“Como Maçãs de Ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Pv. 25.11)

“Feliz o homem que acha a sabedoria e o homem que adquire o conhecimento;
... é Árvore de Vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm." (Pv. 3:13,18)

terça-feira, 28 de junho de 2016

Lançamento do CD: DEUS ME FEZ: PARA A SUA GLÓRIA!




Caros leitores,

É com muita gratidão e louvor ao nosso Deus que anunciamos o lançamento deste tão esperado álbum para crianças, baseado no Catecismo de Westminster. Acreditamos que as verdades contidas neste catecismo expressam o ensino bíblico geral e precisam ser ensinadas e memorizadas pelas nossas crianças, seja de maneira informal, pelos pais, seja de um modo mais aprofundado e estruturado, como parte do currículo de escolas cristãs, escolas dominicais e de homeschooling.  Não há aprendizagem mais útil a elas do que a das verdades ali expostas.

CD Original de Judy Rogers
"Why Can't I See God?"
Desde que tivemos nossos primeiros filhos, sentimos a falta de canções infantis com um conteúdo bíblico profundo, e que expressassem as grandes verdades do evangelho de uma forma simples e alegre, e, ao mesmo tempo, reverente a Deus e à Sua Palavra. Quando descobrimos, pela influência da família dos nossos esposos, o CD da cantora Judy Rogers “Why Can’t I See God?”, copyright 1985, 1995, encontramos ali músicas infantis com belas melodias e arranjos musicais, e conteúdo bíblico excelente, baseado nas perguntas e respostas do Catecismo Menor de Westminster, adaptado para crianças. Embora este Catecismo não seja cantado na íntegra neste álbum, todas as canções foram escritas com o propósito de incluir todas as verdades principais ali contidas. 

Foi ao longo de aproximadamente dois anos que se realizou o trabalho de tradução e adaptação das canções para a língua portuguesa, e da poetização e metrificação de todas as músicas. Durante este período, a compositora e cantora norte-americana Judy Rogers graciosamente nos concedeu os direitos de tradução e produção do seu álbum para o português, em resposta ao pedido da Sra. Margareth Davis, em Abril de 2014.

Quando compartilhamos com amigos e irmãos o nosso projeto de disponibilizar essas músicas em português, fomos grandemente encorajados pelos membros da nossa congregação IPB Boas-Novas, em Rondon do Pará. Mencionamos em especial o apoio constante de nosso pastor, Isaías, e de sua esposa, Sidiane, a qual prontamente apresentou o projeto a seu irmão, o músico e violonista Hugo Júnior que, para a nossa alegria, se interessou pelo projeto e começou a trabalhar na produção e adaptação dos arranjos musicais ao público brasileiro, em parceria com a cantora Edinésia Moraes. 

Crianças da Congregação IPB Boas-Novas
Mas foi apenas nos últimos três meses que Deus surpreendentemente parece ter colocado no coração de todos nós o desejo de ver esse projeto finalizado. Nosso sonho, que parecia impossível até às vésperas da gravação, era ter o CD pronto para ser lançado no início de Julho, no simpósio "Os Puritanos" em Belem-PA, que é o maior evento de promoção da fé reformada no Norte do Brasil. Que podemos dizer senão que foi nosso bondoso Deus quem fez tudo acontecer! Como estamos surpreendidos e alegres pela maneira como o Senhor providenciou que tudo corresse tão bem, tão rápido, e por ter unido uma equipe tão profissional (e mesmo outros nem tão profissionais, como nossas vozes infantis...), para trabalharem com tanto amor e disposição na produção deste album que tem se tornado um favorito de todos que com ele se envolveram. 

Decidimos ainda fazer do album "Deus Me Fez - Para a sua Glória " um CD bilingue, com coros e trechos repetidos em Inglês,  para ajudar as crianças e jovens a se familiarizarem com esta língua estrangeira e assim estimulá-las e mesmo ajuda-las no aprendizado desta segunda língua, alem de deixar o álbum com um gostinho da letra original. 

