dos outros. Satanás, portanto, odeia e se opõe a Cristo. Mas Cristo é todo poderoso. Ele já esmagou a cabeça da serpente. Quando esteve na terra, você deve lembrar de como ele venceu as tentações de Satanás, e como ele expeliu demônios e até deu a seus discípulos poder para os expulsar.

Jesus um dia falou que ele viu "Satanás caindo do céu como um relâmpago"(Lc. 10:18); provavelmente querendo dizer com isso que já havia chegado o tempo da grande decadência do poder de Satanás de fazer mal.

A Bíblia nos diz que foi para destruir assim o poder de Satanás que Cristo veio a esse mundo; "Para isso o filho de Deus se manifestou, para destruir as obras de Satanás." (I John 3:8) E quando ele morreu na cruz, foi ali que Satanás e os todos os anjos maus foram derrotados. Então Cristo foi totalmente vitorioso sobre eles. Ele pode lhes permitir, por razões sábias, fazer mais algum mal no mundo. Mas eles não podem fazer nada sem a sua permissão, e por fim eles serão trancados para sempre em sua prisão sombria, para nunca jamais sair dela nem incomodar a paz do governo de Deus sobre suas criaturas obedientes.

Eu tenho dito tudo isso sobre Satanás, minha querida criança, pois ele pode tentar você. Ele pode levá-lo a ter pensamentos e desejos perversos; e eu desejo que você saiba onde você deve buscar força para o vencer. Olhe para Jesus Cristo, a semente da mulher, que veio para esmagar a serpente de Satanás. Se você olhar para ele em busca de sua força, e confiar nele, - ele vai dá-la a você e "o Deus da paz esmagará a Satanás sob os seus pés"( Romanos 16:20). Lembre-se que Cristo já conquistou completamente esse grande inimigo de todo o bem, e que ele pode lhe capacitar a conquistá-lo também. Na força de Jesus Cristo, "resista ao Diabo, e ele fugirá de vós." (Tiago 4:7)
 
Para Colorir:
 
 
 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Biografias Selecionadas da História da Igreja - Parte 2


Iniciamos esta série de biografias com a vida de Idelette D'Bures, esposa de João Calvino. Penso que a vida de Idelette, por ser pouco conhecida e por ter sido, talvez, eclipsada pela vida e pelos feitos teológicos de Calvino, merece destaque como o exemplo de uma esposa que exerceu tão propriamente o seu papel de auxiliadora, que ela se contentou em ter o seu próprio nome ofuscado pelo nome do seu esposo.
A biografia abaixo foi retirada de um capítulo do livro "Grandes Mulheres da Reforma", de James I. Good, traduzido e publicado pela Editora Knox Publicações em 2009. Se você tiver interesse em adquirir o título completo, clique no link para a loja virtual da Knox Publicações: http://loja.knoxpublicacoes.com.br/products/grandes-mulheres-da-reforma.

Se você ainda não leu a 1a parte do artigo, clique aqui: http://macasdeouro.blogspot.com/2014/07/biografias-selecionadas-da-historia-da.html
 

IDELETTE D’BURES, ESPOSA DE CALVINO - PARTE 2

 
Mal havia Calvino casado, e ele logo teve de deixá-la. Ele foi intimado a ir a uma reunião nas conferências em Hagenau e Worms para prestar contas de questões políticas. Ele deixou, então, a sua esposa em Estrasburgo, aos cuidados do seu irmão Antoine, e de uma família chamada Richebourg, cujos filhos haviam sido seus pupilos. Mal tinha ele partido quando uma terrível peste surgiu em Estrasburgo. Mas o seu dever para com a causa Protestante que estava sendo ameaçada nessas conferências era mais forte que o seu dever para com a sua família, e ele não pôde voltar para casa.

Enquanto isso, a peste se enfureceu violentamente. O jovem Louis De Richebourg e Claude Ferey, um amigo íntimo de Calvino, logo morreram em virtude dela. Antoine, seu irmão, fugiu de Estrasburgo. Calvino, em agonia, checava as suas correspondências e esperava por notícias desta cidade, temendo o pior com relação à sua esposa. Ele escreveu a um amigo em Estrasburgo: “dia e noite eu vejo a minha esposa diante dos meus olhos, a qual está em meio a estes perigos sem ajuda ou conselho, pois o seu esposo encontra-se longe. Eu preciso fazer um grande esforço para resistir à minha pesarosa ansiedade. Eu tenho recorrido à oração e à santa meditação”. E as suas orações foram ouvidas, pois a vida de Idelette foi poupada, e ela pôde recebê-lo na sua volta à Estrasburgo.

Quando Calvino foi chamado novamente a Genebra, ele a deixou em Estrasburgo. O conselho de Genebra, depois, enviou três cavalos e uma carruagem para levar ela, a sua família e os seus pertences. Eles reservaram uma casa com um jardim ligado a ela para Calvino e sua esposa. Ali ela revelou as mesmas belas características de uma esposa fiel. Ela era grandemente dedicada ao seu marido. Como ele era naturalmente fraco e doente, ela o assistia ao lado da sua cama em sua doença, e o encorajava em momentos de fraqueza e depressão. Ela assim o tranquilizava grandemente em meio aos tremendos fardos dos seus labores.

Sem dúvida, nós devemos muito da abundância e da clareza dos pensamentos de Calvino ao gentil e fiel ministério de Idelette em casa. Muitas vezes, ela cuidava dele ao lado do seu leito à noite, sustentando a sua cabeça cansada, pois ele sofria de uma terrível dor de cabeça. Nas suas horas mais tristes, quando notícias adversas chegavam, ela o fortalecia e confortava. Quando os rebeldes se enfureciam nas ruas, levantando a voz contra os ministros de Genebra, ela se retirava ao seu aposento, caía em seus joelhos e orava. Como uma boa esposa de pastor, ela ainda visitava os doentes. Ela era sempre vista confortando aqueles que passavam por sofrimentos.