Foto oficial da equipe toda no Estudio Alfa, em Dom Eliseu-Pa


As gravações foram realizadas neste mês de Junho no Estúdio Alfa, em Dom Eliseu, onde contamos com a habilidade técnica e musical e com o trabalho dedicado e paciente de Silas Lima,  responsável pela gravação, edição, mixagem e masterização do CD. A bela produção e arte da capa do álbum "Deus me Fez" foi realizada por nosso irmão, Paulus Anglada.



Reconhecemos a bondosa mão de Deus e a Sua sábia Providência ao longo de todos estes anos, desde a idealização até à consecução final deste projeto e, portanto, rendemos a Ele a nossa sincera e humilde gratidão. Que o Seu nome possa ser exaltado e glorificado pelos lábios dos nossos filhos e herdeiros da Aliança, tanto nesta geração, quanto nas vindouras.


Agradecemos também aos nossos esposos, pelo apoio abnegado e amoroso, em todos os momentos. Agradecemos a nossos pais, Paulo e Layse Anglada, que nos ensinaram desde pequenas a amar as verdades da graça; agradecemos a nossos sogros Tiago e Margaret Davis, pelo encorajamento irrestrito e apoio prático, cedendo sua casa, preparando refeições, organizando ensaios, nos possibilitando levar o projeto adiante em meio a nosso dia-a-dia familiar corrido.

Hugo Júnior, produtor e arranjador Musical
Agradecemos também ao violonista e produtor musical Hugo Jr., e à cantora Edinésia Moraes e seu esposo Levi, que não mediram esforços em viajar longas distâncias para que os ensaios e gravações pudessem ser realizados, por toda a dedicação na aprendizagem das músicas e por depositarem todas as energias nas horas intensas de gravação deste álbum.

Cantora Edinésia Moraes e seu esposo Levi


Amy e Katie Siviero
Agradecemos às irmãs Amy e Katie Sivieiro, que usaram parte de suas férias no Brasil, de seus estudos nos EUA, para participarem deste projeto e emprestaram suas belas vozes e habilidades no violino e flauta. Obrigada, meninas, por todas as sugestões e ajuda com as crianças durante os ensaios e gravações! Nosso muito obrigado tambem ao nosso irmão e designer Paulus Anglada pela paciência e por todo o trabalho de arte e editoração das letras das músicas para a capa do disco; e ainda ao designer Yuri Farias pela prontidão nos trabalhos de publicação e divulgação. 

A Turminha no Estúdio

Nossa gratidão se extende ainda a pianista Hannah Davis e aos professores de música Lucas e Rute Cavalcanti pelas horas de ensaio, revisão das letras, e preparo musical baseado nas partituras originais.

Também agradecemos às crianças da nossa congregação e a seus pais, por todo o empenho na aprendizagem das canções e pela paciência que precisaram ter durante as intermináveis horas de ensaio e gravação.


Finalmente agradecemos e prestamos nossa homenagem à cantora Judy Rogers, que desde que ouviu de nosso desejo de traduzir suas canções prontamente concedeu-nos a permissão e todo o incentivo para prosseguirmos nessa iniciativa. Convidamos nossos leitores a conhecer seu belo trabalho no site www.judyrogers.com, onde vocês poderão adquirir e baixar este e muitos outros álbuns que ela tem preparado para o público infanto-juvenil, dentre eles indicamos os álbuns "Go to the Ant", baseado no livro de Provérbios, e seu lançamento "Consider God's Critters", que aborda o tema da Criação.
Edinésia Moraes Gravando

Para uma pequena amostra do CD, clique no link abaixo:

O lançamento oficial do CD "Deus Me Fez" será no dia 02 de Junho de 2016, as seis da tarde, no Intervalo entre o 1o Encontro Educar (Educação Domiciliar Reformada)-Norte que acontecerá de 3:00 às 6:00 da tarde, e o 25o Simposio "Os Puritanos" em Belem-PA, que, no sábado, reinicia às 7:00 da noite, na IPCPA- Igreja Presbiteriana Central do Pará ou Centro de Estudos John Knox, Tv. Eneas Pinheiro, 1752.

Pedidos do CD podem ser feitos pelo novo contato do blog maçãs de ouro: macasdeouro@gmail.com.

    

quarta-feira, 4 de maio de 2016

RESULTADOS DA EDUCAÇÃO PURITANA: AS ESCOLAS CLÁSSICAS E A FUNDAÇÃO DAS UNIVERSIDADES

Esta postagem faz parte da dissertação "Fundamentos Históricos e Filosóficos de uma Educação Bíblico-Reformada", Parte 1: Educação Reformada: Uma Visão Histórica". Trata-se de um breve histórico da Educação Reformada, desde as suas raízes - que remetem à vida e a obra de Cristo e da primeira igreja cristã apostólica - até uma visão panorâmica da educação reformada em diversos países no mundo atual. A segunda parte desta monografia, sobre os "Fundamentos Filosóficos da Educação Reformada" pode ser encontrada neste blog, na seção de "Filosofia da Educação".  Os capítulos sobre os Fundamentos Históricos da Educação Bíblico Reformada estarão listados dentro da seção de História da Educação, possivelmente divididos em partes menores:
CAPÍTULO 1: A PRIMEIRA EDUCAÇÃO CRISTÃ
CAPÍTULO 2: A EDUCAÇÃO RELIGIOSA REFORMADA
CAPÍTULO 3: A EDUCAÇÃO REFORMADA NO SÉCULO XVII
Post 1: Uma Perspectiva Histórica da Educação Reformada no Século XVII e a Reforma Educacional de Comênio.
Post 3: Resultados da Educação Puritana: As Escolas Clássicas Cristãs e a Fundação das Universidades (Postagem Atual)
CAPÍTULO 4: HERANÇA REFORMADA NA EDUCAÇÃO DOS PAÍSES PROTESTANTES
***
O leitor que desejar usar ou citar parte deste trabalho pode fazê-lo, desde que indique os dados bibliográficos da obra, abaixo:
            ANGLADA, Karis Beatriz Gueiros          
Fundamentos Históricos e Filosóficos de uma Educação Bíblico-Reformada/ Karis Beatriz Gueiros Anglada.       
            300 f.
            Monografia (graduação) – Universidade do Estado do Pará. Centro de Ciências Sociais e Educação. Belém, 2004.              
            Área de Concentração: Educação
            Orientador: Maria Betânia Barbosa Albuquerque.
            1. Educação 2. Filosofia 3. Religião Cristã/Reformada
 