A sua casa era um asilo para os numerosos refugiados que vinham engatinhando para Genebra. Ela cuidava deles com tão bela hospitalidade que alguns chegavam a dizer que ela era mais cuidadosa para com os estranhos do que para com os próprios residentes de Genebra. Ela tinha prazer na companhia dos amigos de Calvino, especialmete de Farel, Beza e outros. Idelette acompanhava o seu esposo em suas caminhadas, as quais ele fazia apenas raramente para Cologny e Bellerive. A esposa de Viret era como uma irmã para ela, e em Maio de 1545, quando o seu esposo foi para Zurique a fim de incitar os distritos Germânicos a intercederem pelos Waldenses, ela visitou a esposa de Viret em Lausanne.

Mas ela passou também por grandes sofrimentos, os quais lhe trouxeram muita desventura e consequentes doenças. Um por um, os seus filhos foram sendo arrancados dela pela morte na infância. Em Julho de 1542, ela ficou muito doente, e Calvino estava grandemente alarmado. Ele escreveu a Viret: “Eu estou sofrendo de grandes ansiedades”. No mês seguinte, o seu bebê recém-nascido faleceu. Grande foi o pesar de Calvino. Escrevendo a Viret, ele diz: “Saudai a todos os irmãos – saudai também a sua esposa, a quem a minha envia o seu agradecimento pela doce e santa consolação que dela recebeu. Ela gostaria de escrever isso com suas próprias mãos para confirmar, mas ela mal teve forças para ditar algumas poucas palavras. Ao levar o nosso filho, o Senhor tem dolorosamente nos abatido, mas Ele é o nosso Pai. Ele sabe o que é mais adequado para os Seus filhos”. Desse modo escreveu Calvino, e me surpreende que, ainda assim, ele seja tido como alguém cujo coração estava na cabeça, ou que não possuía sentimentos carinhosos e profundos.

Dois anos depois disso, outro dos filhos que ela deu à luz veio a falecer, uma menina ainda bem pequena. E no outro ano, um outro bebê faleceu. Assim como a Raquel dos antigos, Idelette pranteou, no entanto, diferentemente de Raquel, ela não recusou ser confortada, pois o seu consolo era que eles estavam com Cristo, o que é muito melhor. Estes sofrimentos se tornaram ainda maiores em virtude dos Católicos acusarem que a morte dos seus filhos era castigo divino por eles serem hereges. Calvino e a sua esposa suportaram estas acusações com mansidão, e Calvino respondeu a eles que, embora ele não tivesse nenhum filho natural vivo, ele possuía miríades de filhos espirituais ao redor do mundo Cristão.

A vida de casada de Idelette durou apenas nove anos. A sua saúde nunca foi forte. Em 1549, estava evidente que ela estava ficando seriamente doente. Por três anos, ela sofreu de uma febre, a qual, juntamente com os seus demais sofrimentos, havia lhe abatido completamente. Calvino escreveu para Viret: “Eu temo um término fatal. O Senhor talvez nos mostrará um semblante mais favorável”. Mas os seus temores só provaram ser muito verdadeiros. Embora a sua esposa tivesse o melhor dos médicos, Textor, que era um refugiado e grande amigo pessoal de Calvino, ainda assim, todos os esforços desse médico não foram suficientes para curar a doença.

Ela foi gradualmente piorando, e por volta do dia primeiro de Abril, o seu estado se tornou tão sério que toda esperança de cura se evadiu. Beza e outros dos amigos de Calvino, logo que ouviram isso, se apressaram em ir até ele para confortá-lo. À medida que ela se aproximava da morte, apenas uma coisa parecia atormentá-la – os seus filhos do seu casamento anterior com Storder. Calvino, percebendo que ela estava atormentada, e adivinhando que essa era a razão das suas preocupações, prometeu que ele cuidaria deles como se eles fossem os seus próprios filhos. Ao que ela disse: “eu já os entreguei nas mãos do Senhor, mas eu bem sei que você não abandonará aqueles a quem eu tenho confiado ao Senhor”. Tendo este último cuidado sido retirado da sua mente, ela calmamente esperou pela morte. Embora sofrendo bastante, a sua face revelava a doçura da paz que reinava no seu interior.

O seu pastor Borgonius, que a visitou na noite do dia 4 de Abril[AL1] , fala da simplicidade da sua fé e da sua elevada esperança como verdadeiramente edificantes. “Ó gloriosa ressurreição!”, ela exclamou enquanto ele falava, e ainda: “Ó Deus de Abraão e de todos os nossos pais, os fiéis de todas as gerações têm confiado em Ti, e nenhum deles foi jamais frustrado. Eu, também, confio em Ti em todo o tempo”. Às seis horas, tendo os seus amigos a transportado para outro leito e sentindo-se muito fraca, ela disse: “Orem, meus amigos; orem por mim”. Calvino se aproximou dela; ela ainda o reconhecia. Ele falou a ela da graça de Cristo e daquela força que era aperfeiçoada na fraqueza. Ele a relembrou (embora a sua voz falhasse ao fazer isso) da bendita eternidade de alegria na qual ela estava prestes a adentrar. E então ele orou com ela, confiando-a ao Senhor, em Quem ambos criam. Por volta das nove horas do dia 5 de Abril de 1549[AL2] , ela cessou de respirar, mas ela faleceu tão pacífica e calmamente que aqueles que a assistiam ao seu leito não estavam certos se ela havia apenas dormido ou se havia falecido.

Calvino, escrevendo acerca dela para Farel e Viret, diz: “Eu perdi aquela que nunca teria me abandonado, fosse em exílio, ou na miséria, ou na morte. Ela foi uma preciosa ajuda para mim, e nunca se ocupava demais consigo mesma. A melhor das minhas companhias foi tirada de mim”. E sete anos depois, ao escrever para Valenville, um pastor Francês em Frankfort que também tinha perdido a sua esposa, ele diz: “Eu sei, por experiência própria, quão dolorosas e devastadoras são as feridas causadas pela morte de uma excelente esposa. Quão difícil tem sido para mim governar os meus próprios sofrimentos”. Calvino, por mais que os seus deveres o pressionassem agora mais do que nunca, ele nunca esqueceu Idelette – e nunca, nem por um só momento, pensou em preencher o seu lugar casando-se novamente. Sempre que ele pronunciava o seu nome, o tom da sua voz e a sua expressão revelavam o quão querida ela era para ele. Se o seu esposo, que era quem melhor a conhecia, pôde assim reverenciá-la e honrá-la, cabe a nós, então, honrar a sua memória como uma das mais verdadeiras e piedosas dentre as esposas dos reformadores – uma companheira à altura para Catharine Von Bora, esposa de Lutero, e para Anna Reinhard, esposa de Zwínglio.



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Série "Meu Livrinho de Religião" Livro 2: A PESSOA DE DEUS


Estou Aprendendo Sobre...
 
 
A Pessoa de Deus

 
Livro 2 - Aprendendo sobre
A Pessoa de Deus
 
Série "Meu Livrinho de Religião"
 
Por: Karis B. G. Anglada Davis
Professor: _________________
Aluno(a): _________________

 
 

LIVRO 2 - A Pessoa de Deus

Tema: A Trindade, O Ser de Deus, e o Caráter de Deus.

Versículo para Memorizar:

I Timóteo 1:17
"Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!"

Perguntas sobre a Pessoa de Deus no Catecismo para Crianças



P. 6– Existe mais de um Deus?
R. Existe somente um Deus.

 P. 7– Em quantas pessoas existe esse único Deus?
R. Em três pessoas.

 P. 8 – Quem são elas?
R. O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

P. 9 – Quem é Deus?
R. Deus é um espírito e não possui um corpo como os homens.

 P. 10 – Onde está Deus?
R. Deus está em toda parte.

P. 11 – Você pode ver Deus?
R. Não. Eu não posso vê-lO, mas Deus sempre me vê.

P. 12 – Deus sabe de todas as coisas?
R. Sim. Nada pode ser escondido de Deus.

P. 13 – Deus pode fazer tudo?
R. Sim. Deus pode fazer toda a Sua santa vontade.

 






 
UM SÓ DEUS

 
 A Bíblia nos diz que só existe um Deus verdadeiro (Leia Deuteronômio 6:4) Todas as outras pessoas ou imagens que as pessoas chamam de deus, podem ser os deuses deles, mas são ídolos falsos, não são o Deus verdadeiro que encontramos na Bíblia.
Deus é Espírito, não possui um corpo como nós, e por isso nós não podemos vê-lO. Mas isso não quer dizer que Deus não é real e verdadeiro. Há muitas coisas que existem de verdade, mas que nós não podemos ver, nem tocar. Por exemplo, o calor, o medo, a dor. (João 4:24; I Timóteo 1:17; Deuteronômio 4:15)

Os nomes de Deus na Bíblia nos revelam um pouco sobre quem Deus é: Deus é chamado também de o Senhor, o Todo-Poderoso, o Rei dos Reis.

A TRINDADE


Existe só um Deus verdadeiro, mas existem três pessoas nesse único Deus. Essas três pessoas não são três deuses, mas um só Deus. As três pessoas da Trindade são: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. (Mateus 28:19; I João 5:7; Gênesis 1:26ª)
Cada pessoa da Trindade é diferente e distinta uma da outra, e às vezes fazem trabalhos diferentes. Por exemplo, foi Deus Pai quem escolheu desde a eternidade aqueles que seriam os seus eleitos. A Pessoa da Trindade que veio a esse mundo com corpo humano foi Deus Filho, Jesus. E no dia de pentecoste foi Deus Espírito Santo que desceu sobre os crentes em forma de chama de fogo.

Isso é um mistério para nós. Não podemos entender como é que podem existir três pessoas, que fazem e dizem coisas diferentes uma da outra, mas que formam apenas um único Deus. Mas sabemos que isso é verdade pois Deus nos diz isso na Bíblia. (II Coríntios 13:14; I Pedro 1:2)

Abra a sua Bíblia: Na História do Batismo de Jesus que lemos em Mateus 3:13-17 nós encontramos as três pessoas da Trindade fazendo ou dizendo alguma coisa diferente da outra. O que Deus Pai está fazendo e falando? O que Jesus está fazendo? O que o Espírito Santo está fazendo?

QUALIDADES DO SER DE DEUS


Quem é Deus? Como Ele é? Como é a Sua Pessoa? Quais são as suas características?  Deus não tem características ruins, tudo sobre Ele é bom e perfeito. As qualidades ou atributos de Deus são as perfeições de Deus. Se nós queremos conhecer a Deus, e como é a Sua Pessoa, nós estudamos sobre os atributos de Deus. Vamos estudá-los agora.

1- Deus é Independente. Ele não precisa de nada que está fora dEle. Ele não precisa de nada, não precisa do que Ele criou, e nem precisa de nós ou da nossa ajuda. Ele é feliz e satisfeito só com Ele mesmo. Nós somos tão diferentes, pois precisamos de muitas coisas que estão fora de nós, como o ar que respiramos, a comida que nos alimenta, os nossos pais que cuidam de nós, etc. (Atos 17:25)
2 - Deus é Eterno. Ele não tem começo, nem fim. Ele sempre existiu e vai viver para sempre. Deus nos criou semelhantes a Ele, pois ele nos criou com uma alma eterna, que nunca vai morrer, mas nós não existimos desde sempre, nós fomos criados. Deus nunca foi criado, ele existe de eternidade a eternidade. (Salmo 90:2)
3 - Deus é Onipresente. Ele está em todos os lugares ao mesmo tempo. Nós, com o nosso corpo, só podemos estar em um lugar de cada vez. Mas Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo.  É importante sabermos disso porque:
- quando estamos com problemas, podemos sempre clamar e orar a Deus, de qualquer lugar. Ele está sempre conosco e nos ouve.
- Deus sempre nos vê quando fazemos coisas erradas. Não podemos esconder nada de Deus. Quando ninguém está perto, Deus está ali. Ele está em todo lugar. (Jeremias 23:24)
4 - Deus é Imutável. Ele nunca muda. Deus não fica velho e não muda de idéia como nós mudamos. (Malaquias 3:6ª).
5 – Deus é Onisciente. Ele sabe de todas as coisas. Deus não é como nós, que precisamos aprender. Mesmo que estudemos a nossa vida toda, sempre existirá muitas coisas que ainda não sabemos. Mas Deus sabe de tudo. Ele conhece até os nossos pensamentos. (Salmo 139:1-2).
6- Deus é Onipotente. Ele pode todas as coisas. Isso quer dizer que Deus tem todo o poder: para criar tudo do nada, para fazer milagres, curar doentes, mandar na natureza, e até ressuscitar mortos. Nada é impossível para Deus. (Mateus 19:26b).


ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS


Os atributos ou características morais de Deus têm a ver com o caráter de Deus, com a sua boa vontade. Mesmo que o Ser de Deus fosse tão poderoso e maravilhoso como vimos, seria terrível se Deus tivesse um caráter ruim, mau, falso, perverso ou injusto. Mas podemos louvar e dar graças a Deus pois Deus é bom, santo, amoroso e justo.
Os atributos morais de Deus são o amor, a veracidade, a santidade e a justiça.
1- DEUS É AMOR. (I João 4:8, 16) Isso significa que Deus nos ama e quer o nosso bem. Não podemos compreender bem esse amor de Deus, porque ele é tão diferente do nosso amor. Mas se o Espírito Santo nos revelar o amor de Deus, então poderemos não só conhecer, mas até experimentar e sentir o amor de Deus! Vamos estudar um pouco mais sobre o maravilhoso amor de Deus?

Quem Deus ama?

- Jesus. Deus ama o Filho desde a eternidade. (João 17:25; Mateus 3:17)
- O mundo. Deus ama todas as suas criaturas, em especial os seres humanos.
- Os eleitos. Deus ama a Igreja de modo especial, mesmo antes de serem convertidos (Efésios 2:4,5; I João 3:1), a ponto de os salvar e até os adotar como seus próprios filhos.

Como é o amor de Deus?

- É soberano e independente. Deus ama porque ele quis amar, não porque merecemos ser amados.
- É infinito, ilimitado. O amor de Deus é maior do que podemos imaginar (Efésios 3:18-19)
- É eterno. Não tem começo, nem fim. (Jeremias 31:3)
- É imutável. Deus nos ama sempre e nos amará até o fim, mesmo que Ele não se agrade dos nossos pecados.

Como Deus revela o seu amor a nós?

Nós podemos ver o amor de Deus quando vemos a Sua bondade, a sua misericórdia, a sua paciência e a sua graça para conosco.

- Bondade. Deus é bom para conosco e dEle recebemos tudo que é bom. Ele só nos dá e só faz conosco o que é bom. Isso nos deve levar à gratidão e adoração e nos fazer bondosos para com os outros.
- Misericórdia. A misericórdia de Deus é como uma profunda dor na alma de Deus pelos sofrimentos da sua criação e especialmente pelos do seu povo. Ele sente nossas dores, pois ele não nos criou para sofrer. Nós sofremos por causa do nosso pecado.
- Paciência. Deus é paciente quando nós pecamos, e não nos castiga logo. Ele tem o poder de agüentar a sua ira e a sua justiça. Ele suporta grandes ofensas e não se vinga imediatamente. Deus tolera o pecado. Nós devemos ser assim também quando outras pessoas nos ofendem. (Salmo 105:8; Salmo 86:15)
- Graça. A graça de Deus é a vontade que Deus tem de salvar pecadores que não merecem. É a misericórdia que Deus tem dos seus eleitos. (Efésios 2).

 
2- DEUS É VERDADEIRO. Deus é o único Deus verdadeiro e fiel cumpridor de suas promessas (João 17:3; Deuteronômio 32:4). Deus nunca mente, nunca engana, podemos sempre confiar nele. Deus é fiel e verdadeiro em tudo o que nos diz na Bíblia, em tudo que ele promete; Ele é fiel em nos perdoar e nos salvar até o fim.

3- DEUS É SANTO. Quando alguma coisa é santa significa que ela é separada das outras coisas, diferente das outras,  é pura e especial. Deus é um ser único, distinto e separado de todos os outros seres e exaltado acima de todos. Deus também é separado de todo pecado, erro, falta ou injustiça. Por isso, Deus odeia o pecado, e por isso Jesus precisou morrer para nos salvar. E nós também devemos ser santos e separados do pecado, porque Deus é santo. (Levítico 11:44, 45)

4- DEUS É JUSTO. Deus é justo e reto. Ele é a Lei maior. As suas leis são justas e Deus é um rei justo e um juiz justo que pune o pecado e recompensa as pessoas que buscam a justiça. Ele é justo conosco e Ele nos julga.  E a Bíblia diz que um dia Ele julgará todo o mundo com justiça (Salmo 119:142). Devemos louvar a Deus pela sua justiça e devemos também ser justos para com o nosso próximo.

 


O PLANO ETERNO DE DEUS


A Bíblia nos diz também que Deus tem um plano eterno que inclui e governa todas as coisas e todas as pessoas. Deus é Soberano. Ele criou todas as coisas e governa tudo de acordo com a Sua vontade. Deus decretou desde sempre tudo o que acontece. Tudo está nos planos de Deus. Ele sempre vai fazer a sua vontade santa e perfeita. Não acontece nada que Deus não saiba e não tenha decretado. (Isaías 14:24-27; Isaías 46:9-11)
Deus reina sobre a vida de todas as pessoas e cuida de todas as suas criaturas. Ele nunca é tomado de surpresa pelas coisas que acontecem, porque desde a eternidade Ele planejou e estabeleceu todas elas. Mas isso não quer dizer que Deus inventou ou planejou o pecado, nem que Deus nos obriga a agir contra a nossa vontade.
O Plano Eterno de Deus é realizado “em Cristo” e visa sempre a glória de Deus.

Todos essas características da Pessoa de Deus, juntas, formam a Glória de Deus. Somente o nosso Deus é grande e glorioso, poderoso e soberano sobre tudo o que acontece; por isso Ele é chamado de Altíssimo, Rei, e Senhor, e por isso devemos ter grande reverência e temor ao falarmos sobre a Sua Pessoa, ao mencionarmos o seu nome, a sua palavra e as suas obras.  Devemos também ficar impressionados com a Sua Majestade, e servir a Ele em amor, humildade e obediência, vivendo sempre para mostrar e falar da Sua Imensa Glória.