RESULTADOS DA EDUCAÇÃO PURITANA:
AS ESCOLAS CLÁSSICAS E A FUNDAÇÃO DAS UNIVERSIDADES
Escolas Secundárias ou Latinas preparavam os alunos para a Universidade.
Do ponto de vista das contribuições mais concretas dos puritanos para a educação de seu tempo, é possível, a partir de fontes documentais, perceber o quanto este movimento zelava pela educação e defendia a perpetuação de escolas cristãs, em todos os níveis e lugares onde se desenvolveu.
 Na Inglaterra, o número de escolas primárias dobrou enquanto os Puritanos estavam em ascendência (KNAPPEN, 1939, p. 469) [1] e o respeito pela educação foi notável especialmente no período da República de Cromwell, que além de ter sido pessoalmente responsável pelo estabelecimento de uma faculdade em Durham, também “fundou ou reabriu inúmeras escolas primárias, e também determinou que professores fossem enviados pelo país afora para assegurar as necessidades educacionais” (GREAVES, 1969, p. 15). Um moderno historiador da educação diz que “sob vários aspectos o Commonwealth [período da República instalada por Cromwell] da Inglaterra foi um período quando os estudos universitários alcançaram um ápice” (SMITH , 1954, p. 12).
Nas colônias da Nova Inglaterra, os Puritanos que emigraram para o Novo Mundo fundaram uma sociedade protestante com a liberdade que não tinham na Inglaterra. Na América, a preocupação com a educação se revelou de modo muito intenso, desde os primeiros anos do seu estabelecimento. Ali, adotou-se o conceito calvinista de que o Estado religioso deveria sustentar as escolas comuns vernáculas, as escolas secundárias de Latim e as Universidades. (CAIRNS, 1947, p. 329).
A primeira Lei da Nova Inglaterra concernente à educação data de 14 de Abril de 1642, e ordenava que os pais e mestres não negligenciassem os seus deveres na educação dos jovens na leitura e no entendimento dos princípios religiosos e nas leis do país, e para tanto os pais seriam supervisionados e penalizados se não o fizessem. (CAIRNS, 1947, p. 329)
O segundo e mais importante ato educacional da Nova Inglaterra, de 11 de Novembro de 1647 ficou conhecido como o Ato do Velho Enganador, que colocava a responsabilidade e o sustento da educação nas mãos das cidades, pelo que educação passava a ser pública e gratuita, e a leitura era enfatizada como meio para o entendimento das Escrituras. O nome desta lei deve-se à consideração nela presente de que era uma intenção do “Velho Enganador, Satanás” “impedir que os homens conheçam as Escrituras” (CAIRNS, 1947, p. 330) e, portanto, as escolas fundadas deveriam servir para que fossem destruídas as mentiras de Satanás por meio do conhecimento das verdades de Cristo. (FEDDES, 2002) Com esta lei, em cada cidade de cinqüenta famílias deveria ser estabelecida uma escola elementar mantida por pais e mestres ou com recursos públicos.
Leis semelhantes foram estabelecidas em pról da fundação de escolas para jovens em Connecticut (1650), New Haven (1655). Dessas leis se extraem os três principais objetivos da escola elementar puritana: o objetivo vocacional, pois que a criança deveria ser preparada para um trabalho útil a si e ao Estado; o religioso, que capacitava as pessoas a ler as Escrituras, com o que podiam alcançar a Salvação; e o objetivo civil, de promover a conformidade civil preparando as crianças para obedecer às leis da nação.
Da mesma forma foram criadas escolas secundárias de Gramática. A primeira escola Latina surgiu em Boston em 1635, seguida da lei que ordenava a criação de escolas de gramática em cada cidade de 100 famílias e de provisões em outras colônias para o mesmo fim. Os objetivos dessas escolas era o de preparar os jovens para a universidade através do estudo de Latim, Grego e da literatura clássica. Entretanto, também aqui, o propósito religioso era fundamental, como insta o puritano e educador americano Cotton Mather: “Mas, que em primeiro lugar, que se lhes ensine a temer o Grande Deus” (MATHER apud. RYKEN, 1992, p. 333).
Finalmente, os puritanos não se delongaram para a fundação das primeiras Universidades na América, a primeira delas fundada apenas seis anos após a sua chegada na Baía de Massachusetts; assim, a faculdade de Harvard teve início com uma doação de dinheiro e livros pelo Rev. John Harvard e foi mantida em seus primeiros anos parcialmente pelas doações de trigo feitas por fazendeiros para o sustento de alunos e professores (RYKEN, 1992, p. 167).
Um relato encontrado no famoso documento do puritanismo americano, “Os Primeiros Frutos da Nova Inglaterra” (1643), explicita os motivos da fundação da faculdade:
Placa explicando as razões da Fundação de Harvard, tradução ao lado.
 