 
REVISÃO DO CAPÍTULO


Os alunos podem tentar responder essas perguntas mentalmente, ou sortear algumas para responder por escrito. O professor pode também selecionar algumas delas para compor um teste, ou distribuí-las entre os alunos.

 
  1. Muitas pessoas acreditam que existem vários deuses. O que a Bíblia diz sobre isso? Esses deuses são verdadeiros?
  2. O que significa dizer que Deus é Espírito?
  3. Se não podemos ver Deus com os nossos olhos, nem tocá-lo com nossas mãos, isso significa que Deus não é real?
  4. Dê exemplos de outras coisas que nós não podemos ver ou tocar.
  5. Você pode dizer um outro nome que a Bíblia dá para Deus e o que ele significa?
  6. Complete: Há apenas ______ Deus. Nesse Deus existem ______pessoas diferentes. Chamamos isso de  ___________________.
  7. Complete: As três pessoas da trindade são: _____________,______________,______________________.
  8. Quando Jesus foi batizado, como podemos ver ou ouvir: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo?
  9. Como podemos saber que as pessoas da Trindade são diferentes e não se confundem? Você vê cada uma fazendo coisas diferentes?
  10. Diga uma coisa que só Deus o Pai fez.
  11. Diga uma coisa que só Deus o Filho fez.
  12. Diga uma coisa que só o Espírito Santo fez.
  13. Nós podemos entender a Trindade? Como sabemos que é isso é verdade?
  14. O que são os atributos de Deus?
  15. Diga os seis atributos do Ser de Deus.
  16. O que é ser independente?
  17. O que é ser eterno?
  18. O que é ser onipresente?
  19. O que é ser imutável?
  20. O que é ser onisciente?
  21. O que é ser onipotente?
  22. Quando falamos em bom ou mal, verdadeiro ou mentiroso, santo ou impuro, justo ou injusto, estamos falando de características pessoais (do ser de alguém) ou morais (do caráter de alguém)?
  23. Quais são os quatro atributos morais de Deus?
  24. Quem Deus ama?
  25. Dê uma característica do amor de Deus.
  26. Como você pode saber que Deus ama alguém ou alguma coisa? Como Deus revela o seu amor a nós?
  27. O que significa dizer que Deus é verdadeiro?
  28. O que é ser santo?
  29. Deus é separado do que?
  30. Complete: Um juiz justo é aquele que __________ o pecador e _______________ o justo.
  31. Como chamamos a vontade, os planos e o eterno propósito de Deus?
  32. Deus é tomado de surpresa por algum acontecimento?
  33. A vontade de Deus é sempre boa?
  34. Complete: O Plano eterno de Deus visa sempre a _____________ de Deus.
  35. Pare e pense na história bíblica da criação do mundo e do homem, e da queda de Adão e Eva. O que aprendemos nessa história sobre os atributos pessoais e morais de Deus? Quais os atributos de Deus que a Bíblia nos revela nessa história?
  36. Qual dos atributos de Deus mais impressiona você? Por quê?
  37. Quando estudamos sobre Deus, qual deve ser a nossa atitude, a nossa resposta?

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Biografias Selecionadas da História da Igreja - Parte 1

Iniciaremos hoje uma nova série no blog: a série de Biografias Selecionadas da História da Igreja. As vidas daqueles que nos precederam são sempre um interessante objeto de estudo, e mais ainda quando elas vêm a ser também nossos irmãos e irmãs em Cristo. Quantas valiosas lições podemos aprender com as suas mais diversas experiências durante as suas jornada na vida cristã!

Já fazem alguns anos que tenho trabalhado em traduções de biografias de grandes servos de Deus e desejo agora disponibilizar algumas destas biografias em uma nova série de postagens. Os personagens avulsos que serão aqui abordados incluem ministros reformados, missionários evangélicos, esposas e filhos destes ministros, personagens reais do período da Reforma Protestante, cientistas, médicos e estudiosos cristãos históricos, bem como crentes ordinários que não se tornaram tão conhecidos, mas que serviram fielmente ao Senhor em suas respectivas vocações.

Não tentarei organizá-los em ordem cronológica, visto que isso impediria o retorno a determinado período da história da Igreja. Trataremos de vidas muito diferentes, de culturas diversas, de personagens que atuaram nas mais distantes e remotas áreas do mundo, provenientes de épocas tão distintas, contudo, todos partilhavam a mesma fé, e este é o vínculo que nos une a elas: a fé em Cristo e o serviço ao reino de Deus.

Que as vidas de cada um destes nossos irmãos (ou irmãs) em Cristo possa nos informar um pouco melhor sobre o período no qual eles viveram, sobre a perseguição a qual se submeteram, e sobre o Salvador que os sustentou e livrou, de modo que venham a nos inspirar a seguirmos não somente os seus bons exemplos, mas também ao seu Senhor e Salvador!

Soli Deo Gloria.



 
Iniciaremos esta série de biografias com a vida de Idelette D'Bures, esposa de João Calvino. Penso que a vida de Idelette, por ser pouco conhecida e por ter sido talvez eclipsada pela vida e pelos feitos teológicos de Calvino, merece destaque como um exemplo de esposa que exerceu tão propriamente o seu papel de auxiliadora, que ela se contentou em ter o seu próprio nome ofuscado pelo nome do seu esposo. 
A biografia abaixo foi retirada de um capítulo do livro "Grandes Mulheres da Reforma", de James I. Good, traduzido e publicado pela Editora Knox Publicações em 2009. Se você tiver interesse em adquirir o título completo, clique no link para a loja virtual da Knox Publicações: http://loja.knoxpublicacoes.com.br/products/grandes-mulheres-da-reforma.