Depois que Deus nos levara a salvo para a Nova Inglaterra, e havíamos construído nossas casas, fornecido o necessário para nossa sobrevivência, criado lugares convenientes para o culto a Deus, e estabelecido o governo civil, uma das próximas coisas que desejávamos e buscávamos era dar continuidade à aprendizagem e perpetuá-la para a posteridade, temendo deixar um ministério mal preparado às igrejas quando nossos pastores do presente jazerem no pó. (RYKEN, 1992, p. 168)
Os estudantes ministeriais em Harvard não apenas aprendiam a ler a Bíblia na sua língua original e a expor a teologia, mas também estudavam matemática, astronomia, física, botânica, química, filosofia, história e medicina, de modo que todo ensino fosse subordinado ao fim religioso e fosse utilizado precisamente para este fim. Em 1652, a tarefa da instituição foi assim resumida: “piedade, moralidade e aprendizado”, e em 1650 foram listados “o avanço de toda boa literatura, artes e ciências” e “a educação da juventude inglesa e nativa deste país no conhecimento e na piedade” (RYKEN, 1992, p. 171). O ideal pretendido para todo estudante é encontrado numa das principais normas da Universidade de Harvard:
Que todo estudante seja claramente instruído e seriamente forçado a considerar bem que o principal fim da sua vida e de seus estudos é conhecer Deus e Jesus Cristo, que é a vida eterna (Jo 17:3); e, portanto, pôr a Cristo na base, como único fundamento de todo conhecimento e sã doutrina. (RYKEN, 1992, p. 171)
A primazia das motivações e fins religiosos na fundação de universidades pode ser constatada também em atos como o da Assembléia Geral de New Haven, 1701, que pede a criação de uma faculdade onde “os jovens sejam instruídos nas artes e ciências, os quais, pelas bênçãos do Deus Todo-Poderoso, possam ser capacitados para os empregos públicos na Igreja e no Estado” (CAIRNS, 1947, p. 335). Esta veio a ser a Universidade de Yale, iniciada em 1718 com uma doação de Eliu Yale, que atendeu aos pedidos do puritano Cotton Mather.
Da mesma forma, eis o que diziam os estatutos do Emmanuel College, uma das principais faculdades puritanas da Universidade de Cambridge:
Universidade de Cambridge
É uma antiga instituição da igreja... que as escolas e faculdades sejam fundadas para a educação dos jovens em toda piedade e boa aprendizagem e especialmente na Sagrada Escritura e na teologia, para que sendo assim instruídos possam depois disso ensinar a verdadeira e pura religião (RYKEN, 1992,  p. 172).

 
Quanto ao propósito central da educação a ser oferecida ali, é bastante claro:“Há três coisas as quais acima de tudo desejamos que todos os alunos desta universidade atendam, a saber, o culto a Deus, o crescimento da fé e a probidade de conduta.” (RYKEN, 1992, p. 171).
Outras universidades posteriores a essas podem ser também consideradas fruto do puritanismo e de sua ênfase no valor da erudição para a Igreja e para o Estado. Citamos a Universidade de Brown, que apesar de ser uma instituição batista, seus fundadores tinham formação puritana. E a herança puritana fez-se sentir também nas Universidade de Columbia e Princeton (FEDDES, 2002).
Universidade deYale












De forma resumida, portanto, pode-se caracterizar a filosofia da educação superior puritana pela preocupação com um ensino clássico e com a teologia para prover homens piedosos e treinados para a liderança na Igreja e no Governo Civil.
Essas considerações fornecem uma idéia geral do pensamento educacional e contribuições dos puritanos para a educação de seu tempo e para o desenvolvimento da fé reformada no que concerne à educação. Demonstram a grande preocupação dos puritanos com a educação e como esta preocupação se transformou em ações práticas e benefícios para a educação dos países em que o puritanismo se desenvolveu, de modo especial no período colonial americano, que pode ser visto na fundação de escolas e universidades e no seu propósito primariamente religioso. A importância do papel dos puritanos para a educação reformada consiste exatamente no fato de que sua posição educacional foi uma tentativa de desenvolver e aplicar a reforma educacional iniciada pelos primeiros reformadores, e seus esforços mostraram-se bem-sucedidos e abundantes de frutos concretos, servindo-nos de precioso exemplo e enconrajamento.





[1] A história de Foster Watson sobre as escolas de primeiro grau conclui que “as escolas de Primeiro Grau inglesas ganharam muito mais de sus vitalidade e inspiração da vida nacional, em sua mais intensa manifestação no puritanismo” (KNAPPEN, p.538-39)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

OS PEQUENOS SERVOS DA PEQUENA SUSY – POR ELIZABETH PRENTISS – PARTE X


Esta série de postagens que se encerra aqui consiste na tradução de um clássico infantil favorito, escrito pela autora Elizabeth Prentiss, e intitulado, no inglês, de “Little Susy’s Little Servants”.
A autora americana, herdeira do movimento Puritano, viveu na Nova Inglaterra entre os anos de 1818 e 1878, e é autora do conhecido hino: “Mais amor por Ti” (“More Love to Thee”) e da obra “Pisando em Direção ao Céu” (“Stepping Havenward”), dentre vários outros títulos. Os seus escritos, embora tenham sido publicados e grandemente divulgados já em sua própria época, ganharam renomada popularidade no final do século XX.
Elizabeth era uma dentre os oito filhos do Ministro Edward Payson, tendo sido criada desde cedo nos caminhos da fé protestante. Desde a idade de dezesseis anos ela já contribuía com escritos em um periódico voltado para a juventude: “The Youth’s Companion”. Ela fundou, em 1838, uma escola para meninas em sua própria casa, e dois anos depois partiu para o estado da Virgina, para ser dirigente de departamento de uma escola para meninas.
Ela casou-se, em 1845, com George Lewis Prentiss, um ministro Presbiteriano, com o qual teve seis filhos, dois dos quais faleceram ainda na infância.
Embora tenha tido uma saúde frágil e delicada, Elizabeth Prentiss faleceu com a idade de 59 anos e o seu hino “Mais Amor por Ti” foi cantado no seu funeral. Após a sua morte, o seu esposo editou e publicou um livro composto por várias das suas cartas “Vida e Cartas de Elizabeth Prentiss” (“The Life and Letters of Elizabeth Prentiss”), o qual continua em publicação e, segundo as suas próprias palavras, extraídas do prefácio desta obra, ela diz: “Muito da minha experiência de vida tem me custado um alto preço, e eu desejo utilizá-la para o fortalecimento e conforto de outras almas.”

Nesta obra para crianças, nós vemos a pequena Susy crescer e se transformar, de um pequeno bebê em uma pequena mocinha de cinco anos de idade, enquanto os seus ajudantes aprendem a brincar, a se ocupar com diversas atividades e a fazer coisas para ajudar os outros. Às vezes, eles também lhe metem em problemas! Mas durante este percurso, a pequena Susy aprende a ser gentil, a servir aos outros e, mais importante de tudo, a amar e servir a Deus com todo o seu coração.    

(P.s.: Ainda não leu os capítulos anteriores? Clique aqui!)


CAPÍTULO X

“Pois as mãos ociosas são oficina de Satanás.”
(Isaac watts)