IDELETTE D’BURES, ESPOSA DE CALVINO - PARTE I
A esposa de Calvino é uma figura quase desconhecida, mas muito interessante e digna de um lugar de grande proeminência entre as mulheres da Igreja Reformada. Calvino não pensou em casamento até os seus trinta anos de idade, quando ele veio a Estrasburgo, em 1539. Foi então que ele teve mais tempo livre para considerar esta importante questão. Os seus amigos também o pressionaram para casar. Os seus bem-intencionados amigos tinham ansiosamente se preocupado com isso desde muito antes que ele próprio; visto que ele já tinha mais de trinta anos de idade quando começou a seriamente considerar essa questão.
Uma serva irada o fez pensar em procurar por uma esposa. Pois ela tinha um temperamento tão doentio, que um dia ela falou com tanta impertinência a Antoine, irmão de Calvino, que ele deixou a casa dizendo que nunca mais entraria ali enquanto ela estivesse lá. Ao que ela replicou: “Então eu também vou embora”; e ela deixou Calvino sem ninguém para auxiliá-lo. Assim, desejando livrar-se das preocupações mais triviais da vida, a fim de que pudesse se dedicar mais plenamente ao trabalho do Senhor, ele começou a procurar pela pessoa mais adequada para ser sua esposa; ou melhor, ele deixou que os seus amigos a procurassem por ele, pois pensou que eles saberiam escolher melhor do que ele próprio. Mas Calvino reservou para si mesmo a decisão final quanto a esta questão.
 Aparentemente, ele recebeu a recomendação de várias moças. “Foi-me oferecida”, ele escreveu para Farel, o seu amigo mais chegado, “uma moça que era rica, jovem e de nobre nascimento, e cujo dote excedia a tudo o que eu poderia desejar. Duas coisas, no entanto, me incitaram a recusá-la: o fato de ela não falar francês, e de me parecer que ela se orgulhava demais do seu nascimento e da sua educação.”
A maior dificuldade que Calvino experimentou foi com relação às qualidades morais da pessoa que ele procurava. Ele olhava para além da mera beleza de rosto ou de forma física, e buscava por verdadeira beleza de alma. Ele diz que “ele desejava uma esposa que seria gentil, pura, modesta, econômica, paciente, e para quem o cuidado do seu esposo fosse a questão principal”; provavelmente, devido à sua debilitada saúde, ele sentia necessidade especial do último requisito mencionado. Ele evidentemente tinha um elevado ideal da esposa que desejava. De fato, tem sido dito que o seu casamento não foi tanto de coração quanto foi de cabeça; e que foi realizado não apaixonadamente, e sim mais como uma questão de negócio. Ele tem sido considerado, portanto, como um esposo frio, porém gentil. E isso parece, em algum sentido, natural para alguém como Calvino, que era tão eminentemente intelectual. E mesmo assim, D’Aubigne diz: “Esse fato me parece duvidoso; pois uma vez casado, ele tinha uma genuína afeição pela sua esposa. Havia no seu casamento, cremos nós, um enorme intelecto e um gênio sublime, mas também aquele amor familiar e aquelas afeições do coração que completam o homem.”
Estes altos ideais de Calvino só revelam o quão elevado deve ter sido o caráter de Idelette De Bures (Van Buren), para ter sido capaz de preenchê-los. Quando Calvino já havia procurado por uma esposa até estar prestes a desistir, Bucer chamou a sua atenção para Idelette, visto que Bucer a conhecia pela sua piedade, sua atenta delicadeza e ternura, e poder de auto-sacrifício como esposa, viúva e mãe. Ela havia fugido de Liege por amor à sua fé Protestante, e havia casado com John Storder, que fora um Anabatista, mas ambos haviam sido convertidos à fé Reformada por meio dos esforços de Calvino. Desse modo, Calvino havia sido apresentado a ela antes da morte do seu esposo. Aparentemente, porém, ela estava vivendo de forma tão reclusa, que ele não pensou nela de início. Ele, no entanto, veio a notar a sua fé profundamente estabelecida e a sua devota afeição e coragem cristã, as quais a haviam feito desistir de tudo pela sua fé. Foi então que Calvino a pediu em casamento, e ela aceitou.
O casamento ocorreu em primeiro de Agosto de 1540. Foi uma cerimônia grande e pública; algumas das cidades suíças, tais como Neuchatel, foram representadas por deputados. Os amigos de Calvino na França também compareceram ao casamento. Calvino estava muito feliz depois do casamento. Ele chamou Idelette de “a excelente companheira da sua vida, e sempre fiel assistente do seu ministério”. Ele acreditava no que a Bíblia diz: “aquele que acha uma esposa, acha o bem, e obteve a benevolência do Senhor”. D’Aubigne chama atenção para o fato de que o motivo pelo qual nós sabemos tão menos sobre ela do que sabemos sobre a esposa de Lutero é porque Calvino escreveu bem menos sobre ela. E ele fez isso propositadamente, pois o que Calvino mais apreciava em seu coração com relação a ela era a sua modéstia. Ele, portanto, tinha um senso tão forte do que é conveniente, que preferiu não a expor em suas cartas ou em seu trabalho mais do que ela gostaria que ele o fizesse. Para ele, também, tudo era governado pela preocupação com a obra de Cristo, e todos os seus assuntos privados e domésticos eram eclipsados por isto. Por esta razão é que ele escreveu menos sobre ela do que Lutero e, portanto - infelizmente para nós -, sabemos tão pouco sobre ela. Mas até mesmo este silêncio já é, em si próprio, um belo tributo ao seu caráter.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

As Seis Letras "C" do Ensino de Língua por uma Perspectiva Cristã - Parte II

Esta postagem consiste na segunda parte de um artigo postado no site da revista Reformed Perspective (Perspectiva Reformada), traduzido com permissão dos editores. Se você deseja ler o artigo original, visite o endereço: http://reformedperspective.ca/resources/44-christianed/55-english.

Os tópicos mencionados neste artigo (todos iniciados com a letra C) fornecem um resumo básico do que nós podemos chamar de uma visão cristã sobre o ensino de lingua/gem. Embora ele tenha sido escrito visando o ensino da Língua Inglesa como língua materna, o leitor verá que tais princípios se aplicam também para o ensino de Língua Portuguesa ou mesmo de línguas estrangeiras.