–Susy, querida, você não está se sentindo bem? –Perguntou a sua mãe, ao vê-la sentada ociosamente no carpete do quarto.
–Sim, mamãe, eu me sinto bem, mas eu não sei o que fazer. Eu gostaria que você me dissesse o que fazer.
–Bem, você poderia descer e ir descascar umas ervilhas para mim –disse a sua mãe.
–Ah, mas eu não quero descascar ervilhas, eu descasquei uma saca inteira ontem.
–Ora, não foi uma saca não –disse a babá–, acho que nem passou de um copo!
–Então você pode segurar a meada do fio de seda que estou tecendo.
–Eu não quero trabalhar, eu quero brincar –disse a Susy.
Foi então que uma voz chamou a sua mãe para descer e receber visitas, e a Susy continuou sentada ali no chão, com um humor não muito bom.
–Ora essa, eu só queria ter algo para fazer! –disse ela–, será que o Robbie serviria como uma boneca? Eu acho que eu vou tentar fazer isso!
Então ela engatinhou de fininho para o canto do quarto onde o Robbie estava sentado, brincando com os seus blocos e onde ela estava fora das vistas da babá, e começou a desabotoar a sua roupa.
Aos poucos, e ao julgar, pelo silêncio, que alguma coisa errada estava acontecendo, a babá se levantou e foi olhar. E ali estava Robbie, sem nenhuma roupa, enquanto a Susy tentava esmagar o seu braço para caber na camisola de uma das suas bonecas. O paciente companheirinho segurava o seu bloquinho firmemente com uma das mãos, como se este fosse o seu consolo no momento do seu sofrimento, pois ele realmente pensou que tinha feito alguma coisa errada e estava tendo que ir para a cama.
–Muito bem feito! –disse a babá– Deixa só eu chamar a sua mãe para ver o que você está fazendo, espera só!
A Susy pulou e agarrou a babá pelas suas roupas.
–Você não precisa chamar a mamãe! O Robbie é a minha boneca, e eu vou colocá-lo para dormir, não é Robbie?
A resposta da babá foi somente a de apanhá-lo em seu colo e beijá-lo.
–Eu sei muito bem que ele lhe deixaria até mesmo cortar o seu pescoço, se você o quisesse! –disse ela– A Susy está sendo levada e a sua mãe vai lhe dar uma palmada.
–“Susy nanada, mamãe balmada!” –repetiu o Robbie, mostrando a ela, com as suas mãozinhas, o que a sua mãe faria.
–Se você tivesse sido boazinha e descido naquela hora para descascar as ervilhas –disse a babá–, você não teria entrado em confusão. Onde está a outra meia do Robbie? Está bem no braço da sua boneca, né? Vai buscá-la para mim agora mesmo! E onde está a sua blusa? Ele vai morrer de frio se ficar sentado aqui sem nenhuma roupa. Bem, vamos ver o que a sua mãe vai dizer!
A esta altura, a Susy estava convencida de que tinha feito algo muito ruim. Então ela desceu de mansinho e começou a descascar as ervilhas o mais rápido que podia. Os seus pensamentos corriam a mil em sua cabecinha.
“Eu acho que a mamãe não vai se importar tanto assim... eu só estava brincando... e eu vou descascar um monte de ervilhas para ela... eu queria saber onde foi que eu coloquei a camisa do Robbie. Eu acho que eu a deixei debaixo da cama. Mas se ele não a vestir, ele vai pegar um resfriado”. Os seus dedinhos ocupados pararam rapidamente e ela escorregou da sua cadeira e lá se foram as ervilhas, rolando para todos os lados, por todo o chão da cozinha.
–Seria bom se você tivesse ficado lá em cima, onde é o seu lugar –disse a babá–. Vê como você desperdiçou as ervilhas? Se eu fosse a sua mãe, eu não lhe daria nenhuma para o seu almoço.
–Eu vou juntá-las –disse a Susy–, e foi a mamãe que disse que eu podia vir descascá-las. Ela parecia estar tão preocupada e arrependida que a Sara disse que estava tudo bem, e que talvez seis ervilhas não fosse uma perda muito grande. Então Susy subiu novamente para o quarto a fim de procurar a camisa que ela tinha perdido.
–Mas se esta não é a camisa do Robbie pendurada no seu bolso! –disse a babá– Eu confesso que nunca vi uma menina como esta! Só espere até a sua mãe ouvir sobre tudo isso!
Ao falar com uma voz zangada, a Susy viu um ligeiro sorriso no canto da sua boca que alegrou bastante o seu coraçãozinho desconsolado. 
–Eu não fiz de propósito! –disse ela–, é que eu não tinha nada para fazer! Mas eu nunca mais farei isso, nem nos próximos mil anos! Você não vai me perdoar?
–Ó, sim, eu vou lhe perdoar sim. E além disso, eu vou lhe ensinar um hino que fala sobre mãos desocupadas. Ele diz assim:

Oh, como a abelhinha trabalha!
Pois todo momento aproveita
Pra todos os dias o mel coletar,
De cada florzinha que abre!

Oh, quão habilmente constrói a cela,
E perfeitamente espalha a cera!
E como trabalha para estocar
A doce comida que faz.

Em obras da lida ou de aptidão
Eu quero também me ocupar
Pois sei que as mãos ociosas são
Como oficina pro diabo usar.

Que em livros, trabalho e saudável brincar
meus primeiros anos se gastem,
Pra que por cada dia eu possa prestar
Boas contas no dia final.


(Isaac Watts)