Se você ainda não leu a Parte I, clique aqui: http://macasdeouro.blogspot.com/2014/07/ensino-de-lingua-por-uma-perspectiva.html


"Este artigo foi trazido a você pela letra C: Ensinando Inglês por uma Perspectiva Cristã"

(Jeff Dykstra)



Contra-cultural

Embora a educação reformada nas artes da linguagem seja cultural, ela também é contra-cultural. Por exemplo, eu uso a obra “Profeta”, de Frank Paretti, [novela cristã, lançada em 1992, que trata de como a mídia cobre o tema do aborto] como um recurso comunicativo na minha classe de Ensino Médio, na unidade sobre jornalismo e cobertura de notícias. A novela merece ser estudada por dois motivos: Primeiramente, ela lança interessante luz sobre como o jornalismo pode ser empacotado de modo a promover diferentes agendas. Em segundo lugar, a novela tem as suas próprias fraquezas, vindo de um ponto de vista carismático e discutivelmente arminiano, o que pode promover discussões sobre como exatamente o espírito Santo age entre o Seu povo, e como Deus opera a Sua soberania na salvação do homem. Depois de analisarmos ambos estes assuntos por uma perspectiva bíblica, eu desafio os alunos a responderem concretamente aos erros da nossa cultura, escrevendo uma carta ao editor e/ou um ensaio crítico ou persuasivo.

Criatividade

O desafio de se responder concretamente, tanto a Cristo, quanto à cultura, nos trás ao quinto elemento da educação reformada nas artes da linguagem: a criatividade. Embora nós devamos testar (e desafiar) os espíritos da nossa época, nós não podemos parar com uma abordagem puramente crítica e negativa. Nós devemos também ser positivos, utilizando os nossos talentos comunicativos para glorificar a Deus e para a edificação dos nossos próximos. É por isso que os alunos, em cada série das minhas aulas de Inglês, devem apresentar alguma obra-prima para ser publicada (ou ao menos considerada para publicação), por alguma instituição fora da escola. Há vários lugares aos quais podemos pedir publicação: o concurso anual do Dia da Lembrança (Remembrance Day) e vários concursos de poesia, revistas como a “Perspectiva Reformada” (Reformed Perspective) e a “Digestão do Leitor” (Reader’s Digest), e livros como “Canja de Frango para a Alma” (Chicken Soup for the Soul). Tendo ou não a sua obra publicada, cada aluno deve escrever uma redação lidando com os problemas enfrentados neste processo de edição e publicação do seu trabalho.   

Cooperação

O aspecto do ensino de língua cristão que eu penso ser o mais difícil de se executar é a sua natureza comunal e cooperativa. Quando um bebê é batizado, a promessa da aliança de Deus para este bebê é testemunhada por toda a congregação, a qual é o corpo de Cristo. Dois capítulos da Bíblia lidam extensivamente com a questão de como os membros desse corpo são necessários para o bem uns dos outros: Romanos 12 e I Coríntios 12. A juventude da aliança deve ser treinada para buscar o bem de toda a congregação, para trabalhar conjuntamente, para edificar uns aos outros. Infelizmente, a natureza realmente humana dos alunos muitas vezes torna isto difícil, visto que os projetos em grupo – a montagem de uma assembleia, a formação de uma peça teatral ou a apresentação dramática para a leitura de um poema – frequentemente significam que alguns tentarão pegar carona nas costas de outros. Isso pode ser evitado dando-se a cada membro do grupo um papel e uma responsabilidade distinta (como no corpo de Cristo); cimentando-se a coesão entre os grupos com atividades de edificação do time; designando aos grupos tarefas menores com maior supervisão inicial, e designando trabalhos de grupo que possam ser realizados fora dos muros da escola. Por exemplo, os alunos podem ser orientados a escreverem as memórias dos membros idosos da sua própria congregação, para uma antologia de anedotas sobre vários momentos da história, requerendo-se assim que os alunos trabalhem com pessoas com quem eles talvez raramente falariam, se falassem, não fosse por trabalhos como este.

A parte mais desafiadora, ao se ressaltar este aspecto comunal da comunicação, contudo, se encontra no encorajamento de alunos mais bem dotados a apoiarem os seus co-aprendizes/colegas sem que eles mesmos sofram um curto-circuito no seu aprendizado. O melhor modo de encarar este desafio é assegurar-se de que as tarefas dadas pelo professor aos alunos são suficientemente significativas e levam em consideração a participação de todos. Contudo, igualmente importantes são os tipos de exemplos que os alunos tem visto da cooperação cristã no interior de suas escolas, igrejas e famílias. Quão bem nós, como adultos, temos exemplificado o modelo de uma atitude paciente com relação aos que são mais fracos, sem nem os ignorarmos, como a nossa sociedade competitiva e individualista nos tenta a fazer, e nem tomar deles a sua independência?

Conclusão
Como você pode ver, a educação Reformada nas artes da linguagem é um desafio colossal, o qual requer cuidado, compromisso, compaixão e consistência. O professor reformado deve não somente ensinar com eficácia, mas também dar o exemplo dos valores que deseja ensinar. Isso só pode ser feito - e ainda assim com muita deficiência (com a qual eu estou simplesmente muito familiarizado) – pela obra do Espírito Santo, pela Palavra e a oração, e no contexto da comunhão dos santos. Eu gostaria muito de ouvir de qualquer um dos meus santos-colaboradores afora se estes pensamentos tocaram alguma corda certa (pronto, eu terminei com uma palavra que se inicia com a letra “C”).   

terça-feira, 8 de julho de 2014

As seis letras "C" do Ensino de Língua por uma Perspectiva Cristã - Parte I

Nota da tradutora:

Para os leitores interessados na área da linguagem e do ensino de língua, esta postagem consiste na primeira das duas partes de um artigo postado no site da revista Reformed Perspective (Perspectiva Reformada), traduzido com permissão dos editores. Se você deseja ler o artigo original, visite o endereço: http://reformedperspective.ca/resources/44-christianed/55-english.

Os tópicos mencionados neste artigo (todos iniciados com a letra C) fornecem um resumo básico do que nós podemos chamar de uma visão cristã sobre o ensino de lingua/gem, e daí a sua relevância para os profissionais desta área. Embora ele tenha sido escrito visando o ensino da Língua Inglesa como língua materna, o leitor verá que tais princípios se aplicam também para o ensino de Língua Portuguesa ou mesmo de línguas estrangeiras.
 


"Este artigo foi trazido a você pela letra C: Ensinando Inglês por uma Perspectiva Cristã"

(Jeff Dykstra)

Como cristãos, nós somos corretamente gratos pelo que é trazido a nós pela letra C: as letras A e B, e as letras D até Z, através das quais nós podemos ler a Palavra de Deus. A nossa cultura também valoriza tanto as habilidades da leitura e da escrita que ela apoia o ensino dessas habilidades pelas escolas públicas, assim como as demais habilidades relacionadas a elas, como a escuta, a fala, a visão (ou “leitura” de imagens visuais), e a representação (comunicação por meio de imagens visuais). Nós temos razões ainda mais fortes para valorizar a linguagem e a comunicação, visto que nós conhecemos um Deus pessoal, que comunica o Seu amor e a Sua glória a nós. Então, como um professor Reformado pode viver a sua fé e capacitar os seus alunos a viverem a sua fé na sala de aula de linguagem?

Bem, como não é de se surpreender, dado o título deste artigo, há (pelo menos) seis elementos diferentes que fazem a aula de linguagem por uma perspectiva reformada ser distinta, todas começando com a letra C.

Centrado em Cristo

Em primeiro lugar, o ensino reformado das artes da linguagem deve ser verdadeiramente cristão, ou para colocar de modo ainda mais enfático, centrado em Cristo. Obviamente, isso é verdadeiro com relação a toda a educação reformada, mas o que isso realmente significa na sala de aula de linguagem? Para começar, isso significa que o nascimento de Cristo, a sua morte, a sua ressurreição, a sua ascensão e o seu reinado devem estar no centro das nossas discussões literárias e sobre a vida.  

Na “Lista de Schindler”, por exemplo, Oskar Schindler é frequentemente mencionado como um tipo de salvador, já que as suas fábricas ajudaram a manter muitos judeus fora dos campos de concentração. Uma discussão cristã do filme (ou do romance sobre o qual este se baseia) perguntará como Schindler falhou no ofício de “salvador”, e procurará lidar com a dúvida se Schindler mesmo chegou a reconhecer, direta ou indiretamente, a sua própria necessidade do Salvador. Outros tipos de literatura ou excluem a possibilidade de salvação ou até mesmo a necessidade dela (quando o homem é visto como “naturalmente” bom), ou a mostra de forma menos direta, como sendo consumada pelos atos heroicos de algum personagem (ou por sua “decisão” por Cristo). Um professor reformado discutirá com os seus alunos como reagir aos falsos evangelhos da nossa cultura, e demonstrará como até mesmo estes falsos evangelhos revelam a necessidade do verdadeiro Salvador.  Finalmente, os professores de linguagem reformados demonstrarão e ascenderão uma paixão pelo tipo de literatura que reconhece completamente a nossa necessidade de salvação pela graça de Deus somente, e que evidencia o fato de Cristo ser, ao mesmo tempo, nosso Salvador e Senhor.

Covenantal (Centrado na Aliança)

A instrução nas artes da Linguagem também é centrada na aliança. Como? Eu não estou me referindo simplesmente ao fato de que o professor reformado ensina crianças que são filhos da aliança (embora isso seja verdadeiro). O meu ponto é que a nossa comunicação deve ser uma resposta de gratidão (que é a nossa obrigação) pelo Seu amor (de acordo com a Sua promessa). Isso não significa que nós não possamos escrever para a reflexão pessoal ou para o entretenimento. Isso significa, contudo, que os nossos escritos mais pessoais refletirão mais do que se simplesmente nós estamos alcançando os nossos próprios “objetivos pessoais” – algo que o currículo governamental aceita como e sugere ser o foco primário da reflexão pessoal. Ao contrário, os alunos deveriam aprender a explicitar o seu entendimento da sua relação com Deus – que consiste em “meditar nos teus preceitos e considerar os teus caminhos” (Sl. 119: 15) – e com os seus próximos por meio Dele. Naquilo que concerne à nossa comunicação com os outros, o nosso alvo básico deveria ser “falando a verdade em amor” (Ef. 4:29). Por exemplo, os romances “Peace Shall Destroy Many” (A Paz destruirá a Muitos) e “The Chosen” (O Escolhido) ambos lidam com o esforço por parte de comunidades religiosas isoladas para lidar com o crescente secularismo da sociedade na qual elas existem. A resposta dada por elas é a de se retrair dessa cultura – uma ideia que é claramente inferior a sermos inteiramente fiéis. Um professor de língua reformado encorajará a discussão em classe, a escrita de diários, apresentações e composições sobre “se” e “como” nós caímos como presas dessa tentação de nos retrairmos dessa cultura, e sobre o que nós podemos fazer com relação a essa situação de falha em sermos sal na terra e luz no mundo.

Cultural

A educação na sala de aula de linguagem por uma perspectiva reformada também é cultural. Eu já tenho mencionado que, como Jesus ordena em Mateus 5: 13-16, nós devemos estar envolvidos com o mundo ao nosso redor. Para fazermos isto, nós precisamos conhecer a cultura na qual vivemos – os seus ídolos, e como nós mesmos podemos muito bem acabar ficando demasiadamente impressionados por eles. Para ganhar esse conhecimento, nós estudamos a literatura – tanto a literatura contemporânea, para obtermos um vislumbre da nossa própria cultura, quanto os “clássicos”, para um vislumbre das raízes que formaram as ideias e atitudes atuais. Uma outra razão para o estudo dos clássicos foi dada por C. S. Lewis, o qual recomendou que fossem lidos dois livros antigos para cada livro atual que nós lemos. Por quê? Porque como um peixe em um aquário, nós estamos vivendo no interior da nossa cultura, de modo que podemos nem sequer ver os seus erros claramente. Lewis disse que a leitura das obras do passado é como colocar novos óculos, visto que ao mesmo tempo em que os antigos autores também erraram, os seus erros eram diferentes – os quais nós frequentemente já aprendemos a enxergar. Ao mesmo tempo, os autores antigos viram coisas sobre a pureza, o amor, e a piedade para as quais a nossa própria cultura já pode nos ter cegado.